África

Argélia abre alas para nova (e talentosa) geração

11 de outubro de 2009. Nesta data, a Argélia, que se classificou para a Copa do Mundo do ano seguinte, conseguiu uma das vitórias mais marcantes de sua trajetória nas eliminatórias para o Mundial na África do Sul: 3 a 1 sobre Ruanda, de virada, no último jogo da equipe em solo argelino antes da conquista da classificação. Quase quatro anos depois, a Argélia volta a derrotar Ruanda em eliminatórias de Copa do Mundo: 1 a 0. O triunfo é novamente carregado de simbolismo: com os três pontos, os argelinos conquistaram classificação antecipada para a fase final das eliminatórias.

De lá pra cá, no entanto, muita coisa mudou. Uma eventual classificação para a segunda Copa consecutiva não representaria um trabalho de continuidade. Pelo contrário. Uma nova safra está sendo moldada para recolocar a seleção no rumo das glórias.

A geração de Belhadj, Ziani, Yebda, Meghni, Saïfi e cia ficou pra trás. Pra se ter uma ideia, fazendo uma comparação entre o Argélia x Ruanda de 2009 e o do último fim de semana, apenas um titular se repetiu: o zagueiro Madjid Bougherra, que retornou recentemente ao “radar” da seleção e é o grande líder do grupo.

Jovens como Feghouli, Boudebouz, Nabil Ghilas, Brahimi e Taïder pedem passagem e são os grandes responsáveis pelo povo argelino alimentar tantas esperanças de vir ao Brasil em 2014. A geração é bastante talentosa e está cada vez mais homogênea sob o comando de Vahid Halilhodzic. Em 2010, o bósnio já havia classificado a Costa do Marfim para a Copa, mas foi demitido pouco antes do torneio. Ao que tudo indica, desta vez, o treinador encontrará a oportunidade que lhe foi “roubada” na época dos Elefantes.

No próximo mês, Halilhodzic completará dois anos no comando da seleção argelina. Neste período, são 12 vitórias, quatro empates e apenas três derrotas em 19 jogos, além de 31 gols marcados e só 13 sofridos.

No entanto, seu bom trabalho passou por uma forte “provação” no início do ano: cercada de expectativas, a Argélia deu vexame na Copa Africana de Nações e caiu na primeira fase, jogando um futebol muito pobre. No entanto, esta é uma equipe em construção e os dirigentes argelinos souberam enxergar isso. Mohamed Raouraoua, presidente da federação argelina, bancou a permanência de Halilhodzic, que por sua vez, realizou mudanças pontuais no grupo. Desde então, o time só venceu.

Nos últimos meses, a equipe recebeu importantes adições de “naturalizados”. Jogadores que, em sua maioria, nunca haviam pisado na África, mas com talento e disposição suficientes para triunfar no continente. É o caso do ótimo Saphir Taïder, natural da França e com tripla nacionalidade (tunisiano, argelino e, claro, francês). O meia do Bologna estreou pela seleção em março, já anotou dois gols – inclusive o da vitória sobre Ruanda – e virou titular.

Outros franceses com ascendência argelina recentemente persuadidos a jogar pela seleção africana também já fazem sucesso. É o caso do talentoso Yacine Brahimi, que estreou pela Argélia em março, ou o de Nabil Ghilas, atacante que “debutou” no início deste mês e já marcou seu primeiro gol. Todos contribuem para diminuir a carga de responsabilidade em cima de jogadores como Feghouli, principal expoente desta safra.

E as novidades não param por aí. A mais grata surpresa desta safra é Islam Slimani, o novo “homem-gol” da equipe. A média do atacante do CR Belouizdad, que estreou pela seleção no ano passado, é muito respeitável: nove gols em 14 jogos. Ele é o artilheiro das eliminatórias africanas com cinco gols e atrai interesse de clubes do Marrocos, do Egito, do Oriente Médio e da Europa.

Com uma equipe competitiva e bem dirigida, a Argélia caminha no sentido contrário de outros gigantes africanos e inspira perspectivas de evolução. A classificação para a Copa seria o grande prêmio para uma geração que começa a ganhar cancha e conquistar seu espaço na África.

Curtas

– É de se lamentar que o amadorismo de dirigentes africanos esteja manchando as eliminatórias. Etiópia e Togo devem perder três pontos cada pela escalação de jogadores suspensos (irregularidade já admitida pelas federações de ambos os países). Guiné-Equatorial, que também está sendo investigada pela Fifa por conta de um jogador com naturalização contestada, é outra seleção que também deve ser penalizada.

– Vale lembrar que Burkina Faso, Gabão e Sudão já foram alvos de perda de pontos anteriormente. Infelizmente, fica por isso mesmo. Dirigentes são irresponsáveis, mas ninguém é destituído ou assume a responsabilidade e renuncia ao cargo. As penalizações influenciarão diretamente no rumo do panorama da última rodada da fase de grupos das eliminatórias.

– Seleções já classificadas para os playoffs: Costa do Marfim, Argélia e Egito. Na última rodada teremos uma série de confrontos diretos: Gana x Zâmbia, Nigéria x Malauí, Camarões x Líbia, Senegal x Uganda e, caso Guiné-Equatorial seja penalizada, Tunísia x Cabo Verde.

– A Associação Ganesa de Futebol (GFA) confirmou que Kevin-Prince Boateng e os irmãos Andre e Jordan Ayew se comprometeram a voltar a atuar pela seleção do país. Ótimo para o time em termos de qualidade técnica. Entretanto, resta saber como será a aceitação do resto do grupo. Tudo o que o técnico Kwesi Appiah quer espantar é a possibilidade de gerir conflitos internos.

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