África

De Sousse para Cairo

Durante a semana que antecedeu a primeira partida da decisão da Liga dos Campeões, o treinador do Étoile du Sahel, Bertrand Marchand, se mostrou confiante em um resultado positivo em Sousse. O empate em 0x0, porém, o trouxe de volta a sua realidade. A pressão realizada pela torcida estrelista e os cruzamentos de Nafkha e Meriah não foram suficientes para que o ESS superasse o Al Ahly.

Ao contrário de Marchand, que, como nas semifinais contra o Al Hilal, escalou três atacantes – Gilson “Ja” Silva, Muri Ogubiyi e Amine Chermiti -, o experiente Manuel José optou por um esquema mais defensivo. Ele reforçou as alas com as entradas de Islam El Shater e Ahmed El Sayed e o meio-de-campo com a presença de Barakat ao lado de Aboutrika na criação. Flávio, sozinho na frente, atuou como referência nos contra-ataques.

Através de sua experiência, o Ahly ditava o ritmo do jogo, ora trocando passes na faixa central de campo, ora administrando o tempo com seu tarimbado goleiro Al Hadari. A equipe egípcia, porém, não se limitava a cadenciar a partida. Em algumas oportunidades, ela chegou com perigo à meta tunisiana, sendo que, em duas delas, reclamaram pênalti e, em outra, provocaram a expulsão do lateral-esquerdo Meriah.

A expectativa para o confronto decisivo em Cairo é de que os Vermelhos assumam uma postura mais incisiva no ataque. A provável entrada de Moteab na vaga de Barakat, suspenso, certamente contribuirá para isso. O ESS, por sua vez, precisará colocar à prova a excelente fase de sua defesa. Caso não sofra nenhum gol, ela garantirá pelo menos a disputa por pênaltis.

O reforço de alguns milhares de torcedores já está assegurado pelo Ahly, posto que a cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Arábicos no Estádio Internacional do Cairo foi adiada para que o clube pudesse utilizá-lo. Assim, além do maior apoio das arquibancadas, os jogadores atuarão num gramado onde estão acostumados.

Ah, a primeira conquista…

A Copa Cosafa nunca foi e nunca será prioridade para as seleções que a disputam. É claro que participantes como Lesoto e Malawi a tratam com mais seriedade. Ainda assim, pesa contra ela o fato de não possuir o reconhecimento da FIFA. O esvaziamento que essa condição acarreta contribui, por sua vez, para o desprezo direcionado à competição.

Ante o seu caráter não-oficial, os selecionados são forçados a apostar em elencos compostos por atletas locais. Assim o fez Carlos Alberto Parreira, convocando os principais nomes da Premier League para formar o plantel sul-africano. E Moeneeb Josephs, Teko Modise e companhia foram os responsáveis pela primeira conquista dos Bafana Bafana sob o comando do treinador brasileiro – a Copa Cosafa.

Mesmo sem convencer, a África do Sul superou as fases anteriores, disputadas durante o ano, e se classificou para a final contra a Zâmbia. A revanche da derrota sofrida para os Chipolopolos na rodada decisiva pelas eliminatórias da CAN, porém, não se sucedeu como esperado e o empate em 0x0 se manteve depois dos noventa minutos. Competiu, então, ao arqueiro Josephs, do Bidvest Wits, confirmar o título na disputa de pênaltis.

Ainda que desvalorizada, a campanha na Copa Cosafa revelou alternativas para o futuro – a Copa do Mundo, claro –, como os atacantes Modise e Fanteni. O destaque do Orlando Pirates, inclusive, está cada vez mais cotado para, ao lado de estrelas como Mokoena e McCarthy, se firmar como um dos pilares para 2010. Aos poucos, Parreira está formando uma base interessante.
Habemus técnico (ou não)

Para a surpresa da FECAFOOT, Otto Pfister foi anunciado como novo treinador de Camarões. Sim, essa decisão do ministro dos esportes, Augustin Edzoa, não era conhecida pela federação de futebol camaronesa. O nome de Pfister, na verdade, não fazia parte da relação de cinco candidatos encaminhada por ela a Edzoa.
Jean Thissen, Philippe Troussier, Artur Jorge, Manfred Steves e Horst Köppel.

Essas eram as indicações da FECAFOOT, que, desacreditada, não está disposta a oficializar a contratação do atual técnico do Al Merreikh, do Sudão, no próximo dia 4. Esse é mais um capítulo da disputa entre a federação e o ministro dos esportes pelo controle dos Leões Indomáveis.

A exemplo da Copa do Mundo de 2006, quando comandava Togo, Pfister está no centro de uma discussão que descobre o amadorismo que ainda se sustenta na maioria das seleções africanas. Enquanto aguarda pela decisão desse caso, o treinador alemão se prepara para a primeira final da Copa CAF, contra o CS Sfaxien no fim de semana.

Interclube campeão

Os clubes angolanos não conquistaram nenhum resultado relevante nas competições africanas dessa temporada. A despeito desse desempenho no continente, eles realizaram uma das melhores Girabolas de todos os tempos. A disputa pelo título se estendeu até a rodada final. O Interclube, treinado pelo brasileiro Carlos Mozer, e o Primeiro de Agosto chegaram separados por somente um ponto.

Embora nervosos, os interistas superaram o Santos em seu compromisso decisivo e confirmaram o favoritismo. Os militares, por sua vez, cumpriram sua parte e asseguraram uma vaga na próxima LC.

Apontado como principal responsável pela conquista inédita, Mozer, porém, esteve perto de ser despedido ainda no início do campeonato. As cinco primeiras rodadas não foram nada positivas para o Inter. A demissão do ex-assistente de José Mourinho era dada como certa, mas a diretoria do clube de Luanda optou por confiar em seu trabalho. E não se arrependeu. Desde então, ele não perdeu mais e arrancou em direção ao título da Girabola.

Além de Mozer, figuras como Mingo, meio-campista criativo, e Pedro, referência no ataque, colaboraram para essa campanha. Não obstante, outros nomes se destacaram na competição. O centroavante Manucho Gonçalves, do Petro de Luanda, alcançou a artilharia mais uma vez, enquanto Loco – o mesmo da Copa do Mundo -, Zé Augusto e o zambiano Milanzi foram decisivos para o Primeiro de Agosto.

Apoiado pelo Ministério do Interior, o Interclube ainda não anunciou nenhuma contratação para a próxima temporada, mas a permanência de Mozer está confirmada. Em seu primeiro trabalho como treinador, ele surpreendeu a todos com um esquema com três meio-campistas capazes de defender e atacar com eficiência. Essa eficiência, aliás, estará à prova em 2008, na LC.

Abaixo, os atuais campeões dos outros países:

África do Sul – Premier League 2006/07 – Mamelodi Sundowns
Argélia – Championnat National 2006/07 – ES Sétif
Camarões – Premiére Division 2007 – Cotonsport
Costa do Marfim – Premier Division 2006 – ASEC Mimosas
Egito – Premier League 2006/07 – Al Ahly
Gana – Premier League 2006/07 – Hearts of Oak
Marrocos – GNF 1 2006/07 – Olympique Khouribga
Nigéria – Premier League 2007 – Enyimba
Tunísia – Championnat de Ligue Profesionelle 1 2006/07 – Étoile du Sahel
Senegal – Premier League 2006/07 – AS Douanes
Sudão – Premier League 2006 – Al Hilal

Curtas

– Enquanto a discussão em torno da continuidade ou não da alcunha Bafana Bafana continua repercutindo na imprensa sul-africana, a morte do ex-treinador Jimmy Turner, responsável pela escalação do primeiro atleta negro durante o período do Apartheid, passou praticamente desapercebida.

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Equipe Trivela

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