Wilfried Zaha nasceu em Abidjan, na Costa do Marfim, mas não viveu por muito tempo no país. Ao lado dos pais e de oito irmãos, o garoto se mudou aos quatro anos de idade para Londres. Conviveu com a realidade dos imigrantes e fez sua vida na nova nação, sem nunca se esquecer das origens. Afinal, não foi apenas ao recusar a seleção inglesa no nível principal, mesmo depois de disputar amistosos, que o atacante manteve suas raízes com a África. Zaha conduz diversos trabalhos filantrópicos em sua terra natal e, por isso, recebeu uma condecoração no Prêmio Best of Africa 2019.

Zaha ganhou um troféu na categoria “Esforço Filantrópico”. O atacante doa 10% de seus salários a instituições de caridade na Costa do Marfim. Além disso, também apoia iniciativas que incentivam a educação e o bem-estar de jovens africanos. Transforma em atos a relevância que também possui como um exemplo de sucesso.

“Zaha foi selecionado por ser um atleta profissional que demonstra sua visão excepcional, sua paixão e seu compromisso com a liderança, desenvolvendo ou apoiando um paradigma mensurável. A razão pela qual ganhou esse prêmio é que nós o vemos verdadeiramente como um indivíduo fora de série, que celebramos por sua notável generosidade e pelo senso de propósito no campo da filantropia”, exaltou o Best of Africa.

Em entrevista à BBC, Zaha declarou como o ambiente em que cresceu com sua família permitiu a conscientização. Desde o começo de sua carreira no Crystal Palace, o atacante já doava uma parcela de seus ganhos a programas sociais.

“Sou muito ligado à minha família. Tenho uma família enorme e sinto que essa união é muito grande, então posso usar minha plataforma para ajudar as pessoas em meu país. Dou 10% dos meus salários desde que me tornei profissional para aqueles que não têm nada em meu país, aos que são menos afortunados, a mães que cuidam dos filhos sozinhas”, contou Zaha. “Ajudo o orfanato da minha irmã, basicamente cuido dele. A instituição toma conta de muitas crianças que não têm nada e me traz muita alegria saber que posso ajudá-las no dia a dia”.

O marfinense também garantiu que suas atitudes são guiadas pelo altruísmo e que não espera ganhar as manchetes com isso: “Não faço isso pelo reconhecimento ou qualquer coisa do tipo. As pessoas sabem que eu jogo aqui na Inglaterra e tenho minha vida aqui, mas eu me preocupo muito com meu país e faço o máximo que posso. O principal é que isso vem do coração, é tudo o que importa para mim”.

De certa maneira, Zaha se aproxima do pensamento de outro marfinense, Didier Drogba, que igualmente encabeçou iniciativas filantrópicas no país, mesmo crescendo na Europa: “Sou apenas um cara normal que conseguiu chegar até aqui vindo do nada, para realizar meu sonho de virar jogador e ajudar minha terra. Qualquer um pode fazer isso. Você pode vir de um vilarejo e ser abençoado para ajudar as pessoas. Sou orgulhoso de ter nascido na África. É algo massivo para mim. Tenho orgulho que meu país é reconhecido por jogadores como Yaya Touré, Kolo Touré, Didier Drogba e outros tantos. Sou feliz por fazer parte desta cultura de futebol”

Por fim, o atacante comentou a inspiração que oferece aos compatriotas, depois de ter optado pela seleção principal da Costa do Marfim em 2017: “Para mim, pessoalmente, sinto que tomei a decisão certa de jogar pela seleção marfinense, porque estou tentando deixar um legado para meu país. Meu objetivo é conquistar a Copa Africana de Nações e também ir o mais longe possível na Copa do Mundo. Temos muitos jogadores talentosos, precisamos apenas nos concentrar e trabalhar juntos”.

Além de Zaha, outros futebolistas notáveis foram homenageados no Best of Africa. N’Golo Kanté, Rio Ferdinand e Eni Aluko receberam menções pelo apoio sócio-econômico ao desenvolvimento da África. Exibem um comprometimento que supera o país onde nasceram ou onde constroem suas carreiras. O senso de pertencimento a uma realidade mais ampla é imenso.