África

“Ele fica fora enquanto jogamos no inferno e quer voltar à Copa como uma princesa?”: Delort pediu ‘pausa na seleção’ e causou a fúria do técnico da Argélia

Delort pediu uma pausa de um ano nas convocações, para se dedicar ao Nice, e causou a fúria de Djamel Belmadi, treinador da Argélia

Andy Delort é um dos melhores jogadores argelinos em atividade no futebol europeu. O atacante de 30 anos arrebentou na última temporada com o Montpellier e, por isso mesmo, arranjou um contrato com o Nice. A mudança para a Riviera Francesa, porém, dependeu de um trato com o técnico Christophe Galtier: Delort aceitou abrir mão da seleção durante os próximos meses, para não desfalcar os rubro-negros durante a Copa Africana de Nações, marcada para o início de 2022. O pedido do camisa 7 para pausar suas convocações durante um ano, em contrapartida, causou a fúria de Djamel Belmadi. O comandante da Argélia não poupou críticas ao atleta durante a Data Fifa.

Delort pensou que não teria problemas em interromper sua passagem pela seleção durante um ano. O atacante perderá a chance de buscar o segundo título consecutivo na Copa Africana de Nações com a Argélia, mas imaginou que poderia ter chances de participar da Copa do Mundo de 2022 – caso as Raposas do Deserto se classifiquem. Belmadi afasta o retorno do camisa 7, todavia. Expressou como Delort se colocou em uma posição de privilégio e deixará os argelinos na mão nos momentos decisivos das Eliminatórias.

Nesta quinta, Belmadi deu uma entrevista à imprensa francesa aumentando o tom das críticas, feitas desde o início da Data Fifa. “É a maior piada do ano! Ou é uma grande estupidez ou o atrevimento não tem limites. É uma decisão repleta de significado. Ele deveria ter falado primeiro com a imprensa e depois com os torcedores argelinos. Dizer que dará um tempo na seleção e privilegiará o clube, porque há competição interna pela titularidade… Ele fala da concorrência no Nice, mas não aceita a da seleção!”, afirmou Belmadi, em referência às reclamações do jogador por não ser titular da equipe nacional

“Vamos jogar sob 40 graus em Níger, com condições terríveis. Vamos nos estapear durante as Eliminatórias Africanas, que são um pedaço do inferno. E, quando tudo estiver feito, quando tudo estiver resolvido rumo ao Mundial, o cavalheiro voltará como uma princesa e dirá: ‘Tudo bem, estou disponível agora’? É duplamente um desrespeito a nós”, complementou o treinador.

Com uma carreira bastante rodada, especialmente por clubes da segundona francesa, Delort estourou mesmo nas últimas três temporadas com o Montpellier. O atacante contribuiu com 15 gols e 10 assistências na última Ligue 1, entre os melhores de sua posição no torneio. Foi o que levou o Nice a investir €10 milhões em sua compra. E o início com os rubro-negros também é positivo: o camisa 7 anotou dois gols e deu uma assistência em suas cinco primeiras aparições pelo Francesão 2021/22.

Já pela seleção da Argélia, Delort possui um histórico mais recente. O atacante defendeu as seleções de base da França e também a seleção de futebol de areia. A mudança para a equipe principal argelina aconteceu em 2019 e, mesmo sem ter estreado, o atacante ganhou um voto de confiança de Belmadi para compor o elenco na Copa Africana de Nações de 2019. Reserva, Delort somou cinco aparições na campanha do título. O atacante também esteve presente na Data Fifa de setembro, mas a convocação tinha acontecido antes do trato com Christophe Galtier. Pelo andar da carruagem, o camisa 7 não volta à seleção enquanto Belmadi estiver no comando.

A Argélia ainda não está garantida na fase final das Eliminatórias Africanas. As Raposas do Deserto somam dez pontos, igualadas com Burkina Faso, e devem decidir a vaga no confronto direto de novembro. Já na Copa Africana de 2022, a Argélia começa a defender seu título num grupo ao lado de Serra Leoa, Guiné Equatorial e Costa do Marfim. Apesar da fase recente, Delort costumava ser usado no segundo tempo dos jogos dos argelinos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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