Africa

Dupla do barulho

Ah, a saudade do feijão! Janela de transferências aberta, um aperto no estômago e os jogadores decidem largar o frio europeu para voltar para casa. Costuma ser assim no Brasil nessa época do ano. Mas não só no aqui. No Egito, também funciona da mesma forma. Lá, por outro lado, quando querem justificar o retorno ao país, os atletas alegam sentirem falta do fuul, o feijão deles. Nunca provei, portanto, não posso dizer se é bom. Porém, nesse meio de ano, o prato tem estado em alta nas coletivas por aquelas bandas.

Embora a Liga egípcia esteja longe de possuir uma reputação que me permita chamá-la de Liga das estrelas, é possível afirmar que essa temporada será bastante movimentada. Bons nomes de volta, Al Ahly passando por um momento de renovação (agora, sim!) e os rivais contratando bem. Nos hexacampeões africanos, a maior novidade é a volta de Emad Motaeb de seu empréstimo. Já no vice-campeão nacional Ismaili, o principal reforço é o ex-goleiro do Ahly e titular da seleção, Al-Hadari. O Zamalek não deixou por menos e montou uma verdadeira constelação.

No campeonato que começa nesse fim de semana, os holofotes estarão todos voltados para o lado mais conturbado do Cairo nos últimos anos. Não por acaso. Sabe o ataque do Wigan na última Premier League? Ele formará agora a linha de frente do Zamalek. Mido e Amr Zaki. Justamente os dois jogadores que, meses atrás, em amistoso do Egito, tiveram uma discussão feia em campo. E como os Cavaleiros Brancos já estão acostumados a terem problemas ao seu redor, o que seria mais um? Os jogadores, no entanto, afirmam que já resolveram suas diferenças. A conferir.

Mido e Zaki, na verdade, devem ter muito sobre o que conversar. Há tanto em comum entre eles. A forma como regressaram para os braços da torcida do Zamalek, por exemplo. A dupla acabou sendo praticamente chutada de seus clubes na Inglaterra, Middlesbrough e Wigan. Se hoje os jogadores egípcios já não gozam mais de tanto prestígio na Terra da Rainha, isso tem muito a ver com a postura dos dois nos últimos meses. Mas sabe como é, a saudade do fuul faz com que os atletas percam a cabeça. Compreensível, meu caro leitor.

No Zamalek, Mido e Zaki terão a companhia de gente gabaritada. Você pode até não conhecer Shikabala, mas tente imaginar um Rivaldo rebelde. É bem por aí. Junte a eles Junior Agogo e Hassan Mostapha, ex-Al Ahly, e você terá um quinteto que, com um pouco de exagero, é verdade, poderá ser chamado de quinteto mágico. Suficiente para quebrar a hegemonia dos Diabos Vermelhos no país? Mais uma vez, a conferir.

De uma coisa, porém, podemos ter certeza. Ou o Zamalek engrena de uma vez por todas ou vai direto para o fundo do poço. O raciocínio é simples. Praticamente todos esses jogadores já tiveram problemas de disciplina recentes. No clube, eles terão a companhia de jovens que brilharam no fechamento da última temporada. Isto é, atletas sem muita experiência e que, dificilmente, conseguirão suportar a carga de pressão que “escapadas” da velha guarda poderão trazer para os bastidores do time. De qualquer maneira, será interessante ver toda essa turma boa junta. Mais do que uma vaga na Liga dos Campeões, a conquista do título passa a ser a prioridade.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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