A seleção chilena viveu seus melhores anos nos anos de 2015 e 2016, quando conquistou duas Copas América que colocaram o país em evidência. Para muitos, a geração chilena foi considerada a melhor de todos os tempos. Antes, porém, o Chile um time com ataque peso pesado: Marcelo Salas e Ivan Zamorano, dupla de ataque na Copa de 1998. Zamorano foi um jogador de muito destaque no futebol europeu. Suas passagens por Real Madrid e Internazionale deixaram marcas importantes. Uma delas algo diferente: uma camisa inusitada, a 1+8, suada de 1998/99 até 2000/01, quando deixou o clube italiano.

Ivan Zamorano é um clássico camisa 9 e vestiu esse número com regularidade. Isso até a temporada 1998/99, quando Ronaldo ficou com a camisa 9 e deixou o chileno tendo que escolher outro número. A criatividade, então, o levou a uma ideia inusitada, que fez muito sucesso e é lembrada até hoje.

“Minha camisa 1+8 da Inter é algo insólito na história do futebol. Todos os torcedores italianos me lembram dessa camiseta. Ronaldo para mim foi o melhor 9 da história e dar a ele minha camisa 9 a ele era o que tinha que fazer. Assim, me reinventei com a 1+8. Tanto na vida como no futebol, temos que nos reinventar”.

A sua passagem pelo futebol europeu terminou em 2001. E, por pouco, não veio fazer história no futebol argentino. O atacante surgiu no Cobresal, pequeno clube chileno, em 1983. De lá, foi emprestado uma temporada para o Cobreandino, outro clube pequeno. Voltou ao Cobresal e ficou até 1988, quando foi para o St. Gallen, da Suíça.

Ficou duas temporadas no clube, marcou muitos gols e deu o salto: em 1990, foi para o Sevilla. Foram dois anos na Andaluzia e de lá deu outro salto: foi para o Real Madrid em 1992. Foram 97 gols em 168 jogos pelo clube blanco, o que garantiu a ele um status de goleador internacional.

Em 1996, se transferiu para a Inter para ser o camisa 9 do clube. No ano seguinte, 1997, chegou Ronaldo Nazário, o fenômeno, que passou, claro, a ser o titular absoluto. No primeiro ano, Zamorano ainda manteve a camisa 9 e o brasileiro jogou com a 10. A partir do segundo ano, com o acordo entre Inter e Nike em vigor, a marca americana queria sua principal estrela com a camisa 9, afinal, já tinha uma marca R9 associada a ele.

O que poderia ser um episódio triste para Zamorano acabou se tornando folclórico. Zamorano cedeu a camisa 9 para Ronaldo e ele mesmo passou a vestir a camisa 1+8. Sim, isso mesmo: o número oficialmente era 18, mas a camisa tinha um 1+8. Logo, um outro camisa 9. Foi um belo golpe de marketing, porque virou algo que se diz até hoje. Ele deixaria o clube em 2001, rumo ao América do México e, depois, encerraria a carreira defendendo o Colo-Colo, em 2003. Mas quase desviou a sua rota da Itália para a Argentina, em um momento que o Boca era fortíssimo no continente.

“Onde estive mais perto de jogar na Argentina foi no Boca. Me ofereceram um contrato no ano 2000, mas eu já tinha um acerto de palavra com o América (do México). Minha mulher é torcedora do Boca, meus filhos também, meu sogro do Independiente. Cada vez que vou para lá, vamos aos dois clubes e ao estádio”, afirmou o ex-atacante.

Zamorano é casado com a argentina María Albero e conhece muito bem o país. Atualmente, o chileno, que tinha o apelido de “Bam-Bam”, é comentarista. Perguntado na TNT Sports sobre atacantes parecidos com ele no futebol atual, ele mirou alto.

“Cristiano Ronaldo é muito similar a mim porque fica um segundo a mais no ar, é um fenômeno. E Palermo foi um dos melhores do mundo nessa área, não ficava tanto no ar, mas tinha uma potência incrível, como mostrou no gol contra o Vélez, quase do meio do campo. Eu valorizo Palermo e seu espírito de luta, sua entrega, muito parecido comigo. Eu tinha muita segurança na cabeçada, resolvia no ar”, afirmou.

Independiente

Por ter um sogro torcedor do Independiente, Zamorano desenvolveu certa simpatia pelo clube de Avellaneda. Por isso, viveu um momento de tristeza com a vitória do Racing no clássico, neste ano. “Me doeu mais por meu sogro porque sei o que significam esses clássicos na Argentina. Como simpatizante ou torcedor do Independente, estive no estádio vendo muitos clássicos. Na verdade, se bem me lembro, estava quando Kun Agüero estreou com um gol, estávamos com meu sogro”, contou. “O fato do Racing ter vencido um jogo dessa natureza com dois jogadores a menos deixa a situação muito feia”.

Ao menos uma coisa Zamorano pôde comemorar: a presença chilena no Racing. “Acompanho Arias, Mena e Díaz no Racing, são pessoas fantásticas. Um está seguindo outro chileno pelo mundo, me alegra que vençam e joguem bem. Tenho muitos amigos do Racing, as pessoas estão muito contentes com os três. Uma vez falei com um amigo meu que é íntimo de Coudet, perguntei por Chelo Díaz e me disse que integraram perfeitamente à dinâmica do Racing”.

Seleção chilena

“[Marcelo] Bielsa marcou uma etapa importante na seleção chilena, foi fundamental para o projeto que hoje é uma absoluta realidade. É um antes e um depois de Bielsa, acertou detalhes e a disciplina. Nós chilenos estamos muito agradecidos, marcou o caminho de uma geração”, comentou.

Maradona técnico

“Me dá muita alegria que Diego esteja treinando, que tenha voltado ao seu país, o amor que recebe das pessoas faz muito bem a ele. Eu o vi em Sinaloa, aproveitou muito a experiência, mas no último momento ali eu o vi com falta de forças, por isso lhe faz tão bem voltar ao futebol argentino, ao Maradona treinador e pessoa”.

Sampaoli na Copa 2018

“Esperava-se muito mais da seleção de Sampaoli na Rússia, tendo em conta o antecedente que fez no Chile. Se vê que internamente aconteceram muitas coisas que fizeram com que a equipe não estivesse 100%, influenciou o caráter de alguns jogadores e também o rendimento, nessa instância a equipe não esteve à altura”.

Duelos com Roberto Ayala

“Com Roberto Ayala em Milão nos matávamos no campo, mas depois nos dávamos muito bem. Não nos falávamos antes, somente me fazia sentir a marca. No ar, saíam faíscas. Era nossa maneira de ser, dois guerreiros, mas depois comíamos churrascos na sua casa, na de [Javier] Zanetti e Guglielminpietro. Os argentinos são muito integradores, tínhamos um lindo grupo em Milão”.

Relação com Valdano

“Na temporada 1993/94, fui artilheiro com o Real Madrid e quando chegou Valdano [que na época foi técnico] me chamou à parte e me disse diretamente que não ia contar comigo, que eu buscasse outra equipe, mas me apeguei à possibilidade de ficar e lutar por um lugar. Terminei sendo o exemplo da sua equipe, o soldado de Valdano, o emblema (risos). Se deu conta de que se equivocou no primeiro dia de treinamento na Suíça. Logo, minha relação com ele foi extraordinária”.

Quanto custou Zamorano

“Hoje é um futebol mais comercializado, com mais marketing. Uma vez me perguntaram o quanto eu valeria. Quanto custaria um Francesco, um Batistuta. E o que se pagava em tempos anteriores aos meus? O Real Madrid me contratou por € 3,5 milhões, pouco para valores tratados hoje”.

Ibrahimovic

“Eu estava no último clássico de Milão. Zlatan Ibrahimovic jogou e descobri que ele disse ‘Zamorano é uma lenda’. Fiquei muito lisonjeado porque ele ganhou tudo no futebol e porque ele ganhou tudo no futebol e porque não é um cara que demonstra muito as coisas. Suas palavras me deram suas palavras”.

“Roubo na Copa 1998”

“Na França, em 1998, tínhamos uma grande equipe, com bom futebol, poderíamos machucar qualquer um. Tapia no gol, Fuentes, Rojas, Castañeda, Villarroal, Acuña, Parraguez, Veja, Sierra, Estay, Salas e os demais. Os três jogos que jogamos deveríamos ter vencido. O árbitro roubou a partida contra a Itália com um pênalti inventado”.