A seleção americana entrou em campo sabendo da pressão que enfrentava. Depois da derrota acachapante para a Costa Rica e do empate afortunado contra Honduras, apenas a vitória interessava diante do Panamá, adversário direto no hexagonal final das Eliminatórias da Concacaf. O US Team, no entanto, teve a postura que se esperava. Partiu para cima dos visitantes e resolveu o jogo ainda no primeiro tempo. Goleada por 4 a 0 em Orlando, que tirou um peso imenso das costas dos americanos. E que, mais uma vez, escancarou a importância de Christian Pulisic, mesmo tão jovem, ao time de Bruce Arena.

Era uma noite tipicamente americana no Estádio Orlando City. As arquibancadas se pintaram em vermelho e branco, enquanto uma enorme bandeira foi estendida no gramado. Os jogadores cantaram o hino com vontade. Depois de atuação tão apáticas, se fazia necessário começar o jogo logo em alta voltagem. Exatamente o que os Estados Unidos buscaram. Que os panamenhos não vivessem sua melhor jornada, um tanto quanto afobados, a intensidade dos anfitriões foi chave para o triunfo.

E, neste momento, Pulisic se sobressaiu. O atacante recebeu alguns questionamentos na última Data Fifa. Embora tenha feito grandes atuações nestas Eliminatórias, desapareceu nos dois tropeços. Alexi Lalas, em um comentário bastante crítico sobre os seus herdeiros na seleção, colocou em xeque o status do “wonder boy”. Já nas vésperas do duelo, Bruce Arena tratou de tirar o fardo dos ombros de seu prodígio. Ainda assim, o camisa 10 assumiu a responsabilidade. Abusando de sua velocidade e de sua habilidade, ia abrindo rombos na defesa do Panamá. Inaugurou o placar aos oito minutos, arrancando e driblando o goleiro antes de bater às redes vazias. Explodiu na comemoração, como se desabafasse. Já aos 19, Pulisic puxou o contra-ataque, gingou para cima da marcação e cruzou para Jozy Altidore aumentar. Talvez o adolescente excedesse individualismo em alguns momentos, mas não pecava pela omissão.

Os Estados Unidos desperdiçaram chances de construir uma goleada ainda no primeiro tempo. De qualquer maneira, o terceiro gol veio pouco antes do intervalo, em pênalti cobrado com cavadinha por Altidore. Pulisic preocupou no segundo tempo, ao sentir dores e ser substituído logo aos 12 minutos. A precaução era mais do que necessária. Mas não foi isso que impediu o US Team de dar números finais ao triunfo. Bobby Wood, que havia falhado em bons lances até então, recebeu de Paul Arriola e bateu cruzado para anotar o quarto. Apesar de suas pretensões de ir à Copa, o Panamá deveu demais em um jogo de tamanha importância.

A vitória deixa a situação dos americanos bem mais confortável na tabela. A equipe chega aos 12 pontos, dois a mais que o Panamá, assumindo a terceira colocação e alargando o seu saldo de gols. Ainda pode ser alcançada nesta rodada por Honduras, mas será difícil. Três pontos atrás, os hondurenhos visitam a Costa Rica, em partida que pode ratificar os Ticos na Copa. Já na rodada final, basta uma vitória fora de casa contra a lanterna Trinidad e Tobago para os Estados Unidos confirmarem a vaga direta na Rússia. O Panamá recebe a Costa Rica, enquanto Honduras encara o México em casa, provavelmente se digladiando pela repescagem. E o que se ensaiava como um desastre americano acaba resolvido por aquele que promete ser a referência da seleção por anos.