ÁfricaEliminatórias da Copa

Costa do Marfim precisa ser um time para cumprir expectativas

Os últimos 45 minutos da Costa do Marfim nas Eliminatórias foram completamente díspares do que foi a campanha dos Elefantes na busca por uma vaga na Copa. Se na fase de grupos a equipe passeou e no jogo de ida contra Senegal conquistou uma vitória segura por 3 a 1, o segundo tempo da partida de volta foi de predomínio senegalês, e por pouco os marfinenses não veem a vaga, que parecia completamente segura, escapar-lhes. Graças à grande atuação de Boubacar Barry e ao festival de gols perdidos por Senegal, Yaya Touré e companhia estarão no Brasil no ano que vem. E potencial para fazerem uma boa campanha eles têm, basta saber encaixar bem essas peças.

No grupo C das Eliminatórias Africanas, a Costa do Marfim não foi ameaçada um momento sequer e conseguiu quatro vitórias e dois empates em seis jogos, não encontrando verdadeiros oponentes em Marrocos, Tanzânia e Gâmbia. Embora os adversários enfrentados pelos Elefantes não sejam um bom parâmetro para avaliar a qualidade do time, o talento individual dos jogadores faz com que a expectativa sobre a seleção marfinense seja grande.

Com jogadores atuando nas principais ligas do mundo, a Costa do Marfim tem em seu ataque seus principais nomes, e alguns deles vivem atualmente ótima fase. No Galatasaray, Didier Drogba está cada vez mais adaptado. Embora a equipe não faça um grande Campeonato Turco, o atacante tem bons números individuais (nove gols em 16 jogos na temporada) e não foge do papel de protagonista que tem tanto no time quanto na seleção.

Yaya Touré, por sua vez, vive provavelmente o melhor momento de sua carreira. Aos 30 anos, mantém o alto nível das temporadas passadas e ainda adicionou mais um recurso à sua lista de qualidades, mostrando-se um exímio cobrador de faltas neste início de Premier League pelo City (dos sete gols pelos Citizens na atual campanha, quatro foram de falta). Até mesmo Gervinho, tão contestado em sua passagem pelo Arsenal, encontrou-se com o bom futebol após a transferência para a Roma. Foi muito importante no início arrasador do time da capital na Serie A, em que já soma três gols e três assistências em oito partidas.

Além desses três, há ainda outros que não têm o mesmo protagonismo, mas que têm capacidade para contribuir com o time comandado por Sabri Lamouchi. Wilfried Bony, artilheiro da última Eredivisie, não manteve no Swansea a média de gols que teve no Vitesse, mas seus números são bons: 10 gols em 18 jogos. No Lille, Salomon Kalou não é fantástico, mas não deixa de ser útil, como evidenciou com o gol de empate neste sábado. Já Seydou Doumbia, do CSKA, é um artilheiro-nato, como seus 10 gols em 12 jogos na temporada deixam claro.

Ainda que conte com um elenco tão estrelado, a seleção marfinense precisa colocar em prática o que tem em teoria: um grande time. Na partida de hoje, mesmo com atletas tão bons no setor ofensivo, pouco ameaçou o gol senegalês. Cercados de expectativas, os Elefantes terão mais uma vez a oportunidade de mostrar na principal competição do mundo aquilo de que são capazes. Será que o grupo de grandes talentos individuais virá para o Brasil como uma boa equipe coletiva? O futebol de seleções já provou que essa é a maneira de ir bem em torneios como a Copa do Mundo. Os marfinenses terão pouco mais de seis meses para entender isso e colocar em prática.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).
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