Depois de expor mensagens racistas que recebeu de um torcedor do Aston Villa antes de enfrentar o clube da cidade de Birmingham, Wilfried Zaha publicou nesta segunda-feira (13) um pequeno comunicado, reagindo à prisão do perpetrador, que se descobriu ser um garoto de 12 anos. O jogador do Crystal Palace parabenizou a polícia local e cobrou mais ação da sociedade para lidar com o problema de racismo.

Em seu texto, Zaha reforçou a importância de que atos criminosos como o de que foi vítima tragam consequências a quem os comete, independentemente de idade. “Estou bem decepcionado que a gente não tenha conseguido um melhor resultado ontem, mas eu queria vir aqui para agradecer a todos vocês pelas mensagens de apoio. Eu também gostaria de agradecer à polícia de West Midlands por sua ação rápida ao fazer a prisão. As pessoas precisam entender que, independentemente de sua idade, seus comportamentos e suas palavras vêm com consequências e que você não pode se esconder atrás das redes sociais.”

Neste caso específico, o jogador do Crystal Palace dá a entender que o Instagram agiu rapidamente para lidar com o usuário. Mas, como bem sabemos, não é este o cenário na maioria das vezes, e Zaha joga os holofotes sobre as empresas de redes sociais, muito coniventes com ataques do tipo ao longo dos últimos anos.

“É importante que as plataformas de redes sociais façam como fizeram ontem, procurem estes indivíduos e os removam. Essa não é a primeira vez que recebi mensagens como essa, e eu também não sou o único jogador a receber mensagens como essa – acontece todos os dias.

Quero agradecer a todos pelo amor e pelo apoio, mas já chega. Não basta ficar enojado por essas mensagens que eu recebi e depois seguir em frente. Não basta dizer #nãoaoracismo. Precisamos de ação, precisamos de educação, as coisas precisam mudar.”

Roy Hodgson, técnico de Zaha no Crystal Palace, lamentou o episódio e parabenizou seu atleta por ter exposto as mensagens.

“Acho que é importante (que ele tenha tornado públicos os insultos). Acho que (o problema) está sendo destacado bastante com o movimento Vidas Negras Importam, de qualquer maneira, e todos parecem estar fazendo um esforço para erradicar esse tipo de comportamento. É muito triste que, no dia de um jogo, um jogador acorde com um abuso covarde e desprezível desses. O Wilf fez certo em conscientizar as pessoas sobre isso. Não acho que seja algo sobre o qual se deva ficar quieto”, comentou o treinador.

Desde o reinício da Premier League, impulsionados pela repercussão da morte de George Floyd nos Estados Unidos, os jogadores da primeira divisão inglesa têm se ajoelhado em protesto contra o racismo antes do início de cada partida da liga. Ao manterem o gesto durante semanas – e possivelmente até o fim do campeonato –, ajudam a manter a conversa rolando. Em seu posicionamento diante dos insultos que recebeu, Zaha joga ainda mais luz sobre o problema, em um momento em que o mundo parece mais pronto para ouvir do que historicamente o fez.