África

E nada mudou

A desclassificação nas eliminatórias para a CAN 2012 foi difícil de ser digerida, mas a Nigéria precisava dar início a um novo ciclo. O técnico Stephen Keshi, que fazia seu primeiro jogo oficial à frente das Super Águias, prometeu uma reformulação para colocar a equipe nos eixos. O adversário, Ruanda, parecia oferecer uma possibilidade um pouco mais tranquila de desenvolver esse trabalho com um resultado convincente. Não foi o que aconteceu. Sob pressão e completamente desentrosada, a seleção nigeriana não passou de um empate sem gols. Nada que pareça ameaçar a classificação da equipe no jogo de volta, o que não impediu de reacender as críticas dos torcedores e da imprensa local.

O tempo de preparação foi curto (apenas dois treinamentos), mas fora os jogadores que atuam no futebol local – e com os quais o novo comandante trabalhou no início do ano -, não havia muitas caras novas na equipe. Assim como em outras oportunidades, impressionou a falta de entusiasmo do time, mesmo se tratando de uma eliminatória. Este é um tema complexo, já que a grande maioria dos africanos que atuam na Europa são acusados de se pouparem durante os jogos de suas seleções.

Um exemplo claro – e recorrente – dessa desconfiança pôde ser constatado na seleção senegalesa. Os Leões da Teranga realizaram um amistoso contra a África do Sul na semana passada, desfalcados do lateral Cheikh M’Bengue e o atacante Papiss Cissé, que pediram dispensa da equipe alegando lesões. “Milagrosamente”, no fim de semana, lá estavam eles, defendendo seus respectivos clubes (Toulouse e Newcastle) sem nenhum impedimento.

Contra Ruanda, a seleção nigeriana teve oito titulares que atuam no futebol europeu. Todavia, fora o goleiro Enyeama, que realizou alguns milagres no fim da partida, o capitão Yobo, o jovem Ahmed Musa e Yakubu, que recentemente retornou à seleção pela boa forma apresentada no Blackburn, os outros jogadores foram indiretamente acusados de não se esforçarem ao máximo. Pra variar, Odemwingie foi o principal alvo. Eleito jogador do mês na Premier League, o polêmico Osaze pouco rendeu e foi substituído na etapa final. Na saída do gramado, visivelmente irritado, recusou-se a cumprimentar Keshi, deixando o treinador no vácuo.

Taiwo, Etuhu e Joel Obi seriam os outros na lista negra do treinador e do presidente da Federação Nigeriana, Chris Green. Aliás, Green não fez questão de disfarçar sua insatisfação, inclusive levantando a possibilidade de diminuir a quantidade de “estrangeiros” nas próximas convocatórias. Aliás, se houve algum ponto positivo neste amistoso foi o desempenho dos jogadores que atuam no próprio país. O meia Ejike Uzoenyi, do Enugu Rangers (curiosidade: uma das duas equipes nigerianas que nunca caíram para a segunda divisão nacional), foi o mais destacado deles.

Outros, como os defensores Azubike Egwuwekwe (Warri Wolves) e Godfrey Oboabona (Sunshine Stars), também deixaram boa impressão. O estreante Victor Moses, do Wigan, foi outro a escapar da revolta. O atacante recentemente abandonou o sonho de defender a seleção inglesa para representar as Super Águias, e não parece arrependido pela escolha. Mas para voltar aos tempos de glória, a Nigéria precisa de muito mais. Combater a indisciplina e recuperar o orgulho dos jogadores em vestirem a camisa da seleção é o primeiro passo para que Keshi se firme no comando do time. Apesar do resultado medíocre, o treinador apresentou uma filosofia interessante. Resta saber até onde vai a sua autonomia para montar uma equipe competitiva.

Curtas

– Outros resultados das eliminatórias para a CAN 2013: Etiópia 0x0 Benin, Congo 3×1 Uganda, Burundi 2×1 Zimbábue, Gâmbia 1×2 Argélia, Quênia 2×1 Togo, São Tomé e Príncipe 2×1 Serra Leoa, Guiné-Bissau 0x1 Camarões, Chade 3×2 Malauí, Seychelles 0x4 RD Congo, Tanzânia 1×1 Moçambique, Madagascar 0x4 Cabo Verde e Libéria 1×0 Namíbia. Os jogos de volta serão no dia 15 de junho.

– O Egito, que teve seu duelo contra a República Centro-Africana pelas eliminatórias adiado por conta da tragédia em Port Said, realizou dois amistosos na última semana. O primeiro adversário foi Níger, e Hosny, cobrando pênalti, garantiu uma boa vitória por 1 a 0. Já contra a RD Congo, Bob Bradley utilizou uma equipe B e seus comandados empataram sem gols.

– Curiosidade: após o duelo contra Níger, Ahmed Hassan completou 180 jogos pela seleção egípcia e se isolou como o jogador com mais internacionalizações na história do futebol (Mohamed Al Deayea, da Arábia Saudita, detinha o recorde com 178). O meia estreou pelos faraós em dezembro de 1995, contra Gana, e ganhou quatro de oito Copas Africanas disputadas.

– O jovem atacante Mohamed Salah, tido como uma das grandes revelações do futebol egípcio e que recentemente estreou pela seleção principal com gol, fará exames médicos no Basel nos próximos dias. O clube suíço enviou uma proposta oficial ao Arab Contractors, que pede 3 milhões de euros pela aquisição do jovem. O acordo deve ser selado na próxima semana. Tendo em vista a saída de Shaqiri, não há dúvidas de que se trata de uma ótima reposição.

– Nos jogos de volta da primeira fase qualificatória para a Liga dos Campeões Africana, o Zamalek bateu o Young Africans (Tanzânia) por 1 a 0, gol de Mido, e garantiu classificação. A surpresa ficou por conta da eliminação do Orlando Pirates, que empatou fora de casa com o Recreativo do Libolo, atual campeão angolano, em 1 a 1. Como haviam perdido por 3 a 1 em casa, os sul-africanos ficaram fora da briga.

– O Berekum Chelsea, atual campeão ganês, venceu o Liscr, da Libéria, por 3 a 0, e passou de fase. Outro que não teve dificuldades para avançar foi o campeão nigeriano Dolphins, que também fez 3 a 0, mas sobre os guineenses do CD Ela Nguema. O ASO Chlef, da Argélia, fez 4 a 1 no ASFA Yennenga e também passou, bem como os compatriotas do JSM Bejaia, que ganharam por 3 a 1 do Foullah Edifice, do Chade.

– Em seu primeiro compromisso após o massacre em Port Said, o Al Ahly foi derrotado pelo Shabab, do Kuwait, por 3 a 2. O jogo foi disputado nos Emirados Árabes, e Aboutrika, que recentemente voltou atrás em sua decisão de se aposentar, marcou os dois gols dos egípcios, ambos cobrando pênalti.

– Outros amistosos internacionais: Chile 1×1 Gana, Marrocos 2×0 Burkina Faso, Tunísia 1×1 Peru, Costa do Marfim 0x0 Guiné, África do Sul 0x0 Senegal.

– O afastamento de Asamoah Gyan da seleção ganesa ainda rende muita polêmica. Até o presidente da Confederação Africana de Futebol, Issa Hayatou, se manifestou sobre o assunto: “Peço para a Federação Ganesa e para toda a nação que garanta o retorno de Gyan à seleção. Ele é um grande jogador e sua performance elevou o nível do futebol africano.”

– Após boicotar o jogo de Quênia pelas eliminatórias por não receber uma quantia de 20 mil dólares devido a despesas de viagem, o volante McDonald Mariga não será punido pela Federação local. As autoridades se mostraram decepcionadas e disseram que o assunto estava sendo tratado internamente, mas disseram que o jogador “está livre para jogar…se o treinador precisar de seus serviços”.

– Pela Ligue 1 tunisiana, o Espérance bateu o Hammam-Sousse por 2 a 0, gols de Traoui e Msakni, e pulou para o 4º lugar, com 16 pontos. O líder Bizertin empatou com o Stade Tunisien em 1 a 1 e ficou com 23 pontos, um a mais que o Marsa, que ficou no 2 a 2 com o CS Sfaxien.

– No Campeonato Marroquino, o Raja Casablanca bateu o Hassania Agadir por 2 a 0 e se mantém na cola dos líderes, pulando para 35 pontos e sustentando o 3º lugar. Já o maior rival, Wydad Casablanca, perdeu do vice-líder Moghreb Tétouan, que soma 37. O FUS Rabat derrotou o KAC Kenitra por 2 a 1 e segue na ponta, com 41 pontos.

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