Yayá Touré decidiu se aposentar do futebol profissional, segundo o seu empresário Dimitry Seluk. Coloca um fim a uma carreira gloriosa, com passagens importantes pelo Barcelona e Manchester City, certamente os dois clubes mais marcantes da sua vida. O marfinense, que esteve nas Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014. Aos 35 anos, o jogador estava sem clube depois da sua passagem sem sucesso pelo Olympiacos, em 2018.

Touré é um dos jogadores de maior destaque nessa geração de marfinenses, que levaram o país às suas três primeiras Copas do Mundo, além de sucessos na Copa Africana de Nações, com o título em 2015 e várias boas campanhas que acabaram em frustração antes disso. Touré foi eleito o jogador africano do ano por quatro vezes, em 2011, 2012, 2013 e 2014.

Foi também eleito o jogador do Manchester City do ano na temporada 2013/14, em uma temporada que foi brilhante. Foram 24 gols marcados, além de 12 assistências, conduzindo o time à conquista da Premier League. Aquele foi o seu melhor ano pelo clube, mas ele foi um jogador importante durante várias temporadas. Contratado em 2010, vindo de um Barcelona onde era um coadjuvante, Yayá Touré se tornou um protagonista na Inglaterra. Foi adiantado várias vezes de um jogador de meio-campo defensivo – que tinha jogado até como zagueiro no Barcelona – para um meia ofensivo, encostando no ataque e marcando muitos gols, algo que não era a sua característica nos clubes anteriores.

Depois de fazer as categorias de base na Costa do Marfim pelo ASEC Mimosas, o primeiro clube europeu de Yayá Touré foi o Beveren, da Bélgica, onde chegou em 2001 e ficou até 2003. Passou pelo Metalurgh Donetsk, que já fechou as portas, de 2003 a 2005. Teve uma ótima temporada pelo Olympiacos em 2005/06, o que lhe rendeu a transferência para o Monaco. Mais uma vez, foi muito bem na temporada 2006/07 e foi contratado pelo Barcelona.

Yayá Touré, do Barcelona (Foto: Getty Images)

Pelo Barcelona, Yayá Touré viveu ótimos momentos. Algumas vezes como meia central, outras como um volante mais recuado, foi importante para a trajetória daquele time que começou a ter Lionel Messi em suas fileiras como protagonista. Na temporada 2008/09, por exemplo, Touré jogou a final da Champions League contra o Manchester United como zagueiro, já que o clube tinha diversos desfalques. Ele já tinha jogado assim, como zagueiro, também na semifinal contra o Chelsea – aquela, polêmica, com vários erros de arbitragem reclamados justamente pelo Chelsea e com gol de Andrés Iniesta no último minuto do duelo.

Sua vida mudou demais no Manchester City, onde foi uma peça fundamental no projeto de crescimento dos Citizens. Ele está intimamente ligado aos sucessos que o clube passou a ter, inclusive a quebra de jejum de títulos. O primeiro foi a Copa da Inglaterra, em 2010/11, com ele sendo um dos principais jogadores por muitos anos. Depois desse primeiro título, foram mais três títulos de Premier League, 2011/12, 2013/14 e 2017/18, quando ele já era reserva no time de Pep Guardiola. Foi ao final daquela temporada que ele deixou o clube como um ídolo.

“Yayá decidiu encerrar a sua carreira como um campeão. A partida de despedida com o Manchester City foi o verdadeiro fim da sua carreira”, afirmou Dimitry Seluk, empresário do jogador, ignorando uma passagem horrorosa do jogador pelo Olympiacos, que durou três meses em cinco jogos.

“Yayá é um dos melhores jogadores na África e teve uma das mais brilhantes carreiras na história do futebol africano. Além disso, ele deve deixar o futebol de maneira bonita, no topo”, continuou o empresário. “Nós falamos por um longo tempo neste tópico. É claro, todo jogador quer jogar o maior tempo possível. Em termos de condição física, Yayá poderia fazer isso em um nível alto o suficiente por mais cinco anos”, disse Seluk.

O empresário de Yayá Touré ainda afirmou que o agora ex-jogador já obteve licenças para ser treinador, com possibilidades de iniciar essa nova carreira na Rússia e na Ucrânia. “Yayá e eu escolhemos diferentes caminhos; sair como um campeão e começar um novo estágio na nossa carreira. Eu tenho certeza que Yayá irá alcançar alturas ainda maiores que ele conseguiu como jogador”.

Segundo Seluk, a saída de Yayá Touré do Olympiacos tem a ver justamente com isso: ele queria combinar a carreira de jogador com o papel de assistente técnico, algo que o clube negou.

Sem dúvida, Yayá Touré termina uma carreira laureada de títulos. Uma Champions League pelo Barcelona, três Premier League, duas La Liga, uma Copa da Inglaterra e uma Copa Africana de Nações.

Fica a pergunta: qual é o tamanho de Yayá Touré na história, especialmente, de Manchester City e a da seleção marfinense? Certamente está em um lugar alto nos dois.