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Com ambição e planejamento, Raja Casablanca vai à glória

Três títulos nacionais nas últimas cinco temporadas e a “dobradinha” (copa + liga) em 2012-13. O Raja Casablanca, ratificando sua hegemonia nos últimos anos, assegurou o título do Botola (Campeonato Marroquino) com uma rodada de antecipação. De quebra, como o Marrocos sediará o próximo Mundial Interclubes (e também o de 2013-14), a equipe assegurou uma vaga na competição como campeã nacional. O Raja não disputa o Mundial desde 2000, mas foi justamente esta edição que marcou a primeira aparição de um clube africano no torneio.

Apesar da tradição e de representar a maior cidade do país, o clube só emergiu como uma força no futebol marroquino no final da década de 80, quando conquistou seu primeiro título nacional (1987-88). De lá pra cá, o Raja faturou outros dez títulos do Botola contra apenas cinco de seu maior rival, o Wydad Casablanca.

No entanto, ao passo que a ascensão meteórica dos “Diabos Verdes” contribuiu para a popularidade do clube, a pressão por resultados também aumentou. Essa talvez seja a principal razão para a inconsistência da equipe, apesar dos títulos nacionais. Neste ano, por exemplo, o Raja paga pelo fracasso na temporada anterior e não disputa nenhuma competição continental. O clube vive um período de reestruturação, e o artífice é o presidente Mohamed Boudrika, que (pasmem) tem apenas 30 anos – o mais jovem a assumir a presidência de um clube marroquino em toda a história.

O clube possui um orçamento de 65 milhões de dirhams (aproximadamente US$ 17 milhões) e está sendo administrado de forma muito mais profissional. Durante a nova gestão, que assumiu o controle no ano passado, passou a contar com um diretor esportivo e um gerente executivo. Atrair mais patrocinadores, outra meta de Boudrika, também não foi difícil: o Raja agora conta com seis.

O plano de Boudrika é internacionalizar a marca do Raja. Para isso será criado o Raja TV, onde os torcedores poderão acompanhar um conteúdo exclusivo do time na internet. Especula-se ainda que o presidente, que também é chefe de uma empresa imobiliária, esteja trazendo Diego Maradona para trabalhar como “embaixador” (ou consultor) da equipe. Sua função seria participar de conferências em nome do Raja e garantir a popularização do time no exterior.

Em campo, os Diabos Verdes realizam uma campanha muito sólida no Botola. São 18 vitórias, nove empates e apenas duas derrotas (ainda resta uma rodada para o fim do campeonato), sendo que nenhum revés foi por mais de um gol de diferença. São 54 gols marcados e apenas 24 sofridos. M’hamed Fakhir, ídolo do clube como jogador, é o técnico da equipe.

Abdelilah Hafidi, meia-esquerda de apenas 21 anos, é a revelação – e o único jogador do Raja presente na última convocação da seleção marroquina. A dupla de ataque, formada por Abourazzouk e Salhi, também é um dos pilares do time, bem como o veterano meia Metouali, principal contratação do Raja na última janela de transferências.

Com dinheiro em caixa, o elenco dificilmente sofrerá um desmanche. Dentro e fora de campo, o Raja trabalha para resgatar a “era de ouro” dos anos 90, quando instaurou uma “dinastia” no Marrocos e ainda faturou quatro títulos continentais, incluindo duas Ligas dos Campeões. A disputa do Mundial pode ser um passo decisivo para expandir a marca do clube.

Curtas

– O reinado de Iya Mohammed em Camarões está próximo do fim. O presidente da Federação Camaronesa de Futebol (Fecafoot), que está há mais de uma década no poder e busca uma nova reeleição, está prestes a ser considerado inelegível por conta de denúncias de corrupção.

– A eleição, prevista para acontecer neste mês, foi suspensa pelo governo do país. O candidato de oposição, John Begheni Ndeh, é considerado o homem que pode reestruturar o futebol local. O fato é que o poderio de Mohammed nunca esteve tão ameaçado. A torcida camaronesa agradece.

– Zebra na Tunísia: sob o comando do lendário holandês Ruud Krol, o CS Sfaxien desbancou o Espérance e faturou o título do Campeonato Tunisiano, o primeiro do clube em oito anos. A conquista foi selada com a vitória sobre o Club Africain por 2 a 1, de virada.

– Itumeleng Khune, goleiro do Kaizer Chiefs e da seleção sul-africana, está em alta no país. Ele foi eleito o melhor jogador do Campeonato Sul-Africano, no qual o seu clube foi o campeão. É um dos melhores arqueiros africanos (na minha opinião, o melhor) na atualidade.

– E falando em Kaizer Chiefs, a equipe conseguiu a “dobradinha” no futebol sul-africano: além do título da Premier League, também faturou a Nedbank Cup, uma das duas copas nacionais. A conquista veio com a vitória sobre o SuperSport United por 1 a 0, gol de Bernard Parker.

– Em entrevista a uma agência de notícias alemã, Sidney Sam negou qualquer possibilidade de defender a seleção nigeriana. “Perseguido” pela federação do país desde novembro do ano passado, o jogador do Bayer Leverkusen parecia estar próximo de um acordo para defender as “Super Águias”, mas negou qualquer contato com dirigentes nigerianos e declarou que está decidido a jogar pela Alemanha.

– Adebayor foi convocado para a seleção togolesa, mas sua presença não é certa. O atacante não vive bom relacionamento com o técnico Didier Six que, aliás, pode deixar o cargo em breve. Ele exige que a federação togolesa lhe pague 128 mil dólares por conta de um ‘tour’ pela Europa para descobrir novos jogadores. Os dirigentes locais desconhecem o fato e afirmam que o treinador estava de férias.

– Demba Ba foi excluído por Alain Giresse da convocação de Senegal para os jogos contra Angola e Libéria pelas eliminatórias para a Copa. O treinador afirma que foi “opção técnica”, mas o atacante, ao se manifestar no Twitter sobre o assunto, deixou em aberto a possível razão de sua exclusão, declarando que “um dia possa dizer toda a verdade para o povo de Senegal”.

– Rachid Taoussi, técnico da seleção marroquina, deu mais um voto de confiança aos jogadores expatriados. Criticado por basear sua convocação em jogadores que atuam no futebol local, o treinador listou 15 “estrangeiros” para os jogos contra Tanzânia e Gâmbia. O ótimo Belhanda, preterido na última lista, voltou a ser chamado. Benatia, Taarabt, El Ahmadi, El Hamdaoui e Amrabat seguem de fora.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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