Nesta quarta-feira, outro episódio lamentável de racismo no futebol aconteceu aqui no Brasil, durante o Vasco x Independiente pela Copa RS Sub-20. Zagueiro cruzmaltino, Matheus Miranda denunciou as ofensas que sofreu de um jogador adversário, enquanto se preparava para cobrar um pênalti. Foi repetido o termo “macaco”, historicamente associado pelos argentinos contra os brasileiros e que, mesmo um século depois de seu uso preconceituoso mais notável, segue perpetuando a ignorância.

O mais importante no episódio, entretanto, é a maneira como Miranda respondeu ao caso. Além de denunciar o oponente ao árbitro, ele também resolveu o jogo. A vitória vascaína por 2 a 1, de virada, se consumou graças ao pênalti convertido pelo defensor. Durante a comemoração, ele se poupou da festa e seguiu à câmera para declarar seu orgulho. “Macaco não, eu tenho orgulho da minha cor!”, afirmou. Outros jogadores pediram respeito e aludiram à história do Vasco. O capitão cruzmaltino também chorou enquanto retornava ao campo de defesa.

Já nesta quinta, Miranda se manifestou em seu twitter: “Ontem, aconteceu um fato que eu jamais esperava dentro de campo, me pego emocionado sempre quando lembro. Quando pequeno, minha mãe sempre dizia que haveria atos de racismo contra mim, me ensinou a lidar com isso desde cedo, com sabedoria e inteligência. Ontem não foi diferente, naquele momento só estava concentrado em fazer o pênalti e nada mais. Triste demais, ainda em dias como hoje, infelizmente tem pessoas muito ruins nesse mundo e precisamos lidar com elas sempre com sabedoria, não se resolve nada com violência. RESILIÊNCIA”.

Em suas próprias redes sociais, o Vasco declarou o apoio ao jogador. É importante, agora, que a denúncia siga em frente e que o atleta do Independiente seja responsabilizado por seus atos. O racismo precisa ser levado mais a sério no futebol e render punições severas – o que raras vezes acontece.