Uma transferência para o clube certo e na hora certa pode mudar a vida de um jogador de futebol. Foi assim com Yaya Touré. Ao trocar o Barcelona pelo Manchester City, em 2010, numa transação de € 28 milhões, o marfinense viu sua carreira se transformar, assim como seu estilo de jogo.

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De lá para cá, o meio-campista, após surgir como promessa no tradicional ASEC Mimosas, ir para a Europa com apenas 18 anos, rodar sem fazer barulho por Beveren, Metalurh Donetsk, Olympiakos e Monaco, e fazer parte de um Barcelona histórico sem brilhar, se tornou o melhor jogador do futebol africano. Desde a transferência para os Sky Blues, Touré faturou quatro dos cinco prêmios de Melhor Jogador da África, os quatro de forma consecutiva. O camisa 42 dos Citizens igualou o recorde de Samuel Eto’o como maior vencedor da premiação, mas estabeleceu a incrível marca de vencê-los de forma seguida.

O crescimento em seu futebol é perceptível e fruto de uma qualidade vista por Roberto Mancini, técnico do City na época em que Touré se transferiu, que até então tinha sido ignorada por outros treinadores. Com mais liberdade para atuar, usando sua qualidade técnica, passadas largas, força física, bons passes e disparos de longa e média distância, o marfinense passou a aparecer mais no campo de ataque e a decidir jogos, o que, até a transferência para o City, era algo raro em sua carreira.

Rapidamente, Touré mostrou ser um dos melhores meio-campistas da Premier League e do mundo. Foi fundamental no fim do jejum de 44 anos dos Citizens e em todos os títulos conquistados pelo clube desde a sua chegada.

Em 2014, a concorrência para vencer o prêmio continental era maior. Por um lado, o excelente goleiro nigeriano Vincent Enyeama fez um ano fantástico. Seu time, o Lille, tinha perdido jogadores importantes como o meia Payet, mas conseguiu surpreender e terminar a temporada na terceira posição da Ligue 1, com vaga na fase qualificatória da Champions League. Isso muito em função do arqueiro nigeriano que, com grandes defesas, fez do Lille a segunda melhor defesa do Campeonato Francês, com apenas 26 gols sofridos em 38 jogos – atrás apenas do campeão PSG, que sofreu 23, mas que contava e conta com uma defesa muito mais qualificada que o Lille. Além disso, Enyeama ficou 11 jogos sem sofrer um gol sequer no torneio e fez uma excelente Copa do Mundo, sendo um dos destaques da Nigéria que chegou nas oitavas de final.

Por outro lado, o atacante gabonês Pierre-Emerick Aubameyang não participou da Copa, mas teve uma ótima temporada com o Borussia Dortmund. Titular dos aurinegros logo em sua temporada de estreia após anos de bom futebol no St. Étienne, o atacante se tornou ídolo da torcida pelos gols, pela qualidade técnica, pela velocidade e pela versatilidade, podendo atuar tanto pelos lados do campo quanto como referência. A personalidade marcante com comemorações usando máscaras do Homem Aranha, jogar partidas com chuteiras feitas com cristais da Swarovski e as variações no cabelo também conquistaram a torcida.

No entanto, o prêmio era mesmo de Yaya Touré. Apesar de decepcionar mais uma vez no palco principal do futebol mundial com a Costa do Marfim, eliminada de forma trágica na fase de grupos da Copa do Mundo, o meia viveu um ano sensacional com o Manchester City. Além do gol na final contra o Sunderland e do título da Copa da Liga Inglesa, o meio-campista anotou 20 tentos na Premier League, sendo o artilheiro dos Citizens na competição e só ficando atrás da dupla Luis Suárez e Daniel Sturridge na lista de goleadores do campeonato. E não foram apenas os números, vários gols, títulos e ser fundamental para o City mais uma vez. Comprovando ser um dos melhores do mundo em sua posição, o marfinense acumulou grandes atuações e mostrou, ao longo do ano, mais uma habilidade que cresceu com o tempo: as cobranças de falta.

Sob o comando de Manuel Pellegrini, Touré foi ainda mais brilhante que nos anos anteriores, mostrou talento para as bolas paradas e decidiu alguns jogos com elas. Como um bom vinho, o marfinense parece ficar cada vez melhor a cada ano que passa. Nesta temporada, com as férias mais curtas por causa da Copa do Mundo, Touré teve um início apagado na Premier League, mas depois cresceu, voltou ao nível habitual dos últimos anos, decidiu jogos e foi fundamental na arrancada dos Sky Blues que brigam pelo título.

Ninguém sabe quando a idade vai pesar, mas quem se importa? O importante é seguir tendo a oportunidade de acompanhar o que Yaya Touré está fazendo na Inglaterra. Todos os quatro prêmios consecutivos foram merecidos e, ao que tudo indica, o quinto e o recorde, que podem vir de novo no ano que vem, também serão. O marfinense, sem sombra de dúvidas, é um dos melhores meio-campistas de todos os tempos do futebol africano e está fazendo história na frente dos nossos olhos.