África

Au revoir, Le Guen; Rajevac is in the House

Jogador derruba treinador? Derruba. E escala time também? Escala. Pergunta a Paul Le Guen. Na entrevista coletiva antes do jogo contra a Dinamarca, durante uma resposta, Eto’o bateu nas costas do técnico francês. Maroto esse Samuel. Estava dando um aviso ao comandante. Ele ouviu. Mas não teve jeito. Camarões é a primeira seleção eliminada da Copa.

Esse risco Gana não corre mais. Pelo contrário. Brigará pela vaga até a última rodada. Contra a Alemanha, é verdade, mas seria assim de qualquer forma. Milovan sabia disso. Por isso, poupou alguns titulares contra a Austrália e não lamentou tanto o empate com os cangurus. Sabem como são esses Rajevacs, sempre tão incompreendidos. Coisas do futebol.

Le Guen em mais um dia de Domenech

Quando chegou ao país, em julho de 2009, foram algo como três dias de festa. A euforia era geral. Acreditavam ser Paul Le Guen aquele que viria para salvar Camarões do ostracismo – também conhecido como a perda da vaga na Copa. Bem, ele fez o trabalho que lhe foi proposto. Tirou os Leões Indomáveis de uma situação difícil nas Eliminatórias e garantiu o time na África do Sul.

Natural que o técnico francês passasse a gozar de grande prestígio no país. Teve respaldo para tomar decisões que antes pareciam inimagináveis, como sacar da equipe os veteranos Rigobert Song e Geremi. Tudo em prol da abertura de espaço no grupo para jogadores jovens, muitos dos quais até então não cogitavam de forma concreta fazer carreira com Camarões. Mas Le Guen conseguiu convencê-los.

Parecia mesmo disposto a aposta nessa turma. E foi isso que mostrou na estreia do país no Mundial. Numa decisão que ele mesmo, em entrevista após a partida, admitiria ter sido equivocada, tirou do time o goleiro Kameni e o meia Alexander Song. Não deu certo. Os camaroneses apresentaram um futebol horroroso, sem qualquer entrosamento e que, a bem da verdade, refletia o porquê de a seleção não ter vencido nenhum jogo desde 17 de janeiro, quando bateu Zâmbia, pela Copa Africana de Nações.

O jejum de vitórias persiste. A aventura dos Leões pelos safáris sul-africanos, não. Neste sábado, a equipe voltou a perder e deu adeus às chances de classificação. Em campo, a atitude contra a Dinamarca foi diferente. Mas pode colocar na conta dos atletas, que, nos dias que antecederam o encontro, pressionaram de todas as formas Le Guen. Tamanha foi a mobilização que até Samuel Eto’o e Emana, duas figuras divergentes no vestiário, se uniram para cobrar mudanças do treinador.

Na pauta, a volta da velha guarda e o posicionamento tático do time. Considerando que Eto’o voltou a jogar enfiado no ataque e Geremi, Emana e A. Song retomaram seus lugares, pode-se dizer que as reivindicações dos jogadores foram atendidas. Feito isso, cabia a eles mostrar que aquela era mesma a saída. Não faltaram oportunidades, quase todas elas desperdiçadas e que acabaram custando três precisos pontos. Faz parte. Não era para ser. Camarões chegou à Copa do Mundo com um treinador. Hoje, se pergunta onde ele se encontra. Coisas do futebol.

Rajevac sabe das coisas

O resultado não foi de todo ruim. OK, Gana jogou a maior do jogo com um homem a mais e teve algumas oportunidades para matar a partida – e deveria, diz a sabedoria popular, afinal de contas, tinha vantagem numérica em campo. Dito isso, no entanto, pensem comigo: se as Estrelas Negras ganhassem, iriam para seis pontos, certo? A Austrália estaria praticamente eliminada, confere? Pois, então, qual seria a motivação dos cangurus na última rodada? Nenhuma. Ou seja, Asamoah e seus colegas teriam da mesma forma que brigar por no mínimo um empate contra a Alemanha.

Milovan Rajevac é um treinador inteligente. Sabe das coisas. E tem uma baita motivação para a decisão do grupo: com uma vitória sobre os alemães, poderá eliminar os favoritos e dar a vaga de bandeja para a sua pátria-mãe, a Sérvia, algo que ele já deixou claro, sempre sonhou.

Por essa e por outras, Rajevac, um cara astuto e sempre perspicaz, preferiu não arriscar John Mensah e Vorsah contra a Austrália. Queria guardar todos eles para o jogo contra a Alemanha. Lançou na fogueira – que, vá lá, não tinha muita brasa para queimar ninguém – dois membros da defesa campeã mundial sub-20, Lee Addy e Jonathan Mensah. O primeiro ficou devendo um pouco, enquanto o segundo deu conta do recado.

O mesmo não se pode dizer, no entanto, a respeito de Kwadwo Asamoah. Sou obrigado a pensar que ele está guardando o futebol para 2014. Falta assumir mais o controle no meio-campo. Futebol para isso, não duvidem, ele tem. Prince Tagoe e Kevin-Prince Boateng não têm ajudado muito também. Gana é um time que tem saída apenas pelo lado direito, com o jovem Dedé Ayew, da dinastia Pelé – não o brasileiro, mas o ganense.

No ataque, Asamoah Gyan tem batido bem os pênaltis. E só. Mas pobre do Rajevac. Olha para o banco e tem Amoah – ah, 2006 – e Addiyah, que, confesso, por mais que tenha sido artilheiro entre os juniores, não é lá grande coisa.

É assim, suscitando uma dúvida aqui, outra ali em torno de seu potencial, que Gana vai chegando. Mais uma vez. A Alemanha que se cuide.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo