África

CAN está próxima

Em duas partes, a Trivela apresenta, a partir de hoje, os grupos da Copa Africana de Nações, que se inicia no próximo dia 20. Confira, nessa edição, os detalhes dos grupos A e B!

Grupo A

Gana*

Treinador: Claude Le Roy
Destaques: Michael Essien, Stephen Appiah, Sulley Muntari e Asamoah Gyan
Promessas: Daniel Opare, Anthony Annan e Andre “Dede” Ayew
Como se classificou: Não disputou as Eliminatórias
Participações na CAN: 16 (1963, 1965, 1968, 1970, 1978, 1980, 1982, 1984, 1992, 1994, 1996, 1998, 2000, 2002, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Campeão em 1963, 1965, 1978 e 1982

Essa será a terceira vez que a CAN será realizada em Gana. Favorita ao título, a equipe comandada pelo treinador Claude Le Roy tentará o pentacampeonato da competição sem o seu capitão, Stephen Appiah, que, mesmo contundido, deverá fazer parte do plantel a ser convocado para a disputa, em virtude de sua importante liderança – algo, porém, contestado no país. Em meio a essa polêmica, as Estrelas Negras realizaram a sua preparação nos Emirados Árabes Unidos, e participaram, ainda, de um torneio preparatório com os próprios Emirados, além de Togo e Benin. A força do time está no meio-de-campo, que possui opções de qualidade como Essien, Kingston, Muntari e Dramani, enquanto que o ataque segue sem um parceiro confiável para Asamoah Gyan. Matthew Amoah, que esteve na última Copa do Mundo e desapontou, voltou à seleção recentemente.

Guiné

Treinador: Robert Nouzaret
Destaques: Dianbobo Baldé, Pascal Feindouno, Fodé Mansaré e Ismäel Bangoura
Promessas: Mohamed Sacko, Victor Correa e Karamoko Cissé
Como se classificou: 1º lugar no grupo H das Eliminatórias
Participações na CAN: 9 (1970, 1974, 1976, 1980, 1994, 1998, 2004, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Vice-campeão em 1976

Guiné chega com mora alta para essa CAN, depois de eliminar, na fase de grupos, a forte Argélia. Tendo alcançado as quartas-de-final nas duas últimas edições da competição, o país é visto como uma das forças emergentes do continente. Desde o surgimento de Titi Camara, na década de 90, a Sily Nationale vem recuperando seu espaço e se diz pronta para, agora, galgar maior destaque. As principais armas do técnico Robert Nouzaret estão no ataque, com Pascal Feindouno, considerado o melhor atleta de Guiné de todos os tempos, atuando atrás da dupla Fodé Mansaré e Ismäel Bangoura. Surpreenderam as ausências de Ibrahima Yattara e Kaba Diawara na convocação para o torneio. Por outro lado, a equipe contará com um membro da comissão técnica especialmente dedicado a checar se os atletas não fugirão da concentração à noite – o que, acredita-se, aconteceu dois anos atrás.

Namíbia*

Treinador: Arie Schans
Destaques: Collin Benjamin, Michael Pienaar e Quinton Jacobs
Promessas: Letu Shatimuene e Muna Katupose
Como se classificou: 1º lugar no grupo J das Eliminatórias
Participações na CAN: 2 (1998 e 2008)
Melhor resultado: Primeira fase em 1998

Com apenas uma vitória em casa nas Eliminatórias, a Namíbia conseguiu surpreender seleções favoritas como Líbia e RD Congo e conquistou a sua classificação para a CAN. O responsável pelo feito, Ben Bamfuchile, pediu demissão no início de dezembro, alegando falta de apoio por parte da federação local. Posteriormente, ele veio a falecer, dando razão aos que apontavam motivos de saúde como responsáveis por sua decisão. A morte de Bamfuchile servirá de inspiração para os jogadores da seleção, que, agora sob o comando do holandês Arie Shans, tentarão melhorar a campanha de 1998. A equipe realizou a preparação na Alemanha e possui como principal destaque um atleta que atua na Bundesliga, Collin Benjamin, do Hamburgo. Ele será uma das peças-chaves do elenco de Schans, que esteve, pela primeira vez, à frente dos namíbios no dia 5, na derrota para o Egito, e só terá mais um compromisso, contra Senegal, antes da estréia.

Marrocos

Treinador: Henri Michel
Destaques: Abdeslam Ouaddou, Youssouf Hadji, Tarik Sektioui e Marouane Chamackh
Promessas: Mickäel Chrétien
Como se classificou: 1º lugar no grupo L das Eliminatórias
Participações na CAN: 13 (1972, 1976, 1978, 1980, 1986, 1988, 1992, 1998, 2000, 2002, 2004, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Campeão em 1976

Sem o seu grande nome, Mark Boussoufa, contundido, Marrocos parte confiante para mais uma CAN. O elenco experiente, que, em sua maior parte, esteve na final da competição em 2004, tentará superar a primeira fase, como espera seu treinador, o francês Henri Michel. Como impulso nesse sentido, se alinham os resultados dos amistosos contra França e Senegal, um empate em 2×2 e uma vitória em 2×0, respectivamente. Eles alçaram a equipe a uma condição que pode ser fundamental no afronte contra a anfitriã Gana. Antes do ponta-pé inicial, os Leões dos Atlas, que foram os primeiros a garantir vaga no torneio, ainda medirão forças contra Zâmbia e Angola.

Grupo B

Nigéria*

Treinador: Berti Vogts
Destaques: Joseph Yobo, John Obi Mikel, Nwankwo Kanu e Obafemi Martins
Promessas: Apam Onyekachi, Sani Kaita e Rabiu Ibrahim
Como se classificou: 1º lugar no grupo C das Eliminatórias
Participações na CAN: 15 (1963, 1976, 1978, 1980, 1982, 1984, 1988, 1990, 1992, 1994, 2000, 2002, 2004, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Campeão em 1980 e 1994

Nas últimas quatro edições da CAN, a Nigéria terminou entre os primeiros colocados, mas sem alcançar o tão esperado tricampeonato da competição. Em Gana, as Super Águias chegam pressionadas pela federação local a conquistarem o título, pois, segundo ela, toda a infra-estrutura necessária para uma preparação foi provida para a comissão técnica e os atletas. Algumas polêmicas, porém, cercaram esse período. Primeiramente, a escolha de Málaga como local para os treinamentos. A temperatura da cidade espanhola, durante essa época do ano, não seria a ideal. O treinador Berti Vogts, por sua vez, além de ter precisado lidar com os clubes europeus, que permaneceram com atletas como Yobo e Mikel por alguns dias além do prazo previamente determinado para apresentação, ainda teve algumas discussões públicas com a NFA. A começar, pelo atraso nos sálarios e, depois, pela divulgação das premiações em caso de título. Ainda assim, uma seleção que conseguiu se preparar bem, com amistosos precisos, e que conta com nomes como Kanu, Martins, Utaka e Yakubu não pode ser desprezada.

Costa do Marfim

Treinador: Gérard Gili
Destaques: Kolo Touré, Didier Zokora, Yaya Touré e Didier Drogba
Promessas: Constant Djpaka e Gervinho
Como se classificou: 1º lugar no grupo A das Eliminatórias
Participações na CAN: 17 (1965, 1968, 1970, 1974, 1980, 1984, 1986, 1988, 1990, 1992, 1994, 1996, 1998, 2000, 2002, 2006 e 2008)
Melhor resultado: Campeão em 1992

O pedido de afastamento por parte de Ulrich Stielike do cargo de treinador, em virtude do estado de coma em que se encontra seu filho, não deverá trazer grandes conseqüências para a Costa do Marfim. Até porque o excelente trabalho que ele estava fazendo terá continuidade com Gérard Gili, responsável pela classificação dos marfinenses para os seus primeiros Jogos Olímpicos. Existe, ainda, a possibilidade de Stielike retornar durante o torneio. Com ele ou não à frente dos Elefantes na CAN, o time desponta como a principal ameaça ao favoritismo da anfitriã Gana. Didier Drogba, que está retornando de contusão, será um grande reforço para o ataque, que, entre outros, já tinha à disposição Salomon Kalou, Bakary Koné e Aruna Dindane.

Mali

Treinador: Jean-François Jodar
Destaques: Momo Sissoko, Mahamadou Diarra, Seydou Keita, e Frédéric Kanouté
Promessas: Oumar Sissoko e Adama Tamboura
Como se classificou: 1º lugar no grupo I das Eliminatórias
Participações na CAN: 5 (1972, 1994, 2002, 2004 e 2008)
Melhor resultado: 2º lugar em 1972

Caso estivesse em qualquer outro grupo, Mali seria um dos favoritos à classificação, mas como o sorteio não lhe favoreceu ao colocá-lo ao lado de potências como Costa do Marfim e Nigéria, ele terá que correr por fora para garantir uma das vagas. Não se pode desmerecer nem mesmo o azarão Benin, que, durante as Eliminatórias, esteve na mesma chave das Águias, e conquistou dois empates nos encontros entre as equipes. Ante esse panorama, o treinador Jean-François Jodar precisará, mais do que nunca, do talento de nomes consagrados como Diarra e Kanouté para conseguir passar de fase. Atual campeão da Taça Amílcar Cabral com um time B, ele aproveitará alguns dos valores revelados no torneio para fortalecer o elenco, que não terá, entre outros, o lateral-esquerdo Djimi Traoré, do Portsmouth.

Benin*

Treinador: Reinhard Fabish
Destaques: Stéphane Sessegnon, Mouritala Ogunbiyi e Razak Omotoyossi
Promessas: Safradine Traoré e Wisdom Aka
Como se classificou: 2º lugar no grupo I das Eliminatórias
Participações na CAN: 2 (2004 e 2008)
Melhor resultado: Primeira fase em 2004

Benin conseguiu a façanha de, no grupo I das Eliminatórias, deixar Togo, presente na última Copa do Mundo, de fora da CAN. Classificados como um dos três melhores segundos colocados, os Esquilos realizaram a preparação para o torneio no Brasil, com alguns amistosos, como contra o América-RJ, em que terminaram sendo derrotados. A equipe tinha outra partida prevista para o próximo domingo, frente o Flamengo, mas a desmarcou em virtude de seu retorno para o continente africano. Há pouco mais de um mês no comando, Reinhard Fabish, ex-treinador de Zimbábue e Quênia, chegou a convocar para o período de preparação beninense o zagueiro Alain Gaspoz, que, aos 37 anos, havia se aposentado ao fim da última temporada. Como se isso não fosse suficiente, Benin ainda chegou a promover uma seleção de atletas, em condições de atuar pelo país, através da internet.

*A relação dos convocados não foi divulgada até o fechamento dessa edição.

Os ausentes

Enquanto algumas seleções entram na parte final de suas preparações para a CAN, outras aguardam o início da fase de grupos das Eliminatórias para a Copa do Mundo realizando amistosos. Países como Argélia e Togo poderiam, perfeitamente, estar presentes na principal competição do continente, mas, em decorrência dos mais variados motivos, não conseguiram se classificar. Decepcionando, desse modo, os torcedores, que, naquela que tem tudo para ser uma das melhores edições da história do torneio, não poderão acompanhar alguns dos maiores astros africanos.

Dentre eles, está o atacante do Fulham, Hameur Bouazza, que, há cerca de dois meses, marcou um dos gols da vitória da Argérlia sobre Mali por 3×2. Junto a ele, também se destacam Rafik Saifi, Karim Ziani e Nadir Belhadj, que não repetiram, na segunda volta das Eliminatórias para a CAN, o desempenho das partidas ida, perdendo a vaga para Guiné, e resultando na saída do treinador Jean-Michel Cavalli dos campeões de 1990.

Outra seleção que fará falta em Gana é Togo. Os Gaviões se encontravam em boas condições de classificação, mas desperdiçaram, no deprimente confronto contra Mali, a oportunidade de assegurar seu posto. Privando, assim, o vice-artilheiro da Premier league inglesa, Emmanuel Adebayor de atuar no continente no momento em que atravessa a melhor fase de sua carreira. Ele e seu compatriota Moustapha Saliphou, do Aston Villa, são duas das ausências mais sentidas no torneio.

O RD Congo, por sua vez, foi surpreendido pela Namíbia no grupo J das Eliminatórias e, pela primeira vez desde 1990, estará fora da CAN. Por conseqüência, figuras como Lomama Lualua, Shabani Nonda e Tresor Mputu não poderão marcar seus gols nessa edição da competição. Outros como os atacantes Benjani Mwaruwari, do Zimbábue, e Mohamed Kallon, de Serra Leoa, também serão recordados durante os dias de disputa. Nada, porém, que deva ser excessivamente lamentado, pois nomes de igual ou superior qualidade estarão correndo pelos gramados ganenses.

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