África

Eles são perigosos: o risco senegalês

Com exceção de Atenas-2004, todos os torneios de futebol masculino em Olimpíada desde 1992 tiveram uma seleção da África no pódio. Não é a toa que, sempre quando se apontam os principais candidatos ao ouro, uma espécie de alerta acompanha o seleto grupo: “olho nas seleções africanas”. O Brasil, que apresenta o melhor futebol até aqui nos Jogos, provou deste veneno duas vezes: em 1996, para a Nigéria, e em 2000, para Camarões. Em Londres, a grande ameaça africana atende pelo nome de Senegal.

Representada por um número recorde de quatro seleções, a África não tem muito o que comemorar no torneio. Passadas duas rodadas, Marrocos, Gabão e Egito já estão virtualmente eliminados em suas chaves. Curiosamente, cabe a uma seleção estreante, mal no Pré-Olímpico, desfalcada de suas duas principais estrelas (Papiss Cissé e Demba Ba) e que divide um grupo com a anfitriã Grã-Betanha e o poderoso Uruguai, a missão de manter a tradição africana nos Jogos.

Em um torneio predominantemente sub-23, o vigor físico e a resistência dos senegaleses certamente fazem a diferença mesmo contra adversários com mais qualidade técnica. Mas esta não é a única explicação para o sucesso. A sintonia entre Karim Séga Diouf (treinador) e Aliou Cissé (assistente) no comando é uma das razões para que a equipe seja tão aplicada taticamente. As vitórias sobre a Suíça e principalmente sobre a Espanha nos amistosos preparatórios já haviam evidenciado essa característica, mas a consolidação só veio a partir da ótima exibição contra a Grã-Betanha (empate em 1 a 1) e da vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai, que nunca havia perdido nenhum duelo em Jogos Olímpicos.

Diante dos anfitriões, Senegal apresentou um volume de jogo assustador do início ao fim do jogo, finalizando 18 vezes a gol contra apenas cinco dos britânicos. Contra o Uruguai de Luis Suárez e Cavani, a equipe atuou simplesmente 60 minutos com um jogador a menos (o zagueiro Abdoulaye Ba havia sido expulso no primeiro tempo), mas ainda assim, já vencendo por 1 a 0, ampliaram o marcador e mantiveram sua meta intacta.

Os “Leões da Teranga” superam quaisquer expectativas. Classificado para os Jogos na bacia das almas, com uma vitória na repescagem sobre Omã após um modesto 4º lugar no Pré-Olímpico Africano, o time ainda sofreu duas baixas importantes na convocação final: Papiss Cissé e Demba Ba, cotados para formar um poderosíssimo ataque em Londres. No entanto, ambos foram vetados pelo Newcastle. Como se não bastasse, outro atacante da seleção principal, Dame N’Doye, chegou a ser chamado para as Olimpíadas, mas este também não foi liberado pelo seu clube, o Kobenhavn.

O contra-ataque letal e a força física (praticamente todos os jogadores possuem mais de 1,80 m) são as principais particularidades da equipe. A defesa, tida como “desleal” pelos britânicos (cometeu 37 faltas em duas partidas), é bastante coesa e se recompõe rapidamente. A dupla de zaga, formada pelos “xerifes” Papa Gueye e Abdoulaye Ba, intimida os adversários, bem como os volantes Mohamed Diame e Cheikhou Kouyaté.

Já a qualidade técnica da equipe está representada na figura de dois jogadores: Moussa Konaté e Sadio Mané, duas das principais revelações do torneio até aqui. Konaté, o mais destacado deles, lidera a artilharia da competição com três gols. Jogando como centroavante no 4-2-3-1 de Diouf-Cisse, o jogador do Maccabi Haifa tem mostrado boa movimentação, saindo bastante da área, e um faro de gol apuradíssimo. E o mais impressionante: tem idade para disputar as Olimpíadas de 2016.

Mané, o camisa 10 do time, não fica pra menos. Organiza todas as jogadas de ataque e possui um bom controle de bola. Dificilmente seguirá no Metz para jogar a terceira divisão francesa. Tendo em vista um duelo contra a seleção mais frágil do grupo (Emirados Árabes) na última rodada da fase de grupos, Senegal dificilmente não avançará de fase. E o principal: contra seleções candidatas ao ouro, já mostrou “pedigree” de um time campeão. A tradição da África em Jogos Olímpicos, a princípio, segue viva.

Curtas

 

– A Corte Arbitral do Esporte (CAS) modificou as punições impostas pela Federação Egípcia de Futebol (EFA) ao Al Masry, por conta do massacre em Port Said. Inicialmente, o clube estaria fora da próxima edição do Campeonato Egípcio e retornaria em 2013-14 na segunda divisão, mas a suspensão foi derrubada. Com isso, a equipe segue firme e forte na elite local.

– A decisão da EFA em punir o Masry com quatro temporadas sem mandar partidas no seu estádio segue mantida. No entanto, a proibição de a torcida ir a jogos fora de casa também foi derrubada. Os quatro próximos jogos da equipe contra o Al Ahly serão disputados com portões fechados e em estádio neutro, a pelo menos 200 quilômetros longe de Cairo ou Port Said.

– O Al Ahly, como não poderia deixar de ser, lamentou a revogação da pena. Sem dúvida, um duro golpe para os que lutam pelos direitos daqueles que perderam suas vidas em Port Said. Os responsáveis seguem sem ser identificados e, como bem disse um conselheiro do Ahly, Khaled Mortagey, a situação “voltou à estaca zero”. Enquanto os Ultras tomam as ruas clamando justiça, o clube não está em condições de boicotar a liga local, pois a inatividade tem acarretado em crise financeira.

– Hassan Shehata não é mais técnico do Zamalek. Sem repetir o sucesso que fez na seleção egípcia, sendo tricampeão continental consecutivo, o treinador passou 11 meses no cargo e nunca encontrou estabilidade. “Há várias coisas inaceitáveis acontecendo no clube e sofri muito”, declarou. O assistente técnico, Ismail Youssef, comanda o time interinamente na Liga dos Campeões Africana.

– Voltando de contusão, Rivaldo só não fez chover no Girabola. O veterano de 40 anos anotou três gols na goleada do Kabuscorp sobre o Bravo de Maquis por 4 a 1 e ajudou seu time a alcançar o 4º lugar na tabela. O brasileiro saiu de campo aos 25 do segundo tempo, pois voltou a sentir a panturrilha. O líder, Recreativo do Libolo, bateu o Interclube por 1 a 0 e abriu 11 pontos de vantagem na ponta, rumo ao bicampeonato consecutivo.

– Diante de quase 93 mil pessoas no Soccer City, o Orlando Pirates venceu o Kaizer Chiefs nos pênaltis e faturou a Carling Black Label Cup. O torneio amistoso entre os rivais de Soweto é organizado pela marca de cerveja Carling Black Label e tem como particularidade o fato dos torcedores escolherem as escalações das equipes para o jogo.

– Abia Nale colocou o Chiefs na frente, porém no finalzinho, o veterano Benni McCarthy deixou tudo igual. Nos pênaltis, os Buccaneers venceram por 5 a 4. E falando em Pirates, o clube anunciou a contratação do atacante Takesure Chinyama, do Power Dynamos e da seleção de Zimbábue.

– No Marrocos, o mercado também foi agitado. O Raja Casablanca, que foi derrotado por 8 a 0 pelo Barcelona em amistoso no último sábado (Messi marcou três), contratou o ótimo tunisiano Adel Chedli. O rival, Wydad Casablanca, anunciou o atacante Fabrice Ondama N’Guessi, congolês do Al-Ittihad.

– A Associação Ganesa de Futebol anunciou que o país passará a adotar o Sistema de Licenciamento de Clubes, sendo assim a primeira nação na África a instituir o modelo. Ele consiste no cumprimento de alguns requisitos que beneficiarão os clubes nos setores administrativo, jurídico, financeiro, pessoal e de infraestrutura.

– A expectativa é que os clubes locais melhorem seus modelos de gestão. Alguns critérios de segurança nos estádios também serão instituídos, e a política de formação de jogadores ganhará atenção especial. O sistema de licenciamento de clubes foi aprovado em um Congresso da Fifa em Munique, em 2006.

– O bom desempenho da República Democrática do Congo nas eliminatórias para a CAN 2013 e para a Copa de 2014 impulsionou o retorno de outro jogador ausente da seleção nacional durante um bom tempo. Seguindo o exemplo de Mbokani, o volante Youssouf Mulumbu voltará a defender a equipe comandada por Claude Le Roy.

– Parabens ao Djoliba, que pela 22ª vez na história, sagrou-se campeão malinês. Com três rodadas de antecedência, a equipe bateu o Centre Salif Keita por 1 a 0, com um gol de Alou Bagayoko no finalzinho do jogo.

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Equipe Trivela

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