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A abertura da CAN já teve a primeira surpresa e o orgulho da estreante Guiné-Bissau

Não importa a pequenez do país, a crise política ou os problemas antes da viagem. Tudo isso, pelo contrário, só ajuda a demonstrar a grandeza do feito de se classificar à Copa Africana de Nações. E, logo em sua primeira partida na história do torneio, Guiné-Bissau já deu um motivo para a sua população se orgulhar. A equipe não deixou de acreditar por um instante sequer e, na abertura do torneio, arrancou o empate por 1 a 1 do anfitrião Gabão, aos 45 minutos do segundo tempo. Surpresa e vaias em Libreville, que contrastaram com a onda de alegria que tomou conta da capital guineense, Bissau.

O favoritismo do Gabão era óbvio, e não apenas pelo fato de jogar em casa. O time vinha de três participações nas últimas quatro edições da CAN, além de contar com um seríssimo candidato ao prêmio de craque da competição, com Pierre-Emerick Aubameyang comandando o seu ataque. Mas apenas a mera presença do artilheiro do Borussia Dortmund não foi suficiente aos Panteras.

Com mais posse de bola, o Gabão não impressionou. Sem criar tantas oportunidades, abriu o placar apenas no início do segundo tempo, em cruzamento que Aubameyang completou dentro da área. O atacante teve a chance de ampliar pouco depois, mas desperdiçou. Enquanto isso, Guiné-Bissau mantinha a sua atitude. Junior Francisco e Toni Silva chamavam atenção pela participatividade. Até que, nos 10 minutos finais, os visitantes passaram a incomodar. E, nos instantes finais, a comemoração se concretizou. Cobrança de falta em direção à área, que Juary Soares completou.

Em uma seleção com investimento irrisório, na qual boa parte dos jogadores defende clubes das divisões inferiores e que correu mesmo o risco de não viajar ao Gabão, com falta de dinheiro para bancar o voo, o ponto arrancado tem uma representatividade imensa. Valeu a festa dos milhares de torcedores que se reuniram em Bissau para assistir ao duelo no telão. Talvez os Djurtus não façam muito mais na competição, mas a bravura deste sábado já fez a diferença.

O Gabão, por sua vez, precisa reagir nas próximas rodadas. O empate contra o oponente que, em teoria, é o mais fraco da chave, cobra vitórias contra Burkina Faso e Camarões. E o pior foi a falta de consistência do time em si. Ao menos na estreia, contar apenas com Aubameyang não se mostrou suficiente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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