Africa

Africanos de olho em 2010

As seleções africanas concedem à CAN uma importância que, por exemplo, não encontra paralelo na relação do países sul-americanos com a Copa América. Há uma supervalorização da competição que faz com que seus participantes a encarem de um modo que não condiz com o seu real peso. Esse é um detalhe perigoso e que precisa ser debatido no futuro. Apesar de contribuir diretamente para o desenvolvimento do futebol no continente, ela não pode ser enxergada como algo além de uma prévia para as Eliminatórias para a Copa do Mundo. Esse é um ponto que, por mais polêmico que aparente ser, não deve ser ignorado, pois, caso contrário, as equipes poderão estar se precipitando e pondo a perder todo um trabalho.

É claro que a CAN surge como um alerta a ser considerado em algumas oportunidades. É o caso da Nigéria, aliás, que não pode ser criticada pela demissão do treinador Berti Vogts após ele ter assumido o cargo há apenas um ano. Estava mais do que evidente que, da forma como sua passagem estava sendo conduzida, ela não teria futuro. E as partidas disputadas em Gana só deixaram isso mais à mostra. As Super Águias ainda não escolheram o sucessor de Vogts e, por isso, optaram por enfrentar ontem sua seleção sub-23, que briga com os ganenses pela última vaga do continente nas Olimpíadas. Os demais países, por outro lado, terão, na próxima semana, desafios que merecem ser destacados.

Togo x Guiné

Ausente da última CAN, Togo inicia a preparação para poder participar da segunda Copa do Mundo de sua história. O treinador que conduzirá esse trabalho ainda não foi escolhido, porém, ao que tudo indica, será o francês Henri Stambouli. Enquanto não se chega a um acordo, o time começa a ser desenhado contra a Guiné, que, após fazer um bom papel em Gana, segue com Nouzaret no comando, mas com algumas mudanças – não tão significativas – em seu grupo. Entre elas, as saídas de Kanfory Silla e Victor Correa da equipe.

Argélia x RD Congo

Rabah Saadane deu início a sua quinta passagem pela seleção da Argélia em outubro passado. Ao assumir o lugar de Cavalli, ele tomou nota de sua principal meta: a clasificação para a Copa do Mundo. Para o amistoso contra a RD Congo, Saadane não pôde convocar nenhum atleta de JSK, ESS e MCA, times envolvidos em competições africanas. O resto do grupo não se diferencia tanto daquele que enfrentou o Brasil em 2007. Os congoleses, por sua vez, estão próximo de um acerto com o francês Patrick Neveu, mas, ainda sem técnico, disputarão, além desse jogo, outro frente o Gabão um dia antes. Por isso, foram convocados nada menos do que 50 jogadores.

África do Sul x Paraguai

A primeira opção era Portugal, mas como Felipão desdenhou e preferiu um amistoso contra a Grécia, a África do Sul jogará com o Paraguai. Na liderança das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo, a Albirroja vem com força máxima para enfrentar o time de Parreira, que surpreendeu ao deixar Zuma de fora e garantir o retorno de McCarthy. O restante do grupo é composto por jogadores inexperientes, dando continuidade à proposta de se testar o maior número de opções possíveis até 2010.

Costa do Marfim x Tunísia

De volta ao cargo, mas somente por um mês. Uli Stielike retorna ao comando da Costa do Marfim e permanecerá, a princípio, até o dia 15 de abril, quando a federação do país avaliará seu trabalho. À espera da decisão, ele convocou para o amistoso contra a Tunísia praticamente o mesmo time que esteve em Gana. As Águias de Cartago, por sua vez, seguem com Lemerre como treinador. As novidades de sua relação vêm do Étoile du Sahel: o zagueiro Ben Radhia e o atacante Ben Dhifallah. Ao todo, oito dos dezoito nomes são do ESS.

Gana x México

Depois do terceiro lugar na CAN, Gana volta a campo contra o México em Londres. Enquanto a Tri surpreendeu ao convocar Guillermo Franco para o amistoso, o treinador das Estrelas Negras, Le Roy, optou por promover três estréias. Entre elas, a mais aguardada é a do atacante do Asante Kotoko, Erik Bekoe. A presença de nomes como Richard Kingston e Eric Addo na lista surpreendeu, pois eles não atuam desde que retornaram aos seus clubes, em fevereiro.

Marrocos x Bélgica

Esperava-se que o anúncio do substituto de Henri Michel fosse ser realizado no início do mês, mas a federação marroquina optou por adiar a decisão. Assim, enquanto o ex- treinador dos Leões dos Atlas, Badou Zaki, tem seu nome especulado, Fathi Jamal segue no comando. Ele convocou para a partida contra os belgas dez jogadores que nunca haviam sido chamados. Entre eles, Nabil El Zhar, do Liverpool e da seleção pré-olímpica. É o primeiro passo para um processo de renovação que será posto em prática a partir de agora.

Egito x Argentina

Após conquistar o sexto título da CAN, o Egito faz o primeiro de três amistosos que deverá disputar esse ano. E o arquirrival é ninguém menos que a Argentina, que será formada apenas por “estrangeiros” e que, segundo seu treinador, Alfo Basile, testará alternativas de jogo na ausência de Riquelme. Os Faraós, por sua vez, chamaram para a partida os mesmos jogadores que estiveram em Gana e deixaram de fora Ghaly e Mido. O goleiro Al-Hadari, que poderia ser ignorado após o imbróglio com o Sion, também foi convocado.

Mali x França

É inegável que a seleção de Mali possui um grande potencial e esteve longe de demonstrá-lo na CAN. Sendo assim, nada mais natural do que sobrar para o técnico nessa situação. Os dirigentes ainda não decidiram quem assumirá o lugar de Jean-François Jodar. Stephen Keshi, ex-Togo, está perto. Enquanto o anúncio não é feito, a dupla Mory Koita e Madou Coulou, que dirige a equipe interinamente, manteve a base que decepcionou em Gana.

Sem chance, Stofile

A cada partida disputada, cresce o temor de que a seleção sul-africana não conseguirá fazer uma boa campanha na próxima Copa do Mundo. Se antes as preocupações giravam em torno do cumprimento dos prazos para a construção dos estádios, agora elas se concentram na qualidade técnica do time. E todos os dedos apontam para Carlos Alberto Parreira, que, mesmo recebendo um salário fora dos padrões do país, ainda não alcançou a sua meta: a construção de uma base que permita aos torcedores sonhar, ao menos, com um desempenho digno em casa.

Ao que parece, o treinador brasileiro está longe disso. Essa é a sensação que pode ser extraída dos inúmeros testes que ele segue realizando. Esperava-se que, a essa altura, já fosse possível identificar um núcleo de jogadores que constituíssem o ponto de apoio da equipe. Mas nem isso. E o desespero, claro, começa a tomar conta de alguns. Ainda não houve nenhuma iniciativa semelhante à dos torcedores austríacos para evitar a participação de sua Seleção no próprio torneio que ela organiza, mas a idéia do ministro dos esportes sul-africano, Makhenkesi Stofile, chegou perto disso.

Ele propôs, na última semana, a “nacionalização” do time dirigido por Parreira. Isto é, os principais jogadores do grupo permaneceriam, durante dois anos, num programa de treinamentos visando a Copa. Assim, Stofile acredita que as chances de um sucesso na competição seriam maiores. A reação à idéia não foi das mais positivas e dificilmente – para não dizer que não – será colocada em prática. Trata-se de algo que encontra precedentes em outros esportes, mas que, no futebol, tem raros exemplos passados. Por isso: sem chance, Stofile.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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