Não há ninguém que advogue com tanta intensidade a favor da filosofia de jogo do Barcelona do que Xavi Hernández. Ao demitir Ernesto Valverde para tentar resgatá-la, seria natural que a diretoria pensasse no atual treinador do Al Sadd, que, em estágio precoce em sua nova carreira, está longe de estar pronto para comandar um clube tão grande. Ainda bem que o próprio Xavi entendeu isso e recusou a proposta apresentada a ele pelos chefes blaugranas.

A especulação foi tão fervente entre a demissão de Valverde e a contratação de Quique Setién que seria difícil negar que houve contato. Xavi nem tentou. “Sim, recebi uma proposta do Barcelona na presença de (diretor de futebol) Eric Abidal e (diretor executivo) Òscar Grau, mas não aceitei. É cedo demais para treinar o Barcelona, mas continuará sendo meu sonho no futuro”, afirmou.

Xavi aprovou a contratação de Setién, adepto convicto do cruyffismo. “Eu amo Setién como treinador e ele está pronto para treinar o Barcelona. Espero que tenha sucesso”, afirmou. “Eu contei (da proposta) para minha família e aos jogadores do Al Sadd porque eles estavam acompanhando o assunto. Eu não estava no meu melhor estado durante os três dias, mas agora estou totalmente focado no Al Sadd”.

Em entrevista ao Sport, o presidente do Barça, Josep Maria Bartomeu, garantiu que, um dia, Xavi treinará o clube. “Não tenho dúvidas. Ele é muito capaz, ele é uma pessoa que entende perfeitamente nosso futebol, ele tem muita vontade de fazê-lo e um dia o fará, mas, agora, é Quique Setién e acho e espero que ele se dê bem porque chegou cheio de motivação e disse que seguirá nossa filosofia e estilo de jogo”, disse.

O Al Sadd de Xavi está em terceiro lugar na liga nacional do Catar, a nove pontos da liderança com um jogo a menos, e teve participação ruim no Mundial de Clubes. Precisou da prorrogação para derrotar o Hienghène, da Nova Caledônia, perdeu do Monterrey e foi goleado por 6 a 2 pelo Espérance, na disputa pelo quinto lugar.