Africa

Ainda são as preliminares, mas a CAN 2019 já proporcionou o êxtase em Sudão do Sul e Comores

O álcool ainda nem saiu do sangue dos camaroneses pela conquista da Copa Africana de Nações. Ainda assim, a próxima edição do torneio já vive as suas primeiras definições. Nesta da Data Fifa, as seis seleções de pior classificação no Ranking de Torneios da CAF disputaram as preliminares das eliminatórias da CAN 2019. Três confrontos diretos, em que os vencedores avançaram à fase de grupos. E, apesar do pouco significado geral da disputa, ela proporcionou momentos de extrema alegria aos classificados: Comores, Madagascar e Sudão do Sul.

Formada em 2012, a seleção de Sudão do Sul alcançou o resultado mais importante de sua história. Antes disso, a principal vitória havia acontecido nas eliminatórias da Copa Africana de 2017, batendo Guiné Equatorial, mas o triunfo pouco importou no contexto geral. Desta vez, a goleada sobre Djibuti valeu a classificação. Os sul-sudaneses perderam o jogo de ida, fora de casa, por 2 a 0. Uma surpresa e tanto, considerando que os adversários não venciam um jogo competitivo desde 2007, ocupando a última colocação no Ranking da Fifa ao lado de outras seis seleções. Já no reencontro, Sudão do Sul deu o esperado troco em grande estilo: enfiou 6 a 0 sobre os oponentes no Estádio de Juba. Destaque para o atacante James Moga, autor de dois gols. Ao apito final, a euforia tomou conta das arquibancadas, festejando a conquista do país recém-estabelecido.

Alegria parecida aconteceu em Comores, arquipélago de 800 mil habitantes no Oceano Índico. Os Celacantos faziam “clássico marítimo” com as Ilhas Maurício. E o histórico do confronto era totalmente favorável aos rivais, com sete vitórias e um empate. Todavia, Comores finalmente conseguiu quebrar a escrita. Venceu o jogo de ida por 2 a 0, para delírio de seus torcedores. Na volta, segurou o empate por 1 a 1, suficiente para o feito histórico. A população, que se reuniu para ver o jogo em um telão, saiu às ruas para celebrar. Está foi a quinta vitória na história da seleção comorense, a segunda por eliminatórias, após terem batido Botsuana em seu grupo no qualificatório da CAN 2017. Autor do gol naquela partida, o atacante Ben Nabouhane também foi o herói em Maurício. Emprestado ao Panionios, o jogador de 27 anos pertence ao Olympiacos.

E, também no Índico, outro país a carimbar seu passaporte foi Madagascar. Neste caso, ao menos, prevaleceu o esperado. Ainda que São Tomé e Príncipe possua uma seleção relativamente forte para o nível das preliminares, acabou derrotada nos dois jogos. Os Zebus começaram a encaminhar a classificação com o triunfo por 1 a 0 em São Tomé, enquanto garantiram a comemoração com os 3 a 2 em Antananarivo. Em 2015, os malgaxes ficaram próximos de eliminar Uganda no qualificatório da CAN, caindo apenas por um gol fora de casa dos adversários. Além disso, em 2007, o país foi o “sparring” em um momento histórico nas eliminatórias do torneio: perdeu por 5 a 0 para a Costa do Marfim em Bouaké, no simbólico jogo realizado na base rebelde do país após o fim da guerra civil marfinense.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo