África

Por crise no Egito, Aboutrika deixa Al Ahly

Mohamed Aboutrika dedicou sua carreira inteira ao futebol egípcio. O craque dos Faraós no tricampeonato da Copa Africana de Nações iniciou sua trajetória no Tersana e desde 2004 veste a camisa do Al Ahly. Aos 34 anos, enfim, o meia aceitou viver seu primeiro desafio no exterior, assinando empréstimo de seis meses com o Baniyas, dos Emirados Árabes Unidos.

O Campeonato Egípcio tem seu início marcado para este sábado, um dia após o primeiro aniversário massacre de Port Said, no qual morreram 72 torcedores do Al Ahly. Apesar disso, o clube apontou a instabilidade política como motivo para negociar o craque. Na última semana, a justiça egípcia sentenciou à morte 21 pessoas envolvidas com o crime, desencadeando uma nova onde de violência no país, que gerou mais 27 mortes em protestos.

Aboutrika foi um dos jogadores mais envolvidos com a tragédia, vendo um torcedor morrer em seus braços dentro do estádio e anunciando a aposentadoria após o incidente. O meia voltou atrás da decisão e, no segundo semestre, foi suspenso pelo clube por se recusar a entrar em campo pela Supercopa do Egito enquanto não fosse feita justiça pelas vítimas do ataque.

Pelo negócio, o Al Ahly receberá € 440 mil, mesmo valor embolsado por Aboutrika. Além do veterano, o clube se desfez de outros medalhões na atual janela de transferências, como Ahmed Fathy e Gedo, emprestados ao Hull City até o final da temporada. Terceiro colocado no Campeonato Emiratense, o Baniyas também conta com Mohamed Zidan e Christian Wilhelmsson em seu elenco.

Em oito anos no Al Ahly, Aboutrika conquistou quatro Ligas dos Campeões da África e sete Campeonatos Egípcios. Por duas vezes, o meia foi eleito o melhor jogador do continente africano, a última delas em 2012. Além disso, o egípcio é o maior artilheiro da história do Mundial de Clubes, com quatro gols, ao lado de Lionel Messi e de Denílson.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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