Se alguém dissesse antes da Copa Africana de Nações começar que o Egito, um dos favoritos e time anfitrião da competição, iria ser eliminado pela África do Sul, certamente poucos acreditariam. Mas como diria um lendário apresentador, foi o que aconteceu exatamente. Nas oitavas de final, com o estádio lotado no Caio, os Bafana Bafana venceram o Egito por 1 a 0 e seguem sonhando com o título, algo que só veio uma vez na história, em 1996. O Egito de Mohamed Salah, principal estrela do torneio, fica pelo caminho.

Muralha amarela

Os sul-africanos não fizeram uma grande primeira fase, nem conseguiram impressionar em basicamente nenhum jogo. Perdeu o primeiro jogo para a Costa do Marfim por 1 a 0, venceu a Namíbia por 1 a 0 e perdeu de Marrocos por 1 a 0. Em nenhum deles mostrou muito futebol.

Só que contra um dos melhores times da CAN, os sul-africanos, enfim, mostraram alguma coisa. E complicaram a vida dos anfitriões. Montaram uma defesa bastante rígida, dando poucos espaços. Não era muito perigoso no ataque, é verdade, mas travou o jogo e conseguiu irritar a torcida do time da casa.

Posse de bola

Os egípcios, como esperado, ficaram boa parte do tempo do jogo com a bola. Rodando de um lado para outro, tentando superar os raçudos sul-africanos, bloqueando as laterais e deixando que Salah nunca recebesse com espaço, nem para colocar velocidade, nem para chutar a gol. Era uma posse de bola pouco útil para os mandantes.

Salah abriu o caminho, Trezeguet perdeu

Duas vezes ao longo da partida Mohamed Salah conseguiu abrir um pouco de espaço e deixou um companheiro na cara do gol. Foram as duas melhores chances de gol do egípcio. No primeiro tempo, Salah puxou da direita para o meio, tocou para Trezeguet e o atacante finalizou fraco, no meio do gol.

No segundo tempo, mais uma vez, Salah achou um passe preciso, que passou no meio de vários defensores para chegar ao pé de Trezeguet. Desta vez, Trezeguet bateu mais forte, só que também mais torto e mandou para fora. Desperdiçou as duas chances.

Primeiros sinais

A África do Sul não era muito ativa no ataque, mas sempre que chegava, o fazia de modo estruturado. Os sul-africanos pareciam saber o que estavam fazendo, tocando de pé em pé e raramente deixando um jogador com a bola isolado. Sempre trabalhando em aproximações, até porque isso mantinha o time também bem próximo para atacar.

Em dois momentos, a África do Sul armou contra-ataques com passes rápidos e precisos. Não conseguiu engatar, mas mostrou que a arma estava pronta para ser usada. Bastava um pouco de espaço e poderia ser fatal.

Contra-ataque mortal

Zungu teve a bola, fez um belo lançamento para a direita onde o centroavante Mothiba estava posicionado, recebeu e tocou para o meio para Thembinkosi Lorch. Ele dominou e tocou com muita categoria, no canto, marcando 1 a 0 aos 40 minutos do segundo tempo. Um golpe que acabou sendo mortal nas pretensões egípcias.

Próximo jogo

África do Sul vai para o duelo com a Nigéria na próxima quarta-feira, dia 10.

Ficha técnica

Egito 0x1 África do Sul

Local: Cairo International Stadium, no Cairo
Árbitro: Eric Otogo Castane (Gabão)
Gols: Thembinkosi Lorch aos 40’/2T (África do Sul)
Cartões amarelos:
Ayman Ashraf (Egito), Sifiso Hlanti, Bongani Zungu, Thulani Hlatshwayo (África do Sul)

Egito: Mohamed El-Shenawy; Ahmed El-Mohamady, Mahmoud Alaa Eldin, Ahmed Hegazy e Ayman Ashraf; Tarek Hamed e Mohamed Elneny (Walid Soliman); Mohamed Salah, Abdallah El-Said (Amr Warda) e Mahmoud Trezeguet; Marwan Mohsen (Marwan Mohsen). Técnico: Jjavier Aguirre

África do Sul: Ronwen Williams; Thamsanqa Mkhize, Thulani Hlatshwayo, Buhle Mkhwanazi e Sifiso Hlanti; Bongani Zungu, Dean Furman (Hlompho Kekana) e Komohelo Mokotjo; Percy Tau, Lebo Mothiba e Thembinkosi Lorch (Lars Veldwijk). Técnico: Stuart Baxter