A dignidade da capitã do CATS/Taboão no 29 x 0 contrasta com o descaso na gestão do futebol feminino

O São Paulo goleou o CATS/Taboão da Serra, nesta quarta-feira, pela segunda rodada do Campeonato Paulista, por 29 a 0. Não tem muito o que falar sobre o jogo. Não foi um jogo. Foi um sintoma, mais um, do descaso das autoridades com o futebol feminino, muito bem exposto pelas palavras da capitã do time derrotado, a volante Nini.

A goleada – como a do Flamengo por 56 a 0 contra o Greminho pelo Campeonato Carioca – serve de munição a quem se incomoda com a existência do futebol feminino e ataca o que considera ser um esporte de baixo nível, mas placares como esses não são evidências de técnica, tática ou capacidade física.

São evidências de como a organização apenas amontoa participantes para dizer que tem um campeonato, sem se preocupar se as jogadoras têm condições de treinamento, sem separar os clubes em divisões ou assegurar que haja de fato um mínimo de competitividade, por mais que ele seja tratado como um torneio amador.

O resultado é expor mulheres que sonham em jogar futebol ao cruel e desnecessário deboche das redes sociais, mas a volante Nini não aparentou vergonha nenhuma com a situação. Em uma entrevista à TV FPF durante o intervalo, quando seu time estava perdendo por 17 a 0, o que ela expressou foi indignação e revolta com a falta de apoio do clube que ela e suas colegas defendem.

“A gente sabia que ia ser um confronto difícil. A equipe do São Paulo vem há muito tempo treinando junta, inclusive durante a pandemia. Temos um elenco muito jovem. Praticamente não tivemos treino. Conseguimos um campo recentemente. Treinamos três dias antes do Campeonato Paulista. Esta semana tivemos mais dois dias de trabalho no campo, mas é muito difícil jogar, posicionar, principalmente essa parte tática contra uma equipe de qualidade como é a do São Paulo”.

“Em momento nenhum a gente vai desanimar, vamos continuar jogando. Acredito que essa vitrine que é o futebol feminino pode dar oportunidade a algumas meninas da nossa equipe. Infelizmente, também, usamos a camisa do CATS, mas pouca coisa o clube nos ajuda. É mais a comissão técnica mesmo, pela vontade. As atletas estão sem ganhar nada, ninguém tem salário, ninguém tem condição, não temos roupa de treino. Não temos apoio nenhum do clube. Usamos o nome do clube para participar do Campeonato Paulista porque acreditamos que é uma oportunidade para as meninas mais jovens”, afirmou.

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