Karim Benzema é claramente o melhor centroavante francês e deveria estar na seleção do país. É esta a opinião de Zinédine Zidane, que reforçou seu apoio ao jogador nesta sexta-feira (8), em entrevista coletiva prévia à rodada do fim de semana de La Liga.

O técnico do Real Madrid serviu de porta-voz ao atacante um dia depois de mais uma convocação de Didier Deschamps sem o camisa 9 entre os selecionados. “Eu sei que ele sempre foi apegado à seleção, sempre quis jogar pela seleção francesa. Isso não mudou”, argumentou Zidane.

A última vez que Benzema vestiu a camisa francesa foi há mais de quatro anos, em outubro de 2015. Perdeu seu espaço após a polêmica envolvendo o ex-companheiro de seleção Mathieu Valbuena, que foi subornado por um amigo de infância de Benzema para não vazar um vídeo de conteúdo sexual explícito que mostrava o meio-campista.

No mês passado, em documentário exibido na televisão francesa, Didier Deschamps falou sobre sua escolha de manter Benzema afastado dos Bleus. “É uma decisão esportiva. Colocando de maneira simples, não acho que convoca-lo seria bom para a seleção. Baseio todas as minhas decisões no que acredito ser o melhor para a França e no que significa representar nosso país, é só isso”, explicou.

Zidane, por sua vez, diz não saber o que se passa internamente, mas que, se a decisão fosse só esportiva, Benzema deveria estar na seleção. “Se você me perguntar, ‘futebolisticamente’ falando, ele é o melhor atacante, então tem seu espaço na seleção. Mas o resto nós não controlamos. ‘Futebolisticamente’, não há debate”, opinou.

O tópico vem após boa atuação de Benzema na rodada da semana da Champions League. Com os dois gols marcados no 6 a 0 contra o Galatasaray, chegou a gols em 15 temporadas seguidas da Liga dos Campeões, número alcançado por só um outro jogador: Lionel Messi. De quebra, superou também Alfredo Di Stéfano na artilharia do clube na competição: 50 gols, contra 49 do argentino.

Ao mesmo tempo, Deschamps tem sido criticado por sua insistência em chamar o centroavante Olivier Giroud, que teve sua presença quase sempre contestada na seleção e só viu isso aumentar com sua falta de minutos no Chelsea de Frank Lampard, nesta temporada.

Mesmo sem Benzema, a França chegou a seu segundo título de Copa do Mundo, 20 anos depois da primeira conquista, o que dá argumentos suficientes para Deschamps seguir justificando a ausência do atacante do Real Madrid, mesmo tanto tempo depois do episódio envolvendo Valbuena.