ÁfricaMundial de Clubes

Em busca do reinado perdido

Entre 2009 e 2010, o Mazembe foi supremo no futebol africano. Conquistou a Liga dos Campeões por dois anos consecutivos, se tornou no primeiro clube da chamada África Subsaariana a disputar um Mundial de Clubes e, de quebra, foi vice-campeão do torneio em 2010 (sempre vivo na memória dos Colorados), se tornando no primeiro clube fora do “eixo” Europa-América do Sul a chegar à decisão. O reinado parecia ter vida longa, porém no ano passado, o sonho do tricampeonato continental naufragou fora de campo. A escalação irregular de Janvier Bessala, que havia sido contratado junto ao Espérance, resultou na desclassificação da equipe na LC.

Foi um período doloroso. Em que pese o clube ser presidido pelo milionário Moïse Katumbi, um dos principais responsáveis pela ascensão do Mazembe na última década, o prejuízo financeiro foi inevitável. Sem visibilidade, disputando apenas a liga doméstica, os congoleses perderam alguns de seus principais jogadores. Kaluyituka, por exemplo, foi para o futebol do Qatar. Kabangu, um dos ídolos da equipe, rumou para o Anderlecht, clube do qual já foi dispensado. Não custa lembrar: estes foram os autores dos gols da épica vitória sobre o Internacional (como imortalizou Kanhanga: “primeiro Kabangu, depois Kaluyituka, coitado do Renan que não viu a bola nunca”).

Nesta temporada, pode-se dizer que o Mazembe vive um período de reconstrução. Até aqui, muito bem sucedido. Mesmo sem a mesma preponderância de anos anteriores, o time já recuperou um papel de destaque no continente, classificando-se para as semifinais da Liga dos Campeões com uma rodada de antecedência. Os congoleses derrotaram o Al Ahly por 2 a 1 e assumiram a liderança do Grupo B, com os mesmos 10 pontos dos egípcios. Sacramentar a liderança da chave é fundamental, sobretudo para evitar um confronto precoce com o Espérance, que “herdou” a supremacia do Mazembe na África, nas semifinais.

A equipe comandada por Lamine N’Diaye perdeu em “pedigree”, mas é rejuvenescida e bastante promissora. Duas seleções que estão fazendo sucesso no continente podem evidenciar essa realidade, a começar por Zâmbia, atual campeã africana. Nada menos que cinco jogadores dos Chipolopolo são do Mazembe, sendo pelo menos quatro deles fundamentais: o zagueiro Himoonde, o zagueiro/volante Sunzu, o volante Sinkala e o meia Kalaba, articulador de ambas as equipes. A República Democrática do Congo, que evolui consideravelmente nos últimos anos, também bebe dessa fonte: Kidiaba, Nkulukutu, Kimwaki, Kanda, Mputu, todos titulares incontestáveis.

N’Diaye costuma escalar a equipe no 4-3-2-1, mas quando não exerce o domínio da partida, varia o esquema para o 4-1-4-1. Em ambas as formas, Trésor Mputu é quem comanda o setor de ataque. Até por não ser um centroavante de ofício, o ídolo congolês se movimenta bastante e cria espaços para os companheiros chegarem ao ataque. Além de refinado tecnicamente (talvez o principal jogador em atividade no continente ao lado de Aboutrika e Msakni), também é bastante polêmico: em agosto de 2010, foi suspenso após dar uma voadora um árbitro etíope, e por isso não jogou o Mundial. Dentro de campo, Mputu está em excelente forma: são 14 gols e 12 assistências nos últimos 24 jogos.

Seu principal “assistente” é Rainford Kalaba, o maestro do time e xodó da torcida. Um dos destaques da CAN 2012, o zambiano se destaca pelo bom passe e principalmente pela versatilidade, atuando em várias funções no meio-campo. Na armação, ele ganhou recentemente a companhia de jogadores como o zambiano Samata, meia-atacante ágil e bom finalizador de apenas 19 anos. Déo Kanda, outro jovem de muita habilidade, também conquistou seu espaço. É a juventude somada à experiência de jogadores como o folclórico Kidiaba, goleiro que os torcedores do Inter jamais vão esquecer, que faz o Mazembe sonhar em retomar a soberania na África. E, por que não, incomodar mais um brasileiro no Mundial? Abre o olho, Corinthians.

Curtas

– O Espérance sacramentou a liderança do Grupo A da Liga dos Campeões. Com gol de Msakni, os tunisianos derrotaram o Sunshine Stars por 1 a 0 e mantiveram os 100% de aproveitamento, com 9 pontos (que seriam 15, não fosse a exclusão do Etoile du Sahel do torneio). O Sunshine, vice-líder, também avançou.

– Complementando a rodada do Grupo B, que teve a vitória do Mazembe sobre o Al Ahly, o Zamalek empatou com o Berekum Chelsea em 1 a 1, no jogo que marcou o retorno dos torcedores aos estádios egípcios desde a tragédia em Port Said.

– Três mil pessoas foram autorizadas a assistir a partida, marcada por protestos veementes dos Ultras contra a diretoria do Zamalek, sobretudo por conta da péssima campanha na LC. O presidente do clube, Mamdouh Abbas, foi o principal alvo.

– Também teve rodada da Copa da Confederação Africana. A vitória do Al-Merreikh sobre o Al-Ahli Shendi por 2 a 0 foi o ponto alto da rodada, mas o jogo acabou manchado pelos incidentes fora de campo. Revoltada, a torcida do time derrotado atirou pedras no gramado, e El Hadary, goleiro do Merreikh, foi quem se deu mal: sofreu um corte no lábio e teve alguns dentes quebrados.

– No outro jogo da chave, o Al-Hilal empatou com o Interclube em 1 a 1. O Al-Merreikh lidera com 7 pontos, dois a mais que o Al-Hilal. Pelo Grupo B, o Djoliba fez 2 a 1 no Wydad Casablanca e disparou na liderança, com 7 pontos. O vice-líder, o AC Léopard, ficou no 1 a 1 com o Stade Malien e chegou aos três pontos.

– Assaltantes tentaram invadir a sede da Associação Egípcia de Futebol (EFA) na última sexta-feira. Eles atiraram bombas de gasolina e fogos de artifício no prédio, destruindo a fachada de vidro e causando um pequeno incêndio, sem vítimas. A EFA tem sido muito criticada por Ultras e dirigentes do Al Ahly por conta do fim da suspensão do Al Masry, após a tragédia em Port Said.

– Curiosamente, dias depois do incidente, o Al Masry confirmou que não disputará o Campeonato Egípcio. A recusa chama a atenção, já que o próprio clube lutou pela suspensão das sanções. Na última semana, o Masry também fez boas contratações, como o veterano volante Mohamed Shawky e Jude Aneke, maior artilheiro da história do Campeonato Nigeriano.

– Gordon Igesund anunciou sua primeira convocação como treinador da África do Sul. Os Bafana Bafana encaram o Brasil no dia 7 de setembro e 25 jogadores foram chamados.

– Bernard Parker (Kaizer Chiefs) e Lerato Chabangu (Swallows), que estão em grande forma no futebol local, retornam após um longo tempo de ausência. Jogadores como Modise, Jali e Mphela ficaram de fora.

– Belhanda, Boussoufa, Taarabt e Chamakh reforçam o Marrocos para o jogo contra Moçambique, pelas eliminatórias da CAN 2013. Ibrahima Touré, atacante em grande forma no Monaco, é a grande novidade de Senegal para o jogo contra a Costa do Marfim.

– Leonard Kweuke, atacante do Sparta Praga, foi chamado para o lugar de Eto’o na seleção de Camarões. O porta-voz da Fecafoot, Junior Binyam, disse que o atacante do Anzhi pode ser banido da seleção por ter recusado a convocação. Isaac Cofie, meia de 20 anos do Chievo, foi convocado pela primeira vez para Gana, que enfrenta Malauí. Mali conta com a volta de Mahamaddou Diarra, que não disputou a CAN 2012.

– Ishak Belfodil, atacante francês do Parma com passagem pelas seleções de base dos Bleus, foi convocado para a seleção da Argélia, que enfrenta a Líbia. Em Guiné-Equatorial, que encara a República Democrática do Congo, Jonatas Obina (sim, aquele, ex-Atlético-MG), foi chamado. Outros três jogadores que atuam no futebol brasileiro foram chamados: Emmanuel, Eduardo Santos e Ronan.

– Tsepo Masilela, lateral-esquerdo titular da África do Sul, retornou ao seu país natal após assinar com o Kaizer Chiefs. Ele esteve emprestado ao Getafe na última temporada e contribui com uma boa dose de experiência ao time.

– Artilheiro do último Campeonato Camaronês em sua primeira temporada como profissional, Jean-Landry Bassilekin foi contratado pelo Nancy. O atacante de 20 anos atuava pelo Renaissance Ngoumou. Hossam Hassan, volante titular do Egito nas Olimpíadas, deixou o Misr El-Makasa e rumou para o futebol turco.

– O campeão da semana é o Casa Sport, que faturou o Campeonato Senegalês no confronto direto contra o Diambars, que liderava os playoffs. O Casa venceu fora de casa por 1 a 0 e chegou aos 11 pontos, contra 10 dos rivais. É o primeiro título nacional da história do clube.

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