África

Até quando?

Seis meses após o massacre em Port Said, a violência nos estádios continua sendo uma questão recorrente na África. E o debate não se restringe apenas ao Egito. Não muito longe, na Tunísia (“logo ali”, como diria Fernando Vanucci), cenas de vandalismo correram o mundo neste fim de semana no clássico entre Etoile du Sahel e Espérance, pela Liga dos Campeões Africana. O Espérance vencia por 1 a 0 quando N’Djeng, aos 25 minutos do segundo tempo, ampliou o marcador. Revoltados, os torcedores do Etoile, donos da casa, invadiram o gramado e começaram a lançar material pirotécnico, provocando uma briga generalizada com as forças de segurança que atuavam no Estádio Olímpico de Sousse.

O episódio, infelizmente, não causou nenhuma surpresa. Já existia uma preocupação com a segurança, mas para isso, os dirigentes dos dois clubes limitaram-se a um acordo para que os dois clássicos na fase de grupos fossem disputados com torcida única. Em Radès, uma espécie de “subúrbio” de Túnis, não houve maiores problemas (vitória do Espérance por 1 a 0). Entretanto, no último sábado, a revolta foi incontrolável. Após o primeiro gol, marcado por Aouadhi, o jogo já havia sido paralisado por conta da má conduta dos torcedores locais, que invadiram o gramado e atiraram objetos na direção do banco do Espérance. Foram 12 minutos até que a polícia “restaurasse a ordem”.

Em tese, já que os fãs do Etoile continuavam a lançar fogos de artifício e atirar pedras no gramado. No intervalo, jogadores e comissão técnica do Espérance foram escoltados até o vestiário numa cena assustadora. Mesmo pressionado psicologicamente, o time visitante teve concentração suficiente para achar o caminho do segundo gol, praticamente sentenciando a partida. Os mais de 15 mil torcedores presentes (ou boa parte deles) acusaram o golpe e novamente invadiram o gramado, causando a suspensão da partida.

No total, estima-se que 22 policiais tenham sido feridos e apenas cinco torcedores detidos. A revolta com o episódio foi enorme, inclusive no próprio Etoile du Sahel, onde o presidente do clube, Ridha Charfeddine, afirmou dar “graças a Deus” por estar vivo. O presidente ainda disse que durante a semana existiu uma preocupação muito grande com o fair play, inclusive com o Etoile mobilizando mais de 450 supervisores para contribuir com a segurança do espetáculo.

As consequências não tardaram a surgir. O Ministro da Juventude e dos Esportes, Tarak Dhiab, declarou que os próximos jogos da Ligue 1 tunisiana, faltando seis rodadas para o fim do campeonato, serão disputados com portões fechados. Na próxima temporada, em novembro, a promessa é que seja discutido o retorno dos torcedores aos estádios. O Etoile du Sahel, mal no Campeonato Tunisiano (5º colocado), também vai mal na Liga dos Campeões, onde não deve se classificar para as semifinais. Nenhuma surpresa para quem caminha pra ter seu QUINTO treinador na temporada – Mondher Kebaier será demitido nos próximos dias.

Existe uma suspeita de que os envolvidos no incidente não sejam exatamente torcedores do Etoile, o que mais parece uma tentativa de desviar o foco do que realmente interessa. É hora de os clubes começarem a ser responsabilizados pelos atos de vandalismo em seus estádios, o que parece tão simples, mas na prática, não acontece. Torcida única, como pode ser constatado aqui no Brasil, apenas “empurra com a barriga” o problema da violência nos estádios, deseducando os torcedores. Uma pena de cinco anos de suspensão pode ser aplicada pela CAF ao Etoile, o que não deve acontecer. No entanto, o episódio não pode passar despercebido.

Curtas

– Na Argélia, o Sunshine Stars conquistou uma ótima vitória sobre o ASO Chlef por 2 a 1 pela Liga dos Campeões Africana. Os nigerianos levaram 48 horas para chegar a Chlef, cidade que fica a 200 km da capital Argel. Segundo relatos, jogadores e comissão técnica do Sunshine ainda sofreram com as constantes operações da polícia argelina durante o trajeto. A equipe é vice-líder do Grupo A, atrás do já classificado Espérance.

– Pelo Grupo B, o Al Ahly também garantiu classificação antecipada ao empatar com o Berekum Chelsea em 1 a 1. O gol do Chelsea, marcado por Opoku, foi o primeiro não marcado pelo artilheiro Clottey, que anotou os outros seis tentos do time na fase de grupos.

– No outro jogo, o Mazembe foi até o Cairo e venceu o Zamalek por 2 a 1, eliminando os egípcios. A partida foi disputada com portões fechados, mas um detalhe chamou a atenção: 250 (!!!) jornalistas estavam credenciados para cobrir a partida. Seria uma manobra do clube local para plantar torcedores no estádio?

– Muitos empates nos amistosos internacionais envolvendo seleções africanas na última semana. Gana teve dificuldades contra a China e ficou no 1 a 1, gol do estreante Boakye-Yiadom. Gyan ficou no banco e não entrou no jogo. Em Muscat, capital de Omã, o Egito empatou em 1 a 1 com os donos da casa após sofrer um gol nos acréscimos. Mekki marcou o gol dos faraós, que não contaram com jogadores de Zamalek e Al Ahly.

– Com um gol do baixinho Gradel, de cabeça, a Costa do Marfim demonstrou força ao empatar com a Rússia em Moscou por, adivinhem, 1 a 1. A Nigéria visitou Níger e empatou sem gols, enquanto Zâmbia, com gol do ótimo Mayuka, foi derrotada pela Coreia do Sul por 2 a 1. Na volta de Adebayor, Togo sofreu 3 a 0 de Burkina Faso.

– Após ficar duas vezes atrás no placar, a Tunísia empatou com o Irã em 2 a 2 em Budapeste (local no mínimo alternativo). Marrocos foi a grande decepção, perdendo por 2 a 1 pra Guiné jogando em Rabat. Na estreia do técnico uruguaio Gustavo Ferrin, Angola venceu Moçambique por 2 a 0, gols de Kivuvu e Manucho.

– A Federação Senegalesa de Futebol confirmou que Joseph Koto foi efetivado como técnico da seleção nacional. Na presença do Ministro do Esporte, El Hadji Malick Gackou, e do presidente da federação, Augustin Senghor, Koto assinou um contrato válido até 31 de julho de 2014. De acordo com Senghor, o treinador recebeu a missão de levar a equipe para as semifinais da CAN 2013 e, se possível, repetir a campanha de 2002 na próxima Copa do Mundo. Dirigentes africanos e suas metas ilusórias.

– No maior clássico sudanês, Al-Hilal e Al-Merreikh empataram em 1 a 1 jogando em Omdurman. Destaque para o golaço de Sadomba, do Al-Hilal, num lindo chute de perna esquerda. Ainda pelo Grupo A, outro time do Sudão, o Al-Ahli Shendi, venceu o Interclube em Angola por 1 a 0.

– Na outra chave, a grande zebra da rodada foi o Stade Malien, do Mali, arrancando um empate em 1 a 1 jogando contra o Wydad Casablanca no Marrocos. Outro malinês, o Djoliba, empatou em casa com o AC Léopard também em 1 a 1.

– No jogo do líder contra o vice-líder do Girabola, Recreativo do Libolo e Primeiro de Agosto empataram sem gols – o Libolo segue com 11 pontos de vantagem. O Kabuscorp visitou o Sporting de Cabinda e venceu por 1 a 0, mantendo o quarto lugar.

– Nos jogos de ida das semifinais da MTN 8, a principal Copa Sul-Africana, dois empates. Mamelodi Sundowns e Moroka Swallows fizeram um jogo movimentado, que terminou 3 a 3. Em compensação, SuperSport United e Orlando Pirates não estavam com a pontaria afiada e empataram sem gols.

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