África

Carlos Queiroz deixa a seleção do Egito após a queda para Senegal nas Eliminatórias

Queiroz dirigiu o Egito por 20 partidas e teve suas principais derrotas nos confrontos com Senegal, pela CAN e pelas Eliminatórias

A derrota do Egito para Senegal na fase final das Eliminatórias, que encerrou o sonho dos Faraós em busca da Copa do Mundo, também bota um ponto final na passagem de Carlos Queiroz pelo comando da equipe. O treinador português assumiu o time em 2021 e trabalhou em 20 partidas. Conseguiu levar os egípcios à decisão da Copa Africana de Nações, apesar das críticas sobre seu estilo defensivo. Mas, assim como ocorrera na final continental, os senegaleses se deram melhor nos pênaltis e o técnico encerrou seu trabalho.

“É hora de deixar a liderança do Egito para outra pessoa. Hoje meu sonho era levar o Egito à Copa do Mundo, mas foi Cissé que classificou Senegal. O jogo acabou. Infelizmente não conseguimos chegar ao Mundial. Está tudo acabado e não há muito a dizer. Apenas gostaria de agradecer aos jogadores e parabenizar Senegal. Não devemos nos esquecer que eles representarão a África na Copa do Mundo e desejamos boa sorte”, comentou Queiroz, após a partida.

Sobre o jogo, o português exaltou a maneira como o Egito se recuperou num jogo difícil: “Chegamos aos pênaltis e acho que os torcedores senegaleses sofreram um pouco durante a partida. Começamos o jogo fora de foco, não digo que esse foi o motivo da derrota, mas contribuiu. O Egito agora começará sua preparação para os próximos torneios, assim como para as Eliminatórias da Copa de 2026”.

Além do mais, Queiroz ressaltou o desafio pessoal contra Aliou Cissé, técnico de Senegal, que mais uma vez prevaleceu: “Eu queria me reencontrar com Cissé para derrotá-lo. Mas talvez se eu tivesse trabalhado, como ele, por sete anos na minha seleção, eu teria vencido. A Copa do Mundo é um torneio muito especial. Mais de 200 países competem e apenas os melhores conseguem chegar lá”.

Carlos Queiroz tinha trabalhado nas três últimas Copas do Mundo, ao dirigir Portugal em 2010, antes de fazer um grande projeto com o Irã em 2014 e 2018. No atual ciclo, o lusitano havia passado brevemente pela direção da Colômbia e não emplacou, deixando o cargo no início das Eliminatórias. Apesar das expectativas sobre seu período no Egito, a missão principal não foi cumprida.

Ainda sobre o jogo, vale registrar que a Associação de Futebol do Egito entrou com uma queixa na CAF e na Fifa. Os dirigentes egípcios reclamam dos ataques ao ônibus do time, das garrafas atiradas durante o aquecimento e do uso de laser no rosto de seus jogadores. Além do mais, os Faraós também acusam que houve racismo nas arquibancadas em Dakar, por conta de cartazes ofensivos direcionados a Mohamed Salah.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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