Há exatos 30 anos, em setembro de 1988, desenrolava-se em Seul uma edição memorável do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos. E uma das grandes histórias daquela competição foi protagonizada pela seleção de Zâmbia, que, liderada pelo habilidoso goleador Kalusha Bwalya, surpreendeu o mundo ao golear a favorita Itália, repleta de nomes tarimbados da Serie A, por 4 a 0 na fase de grupos, em um dos primeiros resultados históricos obtidos por uma seleção da chamada África Negra. A trajetória daquela equipe é o tema desta “Azarões Eternos”.

A caminhada até Seul

No fim de 1986, o futebol de Zâmbia estava desacreditado. Escolhido como sede da Copa Africana de Nações a ser realizada dali a dois anos, o país assistiu consternado ao governo nacional anunciar oficialmente a desistência de receber a competição, alegando problemas financeiros. E em agosto do ano seguinte, a seleção sofreria uma humilhante desclassificação para o Malawi nos gols fora de casa pelos Jogos Pan-Africanos. Inscrita no torneio pré-olímpico africano, disputado todo em mata-mata, a equipe não nutria expectativas de chegar longe.

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Em julho, a seleção havia derrotado a Botswana com um tranquilo 7 a 0 no agregado pela primeira eliminatória. Mas o resultado foi facilitado pela fraqueza do adversário. Três meses depois, sem contar com seus profissionais que atuavam no exterior, a equipe foi batida por Uganda por 2 a 1 em Kampala. Mas no jogo de volta, em novembro, uma goleada por 5 a 0 trouxe, além da classificação para a terceira fase (a ser disputada em janeiro), uma nova esperança para o time comandado pelo antigo ídolo do futebol nacional Samuel “Zoom” Ndhlovu.

Aquela etapa decidiria uma vaga em Seul, e os zambianos teriam Gana pela frente. Uma vitória por 2 a 0 com gols de Wisdom Chansa e Kalusha Bwalya na ida deu boa vantagem para a volta em Accra, quando a equipe perdeu pelo placar mínimo (gol de Tony Yeboah), mas carimbou o passaporte para os Jogos. Na volta a Lusaka, a classificação heroica mereceu recepção com tapete vermelho no aeroporto, homenagens oficiais e desfile em carro aberto pela cidade, em meio à multidão de torcedores. O que eles não imaginavam é que feitos maiores os aguardavam.

Os Chipolopolo (apelido da seleção local, que pode ser traduzido como ‘as balas de cobre’) já haviam disputado o torneio olímpico de futebol nos Jogos de Moscou, em 1980, mas a campanha foi decepcionante, perdendo as três partidas em um grupo com a dona da casa União Soviética, Cuba e Venezuela. Oito anos depois, além de caírem numa chave de nível técnico ligeiramente superior (Itália, Iraque e Guatemala – esta, classificada na vaga do México, suspenso pela Fifa por adulterar a documentação de atletas), o regulamento da competição havia passado por grandes mudanças.

Um torneio empolgante

Em 1984, nos Jogos de Los Angeles, o torneio olímpico admitiu pela primeira vez a participação de jogadores profissionais. Havia, porém, uma restrição (que já existia nos Jogos de Moscou e foi mantida): os atletas de seleções europeias e sul-americanas que já tivessem atuado em partidas de Copas do Mundo (fosse pelas Eliminatórias ou pela fase final) estavam afastados da disputa. A regra, porém, demorou a ser fechada e gerou muita confusão numa edição já tumultuada em virtude do boicote cumprido por muitos dos países alinhados à União Soviética.

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Melhor assimilada, a proibição foi mantida para Seul, quatro anos depois, mas com uma pequena adaptação: ficavam liberados para participar aqueles atletas das seleções europeias e sul-americanas que tivessem atuado menos de 90 minutos em uma única partida de Copa do Mundo (Eliminatórias ou fase final). Coincidentemente, aquela também seria a primeira edição do torneio olímpico a contar com as quatro grandes potências históricas da Copa do Mundo: Brasil, Argentina, Alemanha (Ocidental) e Itália.

O resultado foi o torneio olímpico de melhor nível técnico desde os anos 1920, com várias seleções apresentando equipes próximas do que seriam seus times nos dois Mundiais seguintes. O Brasil, que mesclava jovens como Taffarel, Bebeto e Romário a nomes experientes como Luís Carlos Winck, Andrade e Geovani, era um dos grandes favoritos, juntamente com a Itália, que traria vários titulares das potências do país em plena Era de Ouro do Calcio.

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Mas era bom prestar atenção na Alemanha Ocidental de Jürgen Klinsmann, Thomas Hässler e Frank Mill. Na Iugoslávia de Dragan Stojkovic, Srecko Katanec e Davor Suker. Na Suécia de Jonas Thern, Anders Limpar e Martin Dahlin. Na Argentina de Luís Islas, Nestor Fabbri e Hernán Díaz. E sobretudo na União Soviética de Igor Dobrovolski, Aleksei Mikhailichenko e Sergei Gorlukovich, que voltava disposta a recuperar o terreno perdido com a ausência de quatro anos antes.

Mesmo as seleções de centros menos desenvolvidos prometiam complicar. Livres das barreiras que afetavam europeus e sul-americanos, recorriam a jogadores com experiência de Copas, caso do Iraque (de Ahmed Radhi) e da Tunísia (do veterano Tarek Dhiab, presente no Mundial da Argentina, uma década atrás). Outras apostavam em novas gerações, como os Estados Unidos de John Harkes, Tab Ramos e Paul Caligiuri e a Nigéria de Rashidi Yekini. Já a anfitriã Coreia do Sul misturava experientes como Choi Soon-Ho a novatos como Kim Joo-Sung.

Pronta para surpreender

Zâmbia não tinha jogadores com tarimba de Mundiais, mas contava com uma certa qualidade e experiência. Dos 20 convocados, cinco atuavam na Europa (quatro na Bélgica): Charly Musonda era do poderoso Anderlecht, enquanto Kalusha Bwalya defendia o pequeno Cercle Brugge e o meia Lucky Msiska e o atacante Stone Nyirenda jogavam no ainda mais modesto Roeselare. Johnson Bwalya, por sua vez, era do Sion suíço. Os outros 15 que atuavam no próprio país se dividiam por oito clubes diferentes, como o Nchanga Rangers e o Kabwe Warriors.

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Na estreia, contra o Iraque, o time saiu atrás por um pênalti convertido pelo meia Ahmed Radhi, mas empatou com Stone Nyirenda antes do intervalo e virou na etapa final com Kalusha Bwalya. Os asiáticos empatariam cinco minutos depois com Karim Alawi, num chute de longe que contou com falha do goleiro reserva Mwanza, que substituíra Chabala durante o jogo. Na outra partida, a Itália goleou a fraca Guatemala (5 a 2), como se esperava, mas mostrou uma defesa desatenta, especialmente em bolas paradas, algo incomum para a tradição do país.

Armado num 4-4-2 simples, mas permitindo variações na formação ofensiva, o time de Zâmbia para a estreia era praticamente a equipe-base da campanha. O experiente David Efford Chabala, titular há cinco anos, era o goleiro. James Chitalu, o lateral-direito do primeiro jogo, logo perderia o posto para Manfred Chabinga, que se firmaria. O capitão Ashols Melu, 31 anos, era o mais veterano do time, preciso nos desarmes e intocável no miolo de zaga. Ao lado, jogava Samuel Chomba, com Edmon Mumba sendo nome certo na lateral-esquerda.

O meio-campo começava com o dinâmico volante Derby Makinka, que ajudava no combate no setor e na transição ofensiva. Um pouco mais à frente pelo centro, atuava o criativo Charles Musonda, o mais jovem da equipe e grande promessa do futebol do país. Pela direita, aberto, jogava Johnson Bwalya, bom tanto na cobertura da defesa por aquele lado quanto na armação de jogadas e nas descidas ao ataque. Já pela esquerda, em tese, atuava Wisdom Chansa.

“Em tese” porque Kalusha Bwalya, o camisa 12, não guardava posição e aparecia com frequência por aquele lado, invertendo com Chansa, que passava ao centro do ataque. Jogador de grande habilidade e impetuosidade, além de bom finalizador, Kalusha era o centro das jogadas ofensivas de Zâmbia e fazia boa dupla com Stone Nyirenda, este atacante nato, embora também fosse visto aparecendo na criação das jogadas ou caindo pelos flancos.

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Para a aguardada partida contra a Azzurra, o time sofreu apenas uma alteração: o lateral-direito Chitalu deu lugar a Chabinga. Em junho, a seleção olímpica havia batido a Itália sub-21 ali mesmo em solo sul-coreano na disputa da tradicional President Cup, torneio que misturava clubes e seleções (e que chegou a ser vencido por equipes brasileiras, como o Bangu e o Operário-MS). Mas desta vez, haveria do outro lado uma equipe italiana cravejada de jogadores titulares dos principais clubes do país naquele momento.

A começar por Stefano Tacconi, camisa 1 da Juventus. Na defesa, vinham os laterais Mauro Tassotti (Milan) e Luigi De Agostini (recém-transferido do Verona para a Juve), o líbero Roberto Cravero (Torino) e o stopper Ciro Ferrara (Napoli). No meio, os volantes Angelo Colombo (Milan) e Roberto Galia (Juventus) – este, no lugar do milanista Alberigo Evani – davam suporte à criatividade do ponteiro Massimo Mauro (Juventus) e do armador Giuseppe Iachini (Verona).

Na frente, havia uma dupla de goleadores de respeito até para a seleção principal: Andrea Carnevale formava o tridente ofensivo do Napoli com Maradona e Careca. Enquanto Pietro Paolo Virdis havia cumprido com louvor a missão de substituir o lesionado Marco van Basten no Milan, sagrando-se não só campeão como também artilheiro da Serie A com 18 gols. Somado a tudo isso, havia uma cuidadosa preparação, que provocou até mesmo o adiamento do início do Calcio na temporada 1988/89 para que a seleção disputasse o torneio olímpico em setembro.

O jogo que entrou para a história

Na partida disputada em 19 de setembro no estádio de Kwangju, sede principal daquele grupo, a Itália começou logo buscando o gol, sempre em cruzamentos da direita à procura de Carnevale, que desperdiçou duas boas chances nos primeiros cinco minutos. Mas Zâmbia mostrou que podia assustar em chutes fortes: Nyirenda desceu pela esquerda e disparou um petardo para defesa complicada de Tacconi e, mais tarde, Makinka recebeu na intermediária e soltou outro foguete, espalmado para escanteio pelo arqueiro italiano.

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Aos poucos, outras qualidades dos africanos foram sobressaindo: os passes curtos e envolventes em triangulações rápidas e a habilidade individual. Como no lance em que Kalusha Bwalya passou por três italianos e chutou cruzado, mas Nyirenda chegou uma fração de segundos atrasado, perdendo a chance de abrir o placar aos 17 minutos. Já a Itália só ocupava a intermediária defensiva dos africanos para recuperar a bola: seus ataques saíam quase todos de lançamentos longos e descidas pelas pontas (especialmente a direita) e cruzamentos sobre a área.

Desse modo, Zâmbia continuava criando chances mais perigosas, como o chute rasteiro venenoso de Johnson Bwalya de fora da área, que obrigou Tacconi a intervir aos 25 minutos. Ou a cabeçada de Nyirenda, que ganhou de Ferrara na jogada aérea e viu a bola passar muito perto da trave, aos 31. Até que, aos 40 minutos, Chansa roubou a bola de Colombo no campo defensivo e logo passou a Nyirenda. O atacante avançou a jogada, encontrando Kalusha Bwalya penetrando na área pelo lado esquerdo. O camisa 12 tocou rasteiro na saída de Tacconi e abriu o placar.

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O gol fazia justiça ao domínio africano no jogo, com seus quatro homens mais adiantados (os dois Bwalya, Nyirenda e Chansa) movimentando-se de maneira incessante por ambos os lados e pelo meio, confundindo a marcação e construindo as jogadas, diante de uma Itália apática, letárgica e muito falha nos passes e lançamentos, sem conseguir ameaçar. Somente depois do gol sofrido é que o time dirigido por Francesco Rocca se lançou com mais intensidade, mas a defesa africana se mostrou bastante inteligente para conter a pressão.

A Itália voltou mais incisiva na etapa final, querendo logo o empate para poder construir a virada e espantar a zebra africana que vestia camisas e calções laranjas e meiões verdes. O time de Zâmbia, no entanto, tratou logo de mostrar, por meio de perigosos contragolpes, que também não se encolheria. E que havia ainda um outro componente em seu jogo com o qual os italianos decididamente não contavam: a malícia.

Aos 10 minutos, Ferrara derrubou Nyirenda perto do bico da área pelo lado esquerdo, e Kalusha Bwalya se apresentou para cobrar a falta. Diante da barreira com dois adversários, orientou seus companheiros que levantaria a bola para a área. Mas, num lance genial, surpreendeu a todos, batendo por fora da barreira e colocando à meia altura, bem no canto de um incrédulo Tacconi. Um verdadeiro balde de água fria no ímpeto italiano daquele início da segunda etapa.

A irritação dos italianos com a desvantagem era tamanha que pouco depois do segundo gol Tacconi chegou a cometer um sobrepasso, marcado pelo árbitro, numa reposição de bola. Aos 15 minutos, Francesco Rocca mexe na equipe sacando Cravero para a entrada de Luca Pellegrini, líbero da Sampdoria, e Colombo para a entrada do volante Massimo Crippa, do Napoli. O jogo fica mais pegado, e Crippa chega a acertar Kalusha Bwalya sem bola, longe do olhar do árbitro.

Mas Zâmbia prefere responder na bola: no lance seguinte, aos 19 minutos, Musonda entrega a Johnson Bwalya, que finta um italiano e dispara um chutaço. A bola desvia em Pellegrini e toma o caminho das redes encobrindo um adiantado Tacconi. Totalmente entregue, a Itália escapa de sofrer outro gol quando Nyirenda recebe um passe em meio a um clarão aberto na zaga azul, mas o arqueiro consegue sair a tempo do gol para evitar a finalização.

A esta altura, Zâmbia já cerrava seu bloqueio preenchendo os espaços no meio-campo. Kalusha Bwalya ocupava mais a ponta-esquerda, com Chansa no lado oposto, levando Johnson Bwalya a fechar pelo centro, desenhando um 4-5-1. Nyirenda, mais isolado na frente, seria substituído pelo descansado atacante Webster Chikabala aos 26 minutos. Do outro lado, apagado durante quase todo o jogo, Carnevale perdeu um gol incrível após passe de Mauro nos minutos finais.

No apagar das luzes, a humilhação se fez completa quando, após uma triangulação, Kalusha Bwalya recebeu passe de Musonda, superou uma linha de impedimento falha da defesa italiana e gingou diante da indecisão de Tacconi na saída do gol para tocar rasteiro, marcando o quarto de Zâmbia (e o seu terceiro) na partida. Mal houve tempo para nova saída. Os cerca de 10 mil torcedores presentes ao estádio haviam acabado de presenciar um jogo histórico, em que os quase desconhecidos africanos deram um banho de bola na badalada Itália.

Depois da grande partida

Na última rodada do grupo, Zâmbia repetiu o placar contra a Guatemala, mas desta vez marcando quatro vezes na etapa final. Makinka abriu e fechou o placar, aos oito e aos 40 minutos, com outros dois gols de Kalusha Bwalya no meio, aos 34 e 37 minutos. A Itália, por sua vez, teve que suar para garantir a segunda vaga: foi para o intervalo do jogo contra o Iraque eliminada pelos árabes com o placar momentâneo de 0 a 0. Mas marcou duas vezes na etapa final e avançou.

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A sorte, porém, não sorriu para os africanos nas quartas de final. Tudo porque no Grupo A, que cruzaria com sua chave, a favorita Alemanha Ocidental também foi surpreendida, ao perder para a Suécia de virada na última rodada e acabou em segundo lugar, com os escandinavos na liderança. Caberia então a Zâmbia enfrentar o Nationalelf, enquanto a Itália mediria forças com os suecos – e os venceria na prorrogação, passando às semifinais.

A duelo com os alemães foi um triste desfecho e um completo anticlímax para a brilhante campanha de Zâmbia até ali. Não que o time africano tenha sido dominado. Na verdade, teve mais posse de bola e no segundo tempo até criou mais chances. Mas falhou muito na defesa e nas finalizações e teve Kalusha Bwalya – sua referência de jogo – marcado implacavelmente pelos adversários. Para piorar, parecia ser daqueles dias em que tudo deu errado para um lado e certo para o outro, culminando num placar que não refletiu o que foi o jogo.

Logo aos 18 minutos, Musonda cometeu pênalti em Schulz e o zagueiro Funkel converteu abrindo a contagem. Aos 34, uma bola mal recuada por Makinka na intermediária defensiva gerou um contragolpe letal dos alemães, com Klinsmann se livrando da marcação para finalizar. Do outro lado, Musonda tentou descontar com um chutaço da intermediária, mas o goleiro Kamps espalmou, e a bola ainda triscou o travessão antes de sair pela linha de fundo.

O terceiro gol saiu ainda no primeiro tempo: após cruzamento da esquerda, a bola chegou a Klinsmann, que deu um lindo drible no marcador e bateu rasteiro. E na etapa final, no último minuto, o lateral Mumba errou um domínio e praticamente entregou a bola nos pés do atacante alemão, que ainda contou com a colaboração do goleiro Chabala. Mesmo com a goleada sofrida (por ironia, pelo mesmo placar das duas vitórias anteriores), aquela seleção de Zâmbia já havia terminado o torneio num ótimo quinto lugar e reservado seu lugar na história.

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As Eliminatórias para Copa do Mundo da Itália, que vieram a seguir, foram frustrantes, mas o time faria boa campanha na Copa Africana de Nações realizada na Argélia em março de 1990, mesmo sem contar com Kalusha Bwalya, não liberado pelo PSV, seu novo clube após os Jogos Olímpicos. Na estreia, a seleção venceria a de Camarões (que dali a alguns meses brilharia no Mundial) e terminaria em primeiro na sua chave. Na semifinal, acabaria derrotada pela Nigéria, mas ainda bateria o Senegal e ficaria em terceiro lugar no torneio.

Em 27 de abril de 1993, seis jogadores que fizeram parte daquele elenco histórico viriam a falecer no desastre aéreo perto da costa do Gabão que dizimou a delegação de Zâmbia a caminho de um jogo contra o Senegal em Dakar pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994. Quatro haviam sido titulares em Seul: o goleiro Chabala, o zagueiro Chomba, o volante Makinka e o meia-atacante Chansa. Além deles, também perderam suas vidas o arqueiro reserva Richard Mwanza e o zagueiro Eston Mulenga, que enfrentara a Guatemala pelo torneio olímpico.

Dois destaques daquela equipe de 1988 escaparam por pouco de também serem vitimados: Kalusha Bwalya não estava no voo porque sairia da Holanda, onde jogava no PSV, para encontrar seus companheiros em Dakar. Charly Musonda, que ainda defendia o Anderlecht, estava fora da partida por lesão. Além deles, o capitão Ashols Melu, por sua vez, já havia pendurado as chuteiras e mais tarde assumiria o cargo de auxiliar técnico da seleção na nova comissão técnica formada após o desastre. Faleceria de problemas de saúde em 1997, aos 39 anos.

Quinzenalmente, o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas. Para visualizar o arquivo, clique aqui.

Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.