O Zamora tem tudo para ser o pior time da fase de grupos da Taça Libertadores. Dos cinco jogos que disputou até agora, empatou um e perdeu quatro. E, incrivelmente, não marcou nenhum gol sequer. O péssimo retrospecto, porém, não é motivo de desespero na equipe venezuelana. Claro que o torcedor queria mais – e até se empolgou com o 0 a 0 contra o Boca Juniors, em casa, logo na estreia. Mas só o fato de ter participado da principal competição interclubes do continente já é motivo de festa para os zamoranos.

Fundado em 1977 como Atlético Zamora, o clube só passou a ter projeção mesmo na temporada 2005/06 quando, já com o nome atual (Zamora Fútbol Club), foi vice-campeão da segunda divisão venezuelana e garantiu o acesso à elite do futebol do país. Antes disso, o Zamora havia passado vários anos em que nem sequer disputava campeonatos profissionais. A participação na segundona só foi possível, inclusive, porque seus dirigentes resolveram comprar a franquia do San Cristóbal e montaram, em 2002, uma equipe formada com base nos jogadores da própria cidade.

Barinas, vale o parênteses, é uma cidade antiga: foi fundada em 1759, mas sua existência enquanto povoado data de 1577. Atualmente, possui cerca de 350 mil habitantes e tem nas universidades, na agricultura e na indústria petrolífera suas bases econômicas.

Logo em seu primeiro ano na divisão principal, o Zamora ganhou um belo presente. O governo venezuelano revitalizou o estádio Agustín Tovar (também conhecido por “La Carolina”), que foi uma das sedes da Copa América de 2007. A fase era mesmo boa. Em 2006/07, o quarto lugar no Campeonato Venezuelano (somando as classificações do Apertura e do Clausura) permitiu ao time participar de sua primeira competição internacional: a Copa Sul-Americana. A eliminação, porém, veio logo na primeira fase, ante o Olmedo, do Equador. Nova participação na Sul-Americana ocorreria em 2009, quando a eliminação aconteceu novamente na primeira fase e novamente diante de equatorianos, desta vez do Emelec.

Mas foi 2011 o principal ano da história zamorana. Embalado pelo vice-campeonato da Copa da Venezuela do ano anterior (torneio que vencera no longínquo 1980), o time comandado pelo técnico Jesús “Chuy” Vera conquistou o título do Torneio Clausura. A campanha foi irrepreensível: 13 vitórias, três empates e somente uma derrota. O time foi dono ainda do melhor ataque e da melhor defesa da competição (37 gols marcados e dez sofridos).

Na final do campeonato nacional, contra o Deportivo Táchira (campeão do Apertura), a equipe de Barinas sucumbiu e acabou ficando com o vice-campeonato ao perder por 1 a 0 em casa e empatar por 0 a 0 fora. Mas a vaga na Libertadores deste ano já estava garantida. A alegria em participar da competição continental é tamanha que a diretoria classificou como histórico o primeiro semestre de 2012, em carta publicada no site oficial do clube. “Pela primeira vez desde 1977, quando o futebol profissional invadiu a ‘cidade marques’ (como Barinas é conhecida), o sonho de muitos era ver a participação de suas cores branca e negra no mais importante torneio de clubes de futebol da América do Sul, e por fim, a espera terminou”, diz um trecho da carta.

É por isso tudo que fica fácil comprovar que, mesmo com uma campanha pífia, o Zamora ainda se lembrará com carinho, por muitos, da Libertadores 2012. Em tempo: como futebol é futebol, claro que alguém tinha de pagar pelos maus resultados. Por isso, o técnico Oscar Gil foi demitido após a derrota para o Arsenal Sarandí por 1 a 0, em casa, pela penúltima rodada da fase de grupos. Julio Quintero foi contratado para o cargo.