A última rodada do Grupo H valia pouco esportivamente. Manchester United e Juventus brigavam pelo primeiro lugar do grupo, enfrentando equipes que já tinham suas posições definidas – o Valencia garantido como terceiro e com vaga na Liga Europa e o Young Boys em último. O que se viu em campo é que os eliminados quiseram se despedir com honra e conquistaram vitórias importantes. Curiosamente, os dois jogos acabaram com o mesmo placar, 2 a 1 para os mandantes.

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O United precisava de uma vitória e torcer por tropeço da Juventus contra o Young Boys na Suíça para ficar com o primeiro lugar. Era a importância dos dois jogos. Logo aos 17 minutos, Carlos Soler marcou 1 a 0 para o Valencia no estádio Mestalla. E não marcou o segundo gol no primeiro tempo, mas poderia. Criou chances para isso e só o time da casa jogava. O United de José Mourinho, não fosse pelo uniforme, poderia ser confundido com o Osasuna. Não apresentou futebol. Dá para dizer quase que nem se apresentou.

No outro jogo, na Suíça, o atacante Guillaume Hoarau, ex-PSG, fez 1 a 0 para o Young Boys, aos 30 minutos do primeiro tempo. Os dois mandantes, eliminados, causavam problemas aos dois gigantes. Os dois foram para o intervalo vencendo o jogo, o que mantinha tudo como antes: Juventus em primeiro, United em segundo.

O Valencia conseguiu marcar o segundo gol cedo, aos dois minutos da etapa final. Phil Jones, contra, matou o goleiro Sergio Romero em um toque para trás: 2 a 0 para os Ches. Na Suíça, o Young Boys também ampliou a vantagem sobre a Juventus, outra vez com Hoarau. O centroavante recebeu, fintou Leonardo Bonucci, e finalizou de pé esquerdo no canto, marcando 2 a 0. Não é todo dia que se vê Hoarau entortar Bonucci. Fica o registro.

Paulo Dybala, que entrou no segundo tempo, diminuiu o placar aos 35 minutos, em um bonito chute de fora da área, depois de Cristiano Ronaldo ajeitar a bola para o argentino. Os minutos finais, então, foram de pressão do time italiano, que tentava o gol de empate a todo custo.

Na Espanha, o Manchester United também conseguiu diminuir o placar. Mesmo sem fazer muita coisa em campo, o time arrancou um gol com o atacante Marcus Rashford, completando de cabeça uma jogada pela esquerda. Sozinho dentro da área, o camisa 10 do time de José Mourinho subiu bonito para marcar, tirando do goleiro com uma cabeçada no canto, aos 42 minutos. Só que foi tarde demais para o United. O time não conseguiria mais fazer nada.

No outro jogo, a emoção foi mais longe, até os segundos finais. Nos acréscimos, a bola sobrou de fora da área e Dybala acertou um míssil com o pé esquerdo, no ângulo. Golaço, que empataria o jogo. Sim, empataria, no futuro do pretérito, porque o árbitro levantou o braço. Impedimento de Cristiano Ronaldo marcado. O que pareceu um erro, no replay se confirmou: o camisa 7 não estava só à frente, em posição de impedimento, ele efetivamente faz o movimento para cabecear a bola e desviar. Não dá para saber se a bola efetivamente tocou nele, mas ele fez todo o movimento. Por isso, o árbitro marcou o impedimento. Reclamação dos italianos, mas comemoração dos suíços.

O Young Boys se despede da Champions League com uma importante e histórica vitória contra a Juventus. O time, que voltou a ser campeão suíço na temporada passada depois de tanto tempo, consegue uma participação digna na competição. E isso com Cristiano Ronaldo em campo, como titular, e inclusive perdendo boas chances – só no primeiro tempo foram três, além de uma bola na trave no segundo. O português ficou perto de marcar, mas não marcou.

O saldo dos dois jogos é que a Juventus jogou menos do que podia, embora tenha pressionado muito no segundo tempo. A derrota, embora surpreendente, não é exatamente preocupante. O time já mostrou capacidade e efetividade nesta temporada que fazem com que se imagine um desempenho melhor do que o deste jogo nas oitavas de final.

No caso do Manchester United, é bem diferente. O time não jogou nada, mais uma vez. Não apresentou futebol e foi derrotado com justiça pelo Valencia. Perdeu bem perdido, como aconteceu em outros momentos da temporada. A falta de futebol do time é um problema crônico há muito tempo, não só desta temporada.

É difícil imaginar que diante de um adversário melhor, nas oitavas de final, o time consiga jogar muito melhor. Seria um coelho na cartola. Pode acontecer, mas precisará de um mágico. E José Mourinho não tem mostrado nenhum truque atualmente. Se ele tem algo na manga, precisará sacar logo, porque o futebol do time está desaparecido. O que se viu no estádio Mestalla nesta quarta-feira foi o United passando vergonha. Mais uma vez.


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