A edição 2015/16 do Campeonato do Catar só deve começar no fim de agosto de 2015, mas a expectativa para a próxima temporada está elevada por causa de um nome. E não é qualquer um. Maior contratação de um clube catariano até o momento, o meia Xavi deixou o Barcelona rumo ao futebol asiático e certamente vai abrilhantar os lances da liga nacional com a camisa do Al Sadd.

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O grande organizador de jogadas do time catalão percebeu que não conseguia mais estar em campo em alto nível na Europa e tem tudo para voltar a assumir o protagonismo na liga do Catar, país que anda cheio de dinheiro, mas ainda não conseguiu transformar cifras em qualidade. Ainda não há muitas informações de quem serão os companheiros de Xavi no Al Sadd, mas um atacante brasileiro é praticamente certo.

Aos 29 anos, Muriqui nunca conseguiu muito sucesso no Brasil, com algum destaque com as camisas de Vasco da Gama e Atlético Mineiro, de onde saiu rumo ao Guangzhou Evergrande (China), na primeira grande contratação do clube chinês. Foram quase cinco temporadas completas na equipe, com o melhor desempenho em 2013, quando Muriqui fez 25 gols em 46 partidas. Na Liga dos Campeões da Ásia são quatro participações, com 38 jogos disputados (18v, 9e, 11d), 35 como titular e 21 gols anotados, com título da edição 2013 pelo time chinês, além de arrebatar a artilharia do torneio e os prêmios de atleta mais valioso e melhor jogador estrangeiro da Ásia.

Parece estranho Xavi dar assistências para Muriqui, mas é isso que deve acontecer daqui a alguns meses. Mas ambos não estão sozinhos na tarefa de conduzir o Al Sadd nas competições da próxima temporada. O zagueiro sul-coreano Lee Jung-soo também tem 35 anos, está no Al Sadd desde 2010 e já defendeu a seleção de seu país em 54 oportunidades.

O lateral argelino (nascido na França) Nadir Belhadj, 33 anos, está no clube há cinco anos e tem 54 jogos pela seleção africana, mas ao lado de seu companheiro asiático já sabe o que é ser campeão da Liga dos Campeões da Ásia, pois o Al Sadd levantou a taça de 2011 ao vencer nos pênaltis (4 a 2) o Jeonbuk Motors (Coreia do Sul) na final, após empate a dois gols.

Há ainda o atacante local Khalfan Ibrahim, 27 anos, que costuma marcar muitos gols, inclusive pela seleção. São ao menos 65 bolas nas redes em mais de 165 partidas com a camisa do Al Sadd, que defende desde 2004, além de mais de 70 partidas pelo Catar, com pelo menos 19 gols anotados. Khalfan Ibrahim foi eleito o melhor jogador da Ásia de 2006.

É evidente que a diretoria do Al Sadd não trouxe Xavi apenas para lhe apresentar o belo estádio Jassim Bin Hamad ou fazer do espanhol um garoto propaganda da Copa do Mundo 2022, que será disputada no país (por enquanto). É certo que o Al Sadd vai cobrar do elenco títulos expressivos, a começar pela liga nacional.

O Al Sadd venceu o Campeonato Catariano pela última vez em 2012/13, mas nas últimas cinco temporadas quem domina o futebol local é o Lekhwiya, atual bicampeão e dono de quatro taças no período, seus únicos títulos na história. Detalhe que o Al Sadd é o maior campeão nacional, com 13 títulos, seis de vantagem para Al Arabi, Al Gharafa e Al Rayyan, atual vencedor da segunda divisão.

A edição de 2014/15 teve desvantagem de cinco pontos do Al Sadd para o campeão, em 26 rodadas, algo que certamente a nova equipe de Xavi Hernández vai querer modificar no próximo campeonato.

Talvez até entre os objetivos esteja superar o novo rival Lekhwiya, que também eliminou o Al Sadd na Liga dos Campeões da Ásia 2015. Nos dois embates pela oitavas de final, o adversário venceu fora de casa o Al Sadd por 2 a 1 após abrir 2 a 0 e, no segundo jogo, o time de Muriqui estava devolvendo o placar até os 38 minutos do segundo tempo, quando o Lekhwiya empatou e assegurou a vaga.

Já garantido na Liga dos Campeões da Ásia 2016, o Al Sadd fará sua 11ª participação na história do torneio, que só começará no final de fevereiro do ano que vem. É certo que Xavi Hernández vai melhorar muito a qualidade do passe no Al Sadd, mas a responsabilidade dele e de Muriqui nas finalizações aumentará. Será que a galeria de títulos do astro espanhol ganhará mais exemplares no Catar?

Curtas

– Além de Muriqui, o Al Sadd teve dois outros brasileiros conhecidos em 2014/15. O veterano atacante Grafite, ex-São Paulo e Wolfsburg, chegou na metade da temporada e participou de nove partidas, com apenas um gol anotado. Foi muitas vezes reserva. O outro é o meia Rodrigo Tabata, que se destacou no Goiás, foi para o Santos em 2006 e está no futebol do Catar desde 2010, mas terminou a temporada no Al Rayyan.

– Outros brasileiros famosos já defenderam o Al Sadd. Quem não se lembra de Afonso Alves, o queridinho de Dunga (2009/10, com dois gols em 12 jogos), ou o novo reforço do Flamengo Emerson Sheik (2008/09, com duas partidas e nenhum gol). Até Rodrigo Gral, hoje no Concórdia, da segunda divisão de Santa Catarina, atuou lá em 2009.

– O Al Sadd também já contratou atletas de renome mundial como Xavi. O atacante espanhol Raúl González defendeu o clube catariano entre 2012 e 2014, com 11 gols em 39 jogos, antes de rumar ao New York Cosmos – esteve no último título da liga nacional da equipe, em 2012/13. O ganês Abedi Pelé jogou no Al Sadd em 1982/83 (sete gols em oito jogos), enquanto o iraniano Ali Daei marcou dez gols em 16 partidas na temporada 1996/97. Até o zagueiro francês Frank Lebouef, campeão mundial em 1998, esteve no Al Sadd, em 2003/04, com seis gols em 17 aparições.

– Os confrontos da Liga dos Campeões da Ásia 2015 já estão definidos. Nos próximos dias 25/26 de agosto e 15/16 de setembro entrarão em campo oito times:

Al Hilal (Arábia Saudita) x Lekhwiya (Catar)

Naft Tehran (Irã) x Al Ahli Dubai (Emirados Árabes Unidos)

Kashiwa Reysol (Japão) x Guangzhou Evergrande (China)

Jeonbuk Motors (Coreia do Sul) x Gamba Osaka (Japão)