A classificação mais maluca da CAN 2017 foi a de Burkina Faso, aos 99 minutos de jogo

A Copa Africana de Nações terminou de conhecer os seus participantes para a próxima edição, que acontecerá a partir de janeiro, no Gabão. Tirando a presença de Uganda e Guiné, ou as ausências de Nigéria e Zâmbia, nada de grandes surpresas. O que não poupou a rodada decisiva de emoções. E Burkina Faso, vice-campeã em 2013, caprichou na dose de drama para celebrar na rodada final. Sob uma chuva torrencial, a classificação se confirmou no nono minuto da prorrogação, em circunstâncias épicas para os donos da casa – mas também discutíveis.
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A princípio, a situação dos Garanhões (apelido em referência aos cavalos, diga-se) estava tranquila. Precisavam apenas vencer Botsuana em casa ou ao menos, em caso de um tropeço, torcer para que Uganda não conseguisse um resultado melhor contra Comoros. E o jogo se manteve nas mãos de Burkina desde o primeiro tempo. Aos 18 minutos, Nakoulma abriu o placar em Ouagadougou. O problema é que os burquinenses cederam o empate aos 36 do etapa final, mesmo depois de Botsuana ter um jogador expulso. Mafoko, cobrando pênalti, ia deixando o time da casa virtualmente eliminado, já que Uganda vencia Comoros e Burkina Faso ainda dependeria da definição dos outros grupos para saber se continuaria entre os melhores segundo colocados.
O clima tenso tomou conta do final do jogo. O goleiro de Botsuana, Kabelo Dambe, foi expulso por uma suposta agressão, enquanto Steeve Yago também deixou Burkina com um a menos ao dar um soco no rosto do adversário. A confusão, que começou aos 47, fez os acréscimos se estenderem por mais tempo. Até que, naquele que deveria ser o último lance, saiu a salvação dos burquineses. O atacante Banou Diawara apareceu na área para aproveitar o vacilo do goleiro improvisado e estufar as redes, selando classificação dos Garanhões. Assumiram a liderança da chave graças aos gols pró, embora Uganda também tenha carimbado o seu passaporte, com a melhor campanha entre os segundos colocados.
Por sorte, o gol suspeito dos burquinenses não prejudicou ninguém. Caso Burkina empatasse por 1 a 1, ainda ficaria com uma das vagas dedicadas aos melhores segundos colocados. Benin, República Centro-Africana e Suazilândia, que ainda poderiam ultrapassá-los até o fim do dia no cenário hipotético, acabaram perdendo. Esta será a décima participação de Burkina Faso na Copa Africana. Desde 1996, o país tem sido uma constante no torneio, ausente apenas nas edições de 2006 e 2008.



