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2002 feelings

Mais do que um (bom) jogador, um personagem. El Hadji Diouf é uma figura peculiar no futebol senegalês. Polêmico, controverso, “marrento” para alguns, porém inegavelmente um dos melhores que já representaram os Leões da Teranga. Diouf é referência da melhor geração futebolística da história do país, aquela que foi a maior surpresa da Copa de 2002 e vice-campeã da CAN no mesmo ano. De lá pra cá, no entanto, o “bad boy” não foi capaz de conduzir Senegal ao patamar que se projetava. Pelo contrário. Se “aposentou” duas vezes na seleção e, no ano passado, foi suspenso por cinco anos pela Federação Senegalesa de Futebol após denunciar corrupção no futebol africano.

Hoje, com 31 anos, Diouf não é nem sombra do talento que despontou há 10 anos. Vive altos e (muitos) baixos em sua carreira e completa praticamente uma década de ostracismo no futebol inglês. No entanto, um ídolo é um ídolo. Diouf é amado em seu país não apenas pelos “serviços prestados”, mas também por combater as falcatruas dos dirigentes locais. Em meio à péssima fase de Senegal, ele é sempre cogitado pelos torcedores como uma possível alternativa para a equipe renascer. Parece bravata, mas a seleção parece ter comprado a ideia: Diouf é nome praticamente certo no jogo do mês que vem, pelas eliminatórias da CAN 2013, contra a Costa do Marfim, antes mesmo de completar sua punição.

O que está por trás desta decisão é simples: Senegal tem uma missão duríssima para garantir vaga no torneio continental: vencer a Costa do Marfim por dois gols de diferença. Mesmo se tratando de um adversário renomado, uma eliminação seria vexatória. Recentemente, Joseph Koto, treinador da seleção senegalesa, reclamou da “inexperiência” do seu time e acenou com a possibilidade de reconvocar jogadores como o próprio Diouf e Mamadou Niang. O presidente da federação, August Senghor, confirmou o fim da suspensão de Diouf nesta segunda-feira, dando “carta branca” ao treinador.

Os dirigentes certamente terão de engolir sapo. Diouf tem um histórico conturbado com as autoridades senegalesas. No ano passado, quando perguntado por uma rádio francesa sobre algo “escondido” na seleção senegalesa, ele foi categórico ao afirmar que jogadores já deixaram de receber prêmios por vitórias. Além de dizer que “quando está presente, eles (dirigentes) não podem fazer suas travessuras”, Diouf também declarou que a situação não é uma especificidade de Senegal, mas que “todo o sistema do futebol africano é corrupto”. Por fim, disse que esse é o motivo pelo qual Senegal não conquista nada importante na África e nenhuma seleção africana conquista algo importante a nível mundial.

Essas foram as palavras que motivaram a supracitada punição por cinco anos. Entretanto, o Diouf que hoje é visto como “salvador da pátria” não tem nada a ver com aquele eleito duas vezes o melhor jogador do futebol africano (2002 e 2003) e listado entre os 125 melhores jogadores vivos (pasmem) por Pelé, em 2004. Diouf não tem nada a perder com este retorno. Sua reputação é intacta e, caso Senegal conquiste a classificação, ele coloca de vez o seu nome como a maior lenda da história do futebol do país.

Todavia, para a seleção atual, não é bem assim que funciona. Apostar em Diouf significa tirar espaço de algum jogador em progressão na equipe. Além do mais, convenhamos, Senegal não tem do que se queixar no setor ofensivo. Moussa Sow, Papiss Cissé, Demba Ba, Dame N’Doye, Ibrahima Touré e poderíamos preencher um parágrafo inteiro com outras boas opções. Nos últimos anos, Diouf tem se notabilizado muito mais por episódios de indisciplina, ainda que o seu início de temporada pelo Leeds, clube pelo qual assinou em agosto, esteja sendo positivo. Aliás, seu atual técnico, Neil Warnock, certa vez declarou que o senegalês era “pior que um rato de esgoto”, após um confronto entre Blackburn, ex-time de Diouf, e Queens Park Rangers, outrora comandado por Warnock. Aparentemente, as diferenças já foram resolvidas.

Senegal precisa de experiência? Talvez. Na Copa do Mundo, não precisou. Mais do que isso, é necessário comando, alguém que extraia o potencial desta equipe, e claro, de profissionalismo em sua federação. Sem isso, Diouf será apenas mais um. Quer dizer, definitivamente, Diouf nunca será apenas mais um.

Curtas

– Derrotado pela Somália nas eliminatórias do Africano Sub-17, o Sudão confirmou, através de sua federação, que possui provas que o seu adversário atuou com jogadores com idade adulterada. Infelizmente, este é um problema crônico do futebol africano. Vamos aguardar.

– A Federação Marroquina de Futebol confirmou que Rachid Taoussi é o substituto de Eric Gerets no comando da seleção nacional. Taoussi, que dirigia o FAS Rabat, fez história entre 2010 e 2012, ao conquistar uma tríplice coroa com o modesto Maghreb de Fes (Copa da Confederação Africana, Supercopa Africana e Copa do Marrocos).

– Em que pese o nome preferido dos torcedores fosse o veterano Badou Zaki, que comandou a seleção entre 2002 e 2005, a escolha foi considerada positiva. Gerets se despediu do comando com uma marca de sete vitórias, seis empates e sete derrotas.

– Falando em demissão de treinador, Denis Lavagne ainda cobra explicações por ter perdido o cargo de comandante da seleção camaronesa. Segundo ele, o ministro dos esportes tomou a decisão sem o consentimento da Fecafoot, Federação Camaronesa, o que é proibido pela Fifa. Ele também cobra 12 meses de salários atrasados.

– Rafik Djebbour, atacante da Argélia, foi suspenso pela CAF por dois jogos e não enfrenta a Líbia no jogo de volta das eliminatórias para a CAN 2013. Ele foi o pivô da confusão que se deu após o apito final da primeira partida, em Casablanca. O treinador da seleção argelina, Valid Halilhodzic, declarou que sua ausência “não será nenhuma fatalidade para a equipe”, mesmo porque é reserva de Slimani.

– Caiu a invencibilidade. Após 26 rodadas, o líder do Girabola, Recreativo do Libolo, perdeu sua primeira partida no campeonato: 4 a 2 para o Santos. O vice-líder Primeiro de Agosto, que venceu o Aviação por 1 a 0, agora soma 52 pontos e está a sete do Libolo, com 12 pontos em disputa. O Kabuscorp, de Rivaldo, empatou em 2 a 2 com o Sagrada Esperança e segue em 3º.

– O Moroka Swallows é o novo campeão da MTN 8, a Copa Sul-Africana. A equipe derrotou o SuperSport United por 2 a 1, com um gol de Chenene aos 41 minutos do segundo tempo. Este é apenas o terceiro título do clube em 28 anos.

– O Espérance está muito próximo de ser campeão nacional pela quarta vez consecutiva. Com um hat-trick do prodígio Msakni, a equipe goleou o Gabès por 4 a 1 e contou com a derrota do Bizertin para o Etoile du Sahel por 1 a 0, abrindo cinco pontos de vantagem na ponta da Ligue 1. Um empate na próxima rodada (a penúltima) já garante o caneco.

– Passada a terceira rodada da Ligue 1 argelina, a única equipe que segue com 100% de aproveitamento é o JSM Béjaïa, que venceu o CR Belouizdad por 1 a 0. No clássico das equipes da capital Argel, o USM Alger bateu o MC Alger por 1 a 0.

– No Campeonato Marroquino, o Botola, resta apenas um time 100% em duas rodadas: o Raja Casablanca, que venceu o Raja Béni Mellal fora de casa por 1 a 0. O Wydad Casablanca, estreando o treinador espanhol Benito Floro, venceu o Khourigba por 2 a 1.

– Após perder o ótimo Emmanuel Clottey, o Berekum Chelsea foi certeiro na contratação de seu substituto: Eric Bekoe, do Petrojet, do Egito. O bom atacante ganês estava cotado para defender o Asante Kotoko, mas as negociações não avançaram.

– Parabéns ao Union Douala, campeão do Campeonato Camaronês. A equipe goleou o New Stars por 4 a 1 e abriu sete pontos de vantagem para o vice-líder, Coton Sport, restando duas rodadas para o fim. É o quinto título nacional da história do Union. Em Togo, a festa foi do Dyto, campeão nacional pela sexta vez.

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