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Burkina Faso vence Gana e supera erros de arbitragem

O gramado do Mbombela Stadium, em Nelspruit não colaborou muito para o espetáculo, mas Burkina Faso está na final da Copa Africana de Nações.  Num duelo equilibrado e marcado por erros gritantes de arbitragem, os azarões da noite precisaram passar pelo sofrimento das penalidades para poder enfrentar a Nigéria, no domingo.

Em meio a um campo castigado com grande quantidade de areia, o embate seguiu no zero apenas até os 13 minutos. A coisa mudou de figura num pênalti bem discutível em Atsu. Koulibaly subiu junto com o ganense e apenas encostou as mãos no peito do adversário, que se jogou em seguida. Mal no lance, o árbitro Slim Jedidi assinalou a falta do beque burkinense. Wakaso cobrou no canto direito e venceu Diakité, um a zero.

Dominando a partida sem muitos problemas, Gana teve a posse durante grande parte do primeiro tempo e não sofreu para administrar a vitória parcial. Do meio-campo para frente, tudo fluiu sem maiores dificuldades. Mais disposta a ampliar, a seleção ganesa aparecia no ataque sempre com Gyan e Atsu, com muita velocidade.

Não foram muitas as oportunidades claras de gol, mas o ritmo foi acelerado. Com muita vontade, as duas equipes não aliviaram nas divididas e nas corridas pelos flancos. Depois do intervalo, Burkina Faso mudou o panorama e entrou com outra postura completamente distinta da apresentada nos 45 minutos iniciais. Pitroipa aterrorizou Boye e Vorsah e chegava em boas condições para tentar finalizar. Foi num desses lances fortuitos que Bancé recebeu passe primoroso e cercado por três marcadores bateu forte para empatar.

Mesmo com toda a pressão para conseguir o segundo gol, Gana não conseguiu seu objetivo. Muitos arremates (inclusive um na trave) teimavam em não entrar e o que era consolidação na primeira etapa, virou drama conforme o relógio corria até o apito final.

Os Garanhões perderam uma série de chances claras, em especial com Bancé, que viu seu tento ser impedido por Afful, debaixo das traves. Kabore chegou a fazer festa quando encobriu o arqueiro de Gana e virou o marcador, mas o árbitro enxergou irregularidade na carga do atacante de Burkina Faso e anulou o gol.

Restando cinco minutos para o fim do tempo extra, Pitroipa foi ao chão em dividida com Boye e foi expulso por simulação. Completando uma atuação repreensível, Bancé desperdiçou mais uma bola fácil, mandando por cima da meta de Dauda.

Nas penalidades, vitória de quem lutou mais. Contra uma forte seleção ganense e com três erros graves de arbitragem, Burkina Faso levou a melhor por 4-2. Vorsah, Clottey e Badu desperdiçaram para Gana e Koulibaly perdeu para os Garanhões. Bancé se destacou batendo de cavadinha para garantir a presença de sua nação na partida de domingo diante da Nigéria.

A missão de derrubar mais um gigante do continente africano ficará ainda mais complicada com o desfalque de Pitroipa, expulso injustamente. É a melhor campanha do país em toda a história da competição africana, superando 1998, quando ficaram na quarta colocação.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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