África

Egito empolga na estréia

Grande destaque da primeira rodada da CAN, Zidan foi o principal responsável pela goleada de 4×2 do Egito sobre Camarões. Atuando mais recuado, atrás da dupla de ataque Moteab e Zaki, o atacante do Hamburg conseguiu fazer, com competência, a função de Mohamed Aboutrika, que voltava de contusão e, por isso, ficou entre os reservas. Com o meia do Al Ahly praticamente recuperado, é pouco provável, porém, que o treinador Hassan Shehata faça alguma mudança significativa na escalação depois de uma estréia tão avassaladora.

Ora mais recuado, compondo o meio-de-campo, ao lado de Shawky e Hosni, ora mais à frente, se aproximando dos dois atacantes do Egito, Zidan tinha a seu dispor o espaço que precisava para flutuar entre os defensores camaroneses. Nem mesmo o fato de ter que atuar numa faixa em que não está habituado o privou de organizar, com destreza, os avanços egípcios sobre a frágil retaguarda dos Leões Indomáveis, que, como era de se esperar, demoraram a se encontrar em campo.

A forma com que Camarões se apresentou nada mais é do que o resultado de uma escolha tardia, por parte de sua federação, do treinador e de uma preparação para o torneio que, podemos dizer, foi realizada de modo inapropriado, sem qualquer amistoso decente para que Otto Pfister, agora à frente da equipe, conhecesse suas opções de trabalho. Por isso, não surpreende Eto'o ter sido tão pouco acionado no primeiro tempo da partida. A falta de criatividade de um meio-de-campo composto por peças que não prezam pela qualidade no passe era patente.

Quando conseguiam chegar até a defesa dos Faraós, os camaroneses esbarravam na força de nomes como Gomaa e do excelente zagueiro Hani Said. Ainda assim, marcaram duas vezes com Eto'o, o que não se mostrou suficiente para ganhar partida, nem mesmo convencer seus torcedores. Mais frágeis, Zâmbia e Sudão devem se apresentar como adversários mais acessíveis para que Camarões garanta a sua classificação.

Favoritas, Gana e Costa do Marfim conquistaram vitórias em sua estréia. Contra Guiné, as Estrelas Negras sentiram, claramente, a falta de Appiah e precisaram esperar, até o último minuto, para assegurar os 3 pontos com Muntari. Os marfinenses, por sua vez, ganharam da Nigéria graças à grande atuação de Salomon Kalou, que, mais recuado do que de costume, atuando pela esquerda do meio-de-campo dos Elefantes, armou e finalizou a todo o momento.

Apresentação da CAN – Parte II

Abaixo, a Trivela apresenta os grupos C e D da Copa Africana de Nações.

Grupo C

Egito

Treinador: Hassan Shehata
Destaques: Al-Hadari, Hani Said, Ahmed Hassan e Mohamed Zidan,
Promessas: Ahmed Al-Mohamadi
Como se classificou: 1º lugar no grupo B das Eliminatórias
Participações na CAN: 21 (1957, 1959, 1962, 1963, 1970, 1974, 1976, 1980, 1984, 1986, 1988, 1990, 1992, 1994, 1996, 1998, 2000, 2002, 2004, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Campeão em 1957, 1959, 1986, 1998 e 2006

Detentor do recorde de títulos e atual campeão, o Egito não chega para a CAN como um dos favoritos. Sem peças importantes como Ghaly, Barakat e Mido, o treinador Hassan Shehata realizou a preparação para o torneio em Portugal e disputou, ainda, amistosos contra Namíbia, Mali e Angola. Os resultados, apesar do desempenho de sua defesa contra os Palancas Negras, foram satisfatórios, o que, porém, não deixa os torcedores dos Faraós confiantes. Conhecidos por seu cepticismo quando o assunto é seleção, eles custam a acreditar que a equipe conseguirá repetir a campanha de dois anos atrás, depois de ter a classificação para Gana dificultada por alguns nos tropeços frente a adversários frágeis durante as Eliminatórias. Sob o olhar de sua descrente torcida, o Egito segue, na CAN, com a renovação de seu plantel, tendo em vista a Copa do Mundo de 2010.

Camarões

Treinador: Otto Pfister
Destaques: Rigobert Song, Geremi, Jean Makoun e Samuel Eto'o
Promessas: Alexandre Song e Landry N'Guémo
Como se classificou: 1º lugar no grupo E das Eliminatórias
Participações na CAN: 15 (1970, 1972, 1982, 1984, 1986, 1988, 1990, 1992, 1996, 1998, 2000, 2002, 2004, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Campeão em 1984, 1988, 2000 e 2002

Com uma geração que está longe de agradar os torcedores, Camarões parte para a CAN confiando nos gols de Samuel Eto'o. Só a força do atacante do Barcelona, porém, não deverá se provar suficiente para que, com o retorno da competição à parte subsaariana do continente, os Leões Indomáveis conquistem o título, como em 2000 e 2002. Sem Webo, contundido, Eto'o terá como companheiro de ataque o mediano Idrissou. Mais atrás, os camaroneses enfrentarão dificuldades na armação, com um meio-de-campo que, geralmente, adota uma postura mais defensiva. O treinador Otto Pfister, que assumiu o time em outubro e sob circunstâncias nada confortáveis, não pôde realizar nenhum amistoso preparatório, o que torna as chances de sucesso de Camarões ainda menores.

Sudão

Treinador: Mohamed Abdallah
Destaques: Richard Lado, Haitham Mustafa e Faisal Agab
Promessas: Akram Salim e Hassan Korongo
Como se classificou: 1º lugar no grupo D das Eliminatórias
Participações na CAN: 7 (1957, 1959, 1963, 1970, 1972, 1976 e 2008)
Melhor resultado: Campeão em 1970

Em sua volta à CAN, depois de 32 anos de ausência, o Sudão quer surpreender seus adversários e garantir a classificação para as quartas-de-final. Para isso, se aproveitou do sucesso de seus clubes, Al Hilal e Al-Merreikh, nas competições africanas do ano passado, e convocou apenas atletas dos dois times. Os Crocodilos do Nilo tentarão provar que é possível, sim, fazer frente aos grandes do continente sem contar com nenhum “europeu” em seu plantel. Durante as Eliminatórias, eles conseguiram encerrar à frente da Tunísia na classificação, assegurando o primeiro lugar do grupo e agravando ainda mais a situação do treinador dos campeões de 2004, Roger Lemerre.

Zâmbia

Treinador: Patrick Phiri
Destaques: Jacob Mulenga e Chris Katongo
Promessas: Kennedy Mweene, Isaac Chansa e Feliz Sunzu
Como se classificou: 1º lugar no grupo K das Eliminatórias
Participações na CAN: 13 (1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1992, 1994, 1996, 1998, 2000, 2002, 2006 e 2008)
Melhor resultado: 2º lugar em 1974 e 1994

Desde a conquista do terceiro lugar em 1996, a Zâmbia não consegue realizar uma boa campanha na CAN. A expectativa, para esse ano, porém, é diferente. Depois da surpreendente vitória contra a África do Sul, em Joanesburgo, pelas Eliminatórias, os Chipolopolos ganharam confiança e pretendem repetir os feitos da década passada, quando, como agora, em meio à tragédias, alcançaram os três primeiros lugares na competição por três vezes. A esperança da equipe está nos gols do atacante Chris Katongo, um dos principais responsáveis pela derrota imposta aos arqui-rivais sul-africanos que garantiram a liderança do grupo para a seleção. Com o desfalque de Collins Mbesuma, contundido, as atenções estarão ainda mais voltadas para o desempenho de Katongo.

Grupo D

Tunísia

Treinador: Roger Lemerre
Destaques: Karim Haggui, Radhi Jaidi, Jawhar Mnari e Francileudo dos Santos
Promessas: Yassine Chickhaoui e Amine Chermiti
Como se classificou: 2º lugar no grupo D das Eliminatórias
Participações na CAN: 13 (1962, 1963, 1965, 1978, 1982, 1994, 1996, 1998, 2000, 2002, 2004, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Campeão em 2004

Essa deve ser a última competição de Roger Lemerre à frente da Tunísia. Desgastado tanto com a torcida como com a imprensa devido à suas constantes mudanças na equipe, ele teve sua situação agravada com a derrota para o Sudão nas Eliminatórias. Renovando, gradativamente, a seleção, o treinador francês dificilmente galgará algum destaque, com as Águias de Cartago, em Gana. Situados num grupo equilibrado, é possível que, ainda assim, os tunisianos, que possuem, em seu plantel, diversos nomes que conquistaram a LC africana pelo Étoile du Sahel, avancem para a fase mata-mata. Mais do que, porém, é improvável.

Senegal

Treinador: Henryk Kasperczak
Destaques: Souleymane Diawara, Papa Boupa Diop, El Hadji Diouf e Mamadou Niang
Promessas: Bayal Sall e Babacar Gueye
Como se classificou: 1º lugar no grupo G das Eliminatórias
Participações na CAN: 11 (1965, 1968, 1986, 1990, 1992, 1994, 2000, 2002, 2004, 2006 e 2008)
Melhor resultado: 2º lugar em 2002

Senegal realizou, nas últimas edições da CAN, excelentes campanhas, mas ainda não conseguiu conquistar o torneio, a despeito de sua força. Essa será, talvez, a derradeira oportunidade para que a geração talentosa que brilhou na Copa de Mundo de 2002 alcance esse feito. Guiados pelo habilidoso Diouf, os Leões de Teranga possuem boas opções para o ataque, contrastando, porém, com a fragilidade dos demais setores da equipe, que estão longe de transmitir confiança. Ainda assim, o treinador polonês Henryk Kasperczak pode, em que pese suas criticadas opções à frente do time, chegar, sem grande destaque, às fases mais avançadas com os senegaleses.

África do Sul

Treinador: Carlos Alberto Parreira
Destaques: Aaron Mokoena, Steven Pienaar, Teko Modise e Sibusiso Zuma
Promessas: Bryce Moon, Thembinkosi Fanteni e Excellent Walaza
Como se classificou: 2º lugar no grupo K das Eliminatórias
Participações na CAN: 7 (1996, 1998, 2000, 2002, 2004, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Campeão em 1996

Com os pés em Gana, mas pensando, desde já, na Copa do Mundo que organizará em 2010, a África do Sul chega para a disputa da CAN. Por mais que digam que o importante é que as promessas que foram convocadas para o torneio amadureçam com essa experiência, é claro que os Bafana Bafana estão cientes de que um bom desempenho dará maior tranquilidade para a prosseguimento do trabalho de Parreira. Com as surpreendentes ausências, por opção do próprio treinador, dos veteranos Carnell, Buckley e McCarthy, a pressão sobre ele cresce ainda mais. Os resultados dos amistosos recentes e a coragem que teve ao tomar essa decisão, porém, pesaram a seu favor dentro da exigente imprensa do país. As esperanças, em campo, estarão centradas em Pienaar e Modise.

Angola

Treinador: Luís Oliveira Gonçalves
Destaques: Kali, Gilberto, Zé Kalanga, Manucho Gonçalves e Flávio
Promessas: Mário e Marcos Airosa
Como se classificou: 1º lugar no grupo F das Eliminatórias
Participações na CAN: 4 (1996, 1998, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Primeira fase em 1996, 1998 e 2006

Depois de conquistar sua primeira vitória na CAN em 2006, e, ainda, realizar uma campanha digna na Copa do Mundo, Angola quer mais. A meta, agora, é passar de fase para tentar, quem sabe, incomodar as grandes seleções do continente. Não falta qualidade ao elenco angolano para isso, pois, em todos os setores, há pelo menos um destaque. Com uma média de idade que não é das mais avançadas, os Palancas Negras, a exemplo de outras equipes, também já pensam no futuro, mais precisamente em 2010, quando receberão a Copa Africana.

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Equipe Trivela

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