Wilfried Zaha vive um ótimo momento com o Crystal Palace. Protagonista do clube nas últimas temporadas, o atacante recentemente renovou o seu contrato com as Águias, depois de ser assediado por outras equipes, e se tornou um dos jogadores mais bem pagos da Premier League. Sua capacidade de decisão é elogiada e, em quatro partidas neste começo de temporada, já anotou três gols. Uma nova perspectiva, após enfrentar dificuldades no Manchester United. O marfinense havia sido comprado pelos Red Devils em 2013/14, no último acerto de Sir Alex Ferguson antes da aposentadoria. Contudo, disputou apenas quatro partidas pelos mancunianos em dois anos, emprestado ao Cardiff City neste intervalo, e retornou ao Palace para recuperar sua melhor forma. Nesta semana, Zaha comentou como a experiência negativa em Old Trafford moldou o seu caráter.

“É difícil aceitar uma experiência como aquela no Manchester United. Obviamente, chegar lá não é fácil. Por isso, não conseguia aceitar minha falta de chances. Não me arrependo de nada, porque isso me fez mais forte. Eu sinto que posso lidar com qualquer situação agora. Passei muitas coisas por causa do United. Surgiram rumores de que eu não jogava porque fui pra cama com a filha de David Moyes e ninguém no clube tentou esclarecer isso. Então, eu estava lutando sozinho contra meus demônios, contra esses rumores que não eram verdadeiros. Eu tinha 19 anos, vivendo sozinho em Manchester, sem ninguém por perto, porque o clube controlava onde eu morava. Eles não me deram um carro, como outros jogadores tinham. Estava vivendo um inferno na minha cabeça, longe da minha família e pensava: ‘Se isso não me tornar mais forte, o que fará?'”, declarou, em entrevista à revista ShortList.

Zaha demonstra certa mágoa pela maneira como era tratado também por quem via a situação de fora, admitindo enfrentar uma depressão: “As pessoas esquecem que os jogadores são seres humanos. Eu explico isso aos meus amigos todo o tempo. Quando eu estava no Manchester United, tinha dinheiro, mas estava para baixo e deprimido. As pessoas pensam que sua vida é diferente porque você tem dinheiro e fama, então não te tratam da mesma maneira. Através das minhas redes sociais, eu tento me conectar com os torcedores. Coloco coisas normais por lá, o que qualquer um pensa, sente e fala. Não estou buscando respostas por lá, apenas desabafo, para não ficar só na minha cabeça. Mas espero que as pessoas possam olhar e pensar como sou igual aos outros”.

Além disso, Zaha falou sobre a maneira como se sentiu durante a Copa do Mundo. O atacante nascido em Abidjan, na Costa do Marfim, se mudou à periferia de Londres ainda na infância e se juntou às categorias de base do Crystal Palace quando tinha 12 anos. Seu destaque no clube o levou às seleções de base e ele também chegaria a atuar em dois amistosos com o time principal da Inglaterra, convocado por Roy Hodgson. Contudo, diante da falta de espaço com os Three Lions, atendeu o convite da seleção marfinense e passou a defender os Elefantes a partir de 2017.

“Não me arrependo em ter escolhido a Costa do Marfim. Eu queria jogar pela seleção inglesa, porque estou no país desde que tenho quatro anos, mas chegou a um ponto em que pensei: ‘O que estou esperando? Quero uma carreira no futebol internacional, será que vou ter uma oportunidade com a Inglaterra?’. A Costa do Marfim vinha me pedindo faz tempo. O país e os torcedores já me amam, sendo que nem fiz nada. Posso não ter tapete vermelho ou os mesmos acordos com a Nike que a seleção inglesa tem, mas vou jogar. Vou ser amado e isso é tudo o que eu quero, nada mais. Então quando vi a Copa do Mundo, fiquei aborrecido, não porque queria estar com a Inglaterra, mas porque a Costa do Marfim poderia estar lá”, declarou.