Alex Song (aquele mesmo) incrivelmente ainda jogava, mas anunciou a aposentadoria
Após 19 anos de carreira, Alex Song anunciou a sua aposentadoria para comunicar ao mundo algo que ninguém mais imaginava: que ele ainda jogava
Aos 36 anos, Alex Song anunciou a aposentadoria do futebol profissional. Uma trajetória que já nasceu com uma genética forte: ele é sobrinho do antigo zagueiro Rigobert Song, que é o atual técnico da seleção camaronesa. Conhecido por sua passagem pelo Arsenal, o meio-campista também jogou pelo Barcelona, sem o mesmo destaque, e depois não teve mais destaque.
“É com grande tristeza que chegou o momento de pendurar minhas chuteiras”, escreveu Alex Song na sua conta de Instagram. “Minha jornada começou em Yaoundé quando eu era criança, jogando sem chuteiras, descalço na terra. Isso me deu força e coragem para ter sucesso”.
“Quando me mudei para a França, jogando pelo Bastia, eu pensei que tinha conseguido um milagre. Contudo, aquele foi apenas o começo da minha jornada, que continuou no Arsenal e no Barcelona, dois dos maiores clubes do mundo”.
“Tantas pessoas me ajudaram ao longo do caminho, minha esposa, meus filhos, minha família, amigos, meu agente, técnicos e, claro, todos meus companheiros por quem serei eternamente grato”.
“É claro que Charlton, West Ham, Rubin Kazan, Sio e Arta/Solar 7 sempre permanecerão no meu coração. Ter a honra de representar o meu país 60 vezes também em enche de grande orgulho. Me sinto abençoado com tantas grandes memórias que ainda permanecerão comigo para sempre”, continuou.
“Por último, eu gostaria de agradecer a todos os torcedores que me apoiaram ao longo do caminho, eu irei sempre valorizar isso. Espero ver vocês novamente em breve”.
Passagem de destaque pelo Arsenal
Nascido em Douala, Alex Song perdeu o pai ainda muito jovem, com apenas três anos. Por isso, Rigobert Song, seu tio, se tornou uma figura paterna na sua vida e foi uma grande influência para que ele se tornasse jogador.
Foi com 16 anos que ele começou a carreira efetivamente, depois de passar pelo Red Star, de Paris, na base. Ele foi para o Bastia, em 2001, e foi por lá que ele estreou no time principal, em 2004. Sua primeira temporada foi tão boa que ele foi emprestado ao Arsenal, em 2005, e isso mudou a sua carreira. Foi contratado em definitivo em 2006 e seria emprestado ao Charlton para ganhar experiência.
Foi no seu retorno, em 2007, que ele se efetivou no time principal. Foi nos Gunners que ele ganhou fama. Foi por lá também que começou a ser convocado para a seleção camaronesa, em 2008, quando tinha 20 anos. Estreou em um jogo de Copa Africana de Nações, em 2008. Esteve na Copa do Mundo de 2010,
Foram 204 jogos pelo Arsenal, com 10 gols e 23 assistências. Passou em branco em termos de títulos, porque foi uma época que o Arsenal não conseguiu ganhar nada. Mesmo assim, se estabeleceu como um jogador importante do elenco. Sempre mostrou talento e boa técnica, mas seu problema era a indolência. Algo que acabou se confirmando com o tempo.
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Transferência para o Barcelona e o ostracismo
Em 2012, Alex Song foi contratado pelo Barcelona, em uma dessas contratações que fez muito pouco sentido. Mas fez sentido para Song, que ficou muito feliz com a transferência. Como um jogador mais defensivo e com características que nunca pareceram adequadas para o Barcelona daquela época, Song confessou que o quie importava para ele nem era jogar naquela época: era receber um salário milionário.
“Quando o Barcelona me ofereceu contrato e vi quanto iria ganhar, não pensei duas vezes. Senti que minha esposa e meus filhos deveriam ter uma vida confortável quando minha carreira terminasse. Conheci o diretor esportivo do Barça e ele me disse que eu não jogaria muitos jogos, mas não me importei – eu sabia que agora me tornaria um milionário”, contou o jogador em uma transmissão ao vivo com Pascal Siakam, jogador de basquete camaronês.
Realmente ele não jogou muito no Barcelona. Foram 65 partidas, um gol marcado, duas assistências e uma passagem que será facilmente esquecida. Voltaria à Premier League emprestado ao West Ham e as esperanças eram altas que ele voltaria ao alto nível. O início foi promissor, mas depois as coisas desandaram novamente. Foi emprestado em 2014/15 e 2015/16, mas perdeu espaço pouco a pouco.
Sua carreira na seleção também minguou. Sua última participação pela seleção camaronesa foi na Copa do Mundo de 2014 e seu último jogo foi contra a Croácia, na segunda rodada da fase de grupos. Contra o Brasil, ficou no banco. Não voltaria a jogar mais pelos Leões Indomáveis depois daquele Mundial.
Se transferiu para o Rubin Kazan, da Rússia, em 2016. Foram dois anos na Rússia, novamente sem destaque. Em 2018, foi para o Sion, na Suíça. Novamente, sua passagem não chegou a 30 jogos e acabou relegado ao Sion II, o time B da equipe suíça. Deixou o clube em 2019.
Sem espaço, foi jogar no Arta/Solar, de Djibouti, um pequeno país africano no leste do país, nos chamados chifres da África. Foram três anos atuando pelo clube antes de se aposentar de vez, surpreendendo muita gente que já imaginou que ele tivesse parado.
O talento de Alex Song acabou suprimido diante da sua atitude, que o impediu de ir mais longe, especialmente após sua saída do Arsenal. Deixa o futebol profissional como um personagem que chegou a criar expectativa, mas não entregou aquilo que se esperava dele. Exceto e raros momentos pelo próprio Arsenal.



