África

Em busca do continente

Mais de 80 anos de história e um objetivo. O Al Hilal, maior campeão sudanês e apoiado por uma das torcidas mais fanáticas do futebol árabe, segue na luta pelo título inédito da Liga dos Campeões da África. Até a década passada, o sonho parecia distante. Entretanto, não há como fechar os olhos para a evolução do futebol sudanês. O Al Hilal, por exemplo, esteve em três das últimas quatro fases de grupos da LC africana. Em duas delas, só foi eliminado nas semifinais. No ano em que esteve ausente, foi semifinalista da Copa da Confederação Africana (segundo principal torneio de clubes da África).

O Al Merreikh, também da cidade de Omdurman e que protagoniza uma rivalidade ferrenha com o Al Hilal, foi vice-campeão da Copa da Confederação Africana em 2007. Na edição da LC africana deste ano, este fenômeno ganha um novo capítulo. Tratado como ‘azarão’ na fase de grupos, o Al Hilal poderia não ter o mesmo cartaz dos adversários (seis das outras sete equipes que lutam pelo título já foram campeãs continentais), mas não entrou para cumprir tabela. Até o momento, os sudaneses desbancam equipes como o Raja Casablanca, atual campeão marroquino, e o Coton Sport, bicampeão camaronês consecutivo, ostentando situação confortável no Grupo A em busca de uma vaga nas semifinais.

Ao contrário das outras oportunidades, desta vez o ‘gigante’ do Sudão inspira plena confiança. Não só pelos resultados, mas pelo ótimo trabalho do sérvio Milutin ‘Micho’ Sredojevic no comando da equipe. Em termos de resultados, desde sua chegada em julho do ano passado, o treinador liderou o time bicampeão nacional em 2010 e semifinalista da Copa da Confederação Africana, caindo surpreendentemente para o CS Sfaxien. Curiosamente, os tunisianos já haviam sido carrascos de outro sudanês em 2007, quando venceram o Al Merreikh na final da mesma competição.

Entretanto, a grande mudança com a chegada de Micho está na parte tática. Nos últimos cinco anos, o Al Hilal mexeu pouco em seu elenco. Somado ao entrosamento do time, a experiência do treinador pelo continente afora fez com que os sudaneses encarassem qualquer equipe de igual pra igual. Apesar de não possuir muitos títulos expressivos no currículo, Sredojevic é conhecido por ser um estrategista nato. Mais do que isso: dirigiu grandes equipes em Uganda (Villa), Etiópia (Saint George) e África do Sul (Orlando Pirates) e, segundo o próprio, esteve em 48 dos 53 países africanos nos últimos dez anos, o que lhe proporcionou um conhecimento em todos os aspectos sobre virtudes e deficiências de cada um.

Micho não se constrange em dizer que adapta o estilo de jogo de seu time ao adversário. Mesmo porque a fórmula vem funcionando. Na estreia nos grupos da LC, contra o Enyimba, todos apostavam numa vitória tranquila dos nigerianos, que jogavam em casa. Porém havia um Edward Sadomba no caminho. O artilheiro nascido no Zimbábue marcou os dois gols do Al Hilal que garantiram um heróico empate em 2 a 2.

Nos outros dois jogos até aqui, duas vitórias do Al Hilal com autoridade. Micho destacou a importância de somar todos os pontos possíveis em casa, e o time vem dando conta do recado. Contra o Raja Casablanca, um gol de Sadomba, sempre ele, garantiu a vitória. No duelo contra o Coton Sport, o zimbabuano passou em branco, porém Mustafa e Otobong garantiram o triunfo dos sudaneses por 2 a 1, de virada.

O sérvio define o estilo de jogo do Al Hilal como “defesa de ferro, criatividade no meio-campo e ataque incisivo que busca o gol”. Na defesa, que possui média de um gol sofrido por jogo, o goleiro Abdel Rahman Ibrahim é o grande destaque. Por orientação de Micho, os defensores evitam ‘chutões’ pra frente, bem como o meio-campo, caracterizado pelos toques rápidos.

O bom volante Atir Thomas e o capitão Haitham Mustafa – comparado, pasmem, a Francesco Totti há alguns anos -, ditam o ritmo na saída de bola. No ataque, a estratégia é “bola no Sadomba”, artilheiro do time na LC, no Campeonato Sudanês (com média aproximada a um gol por jogo) e titular da seleção do Zimbábue. Como não poderia deixar de ser, o povo do Sudão começa a absorver essa energia, com esperanças de que o futebol mude a maneira de como o país é visto mundo afora. Por isso, independente da rivalidade, todos estão com o Al Hilal. O sonho de conquistar o continente nunca foi tão possível.

Falando em Liga dos Campeões…

Além do Al Hilal, os nigerianos do Enyimba também estão em situação muito confortável na LC africana. A equipe não teve piedade da crise vivida pelo Raja Casablanca e venceu por 2 a 0, com direito a mais um gol de Uche Kalu, artilheiro da fase de grupos da competição com quatro gols em três jogos. Pelo lado dos marroquinos, o técnico romeno Ilie Balaci, que já não havia caído nas graças da torcida após a eliminação na Copa do Marrocos, começa a se complicar no cargo.

Restando nove pontos em disputa, Al Hilal e Enyimba lideram o Grupo A com sete pontos, enquanto Coton Sport e Raja Casablanca somaram apenas um até aqui. Por outro lado, o Grupo B preza pelo equilíbrio. No duelo dos líderes da chave, o Wydad Casablanca recebeu o Espérance, da Tunísia, e empatou em 2 a 2. O resultado saiu no lucro para os marroquinos, que saíram perdendo por 2 a 0 ainda nos 45 minutos iniciais.

No outro duelo, o Al Ahly finalmente alcançou sua primeira vitória na fase de grupos. Os Red Devils receberam o Alger, da Argélia, e venceram por 2 a 0. O artilheiro Emad Moteab marcou os dois gols e também segue na luta pela artilharia da LC. Na próxima rodada, entre os dias 26 e 28 de agosto, Enyimba e Al Hilal lutarão pela classificação antecipada no Grupo A. Basta uma vitória, porém ambos jogarão fora de casa contra Raja Casablanca e Coton Sport, respectivamente. No B, destaque para o novo confronto dos líderes Espérance e Wydad Casablanca, ambos com cinco pontos, desta vez na Tunísia.

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Equipe Trivela

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