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A temporada do Wolverhampton teve compreensíveis altos e baixos, mas entra em sua reta final após uma semana em que marcou sete gols e não sofreu nenhum, ganhou dois jogos importantes e manteve suas principais ambições ainda muito vivas.

Na quinta-feira passada, os Wolves ganharam do Espanyol por 4 a 0 no jogo de ida dos 16 avos de final da Liga Europa, encaminhando bem a vaga na próxima fase, e no domingo derrotaram o lanterna Norwich por 3 a 0, resultado esperado, mas também essencial para se manter perto do top 4 da Premier League, após dois empates sem gols e três partidas sem vitória.

No começo da temporada, o Guardian levantou que quatro clubes ingleses com perfil parecido ao do Wolverhampton que conquistaram vagas na Liga Europa tiveram uma temporada seguinte muito inferior na Premier League em termos de pontuação. O Burnley de Sean Dyche marcou 14 pontos a menos, e o Everton, 12. West Ham e Southampton registraram um déficit de 17 pontos quando tiveram que conciliar compromisso domésticos com os continentais.

Nenhum deles passou da fase de grupos, e há exceções à regra, como o próprio Southampton de 2014/15 que conseguiu três pontos a mais no Campeonato Inglês seguinte, apesar de uma campanha (breve, é verdade) na Europa. Mas também não podemos ignorar o peso que um calendário mais ocupado tem em elencos que não são tão grandes assim, ainda mais com uma pré-temporada prejudicada por um primeiro compromisso, já eliminatório, marcado para o fim de julho, como nos casos de Burnley, West Ham e Everton.

Esses efeitos parecem ter afetado o Wolverhampton. A temporada começou muito mal, com quatro empates e duas derrotas pela Premier League. À altura da 11ª rodada, vencera apenas dois jogos, mas já havia feito 22, incluindo um duro confronto contra o Torino. Era começo de novembro. A maratona causava mais danos em um time que se caracterizou por rodar pouco seus jogadores titulares na temporada em que retornou à Premier League e conquistou um surpreendente sétimo lugar.

Graças ao nível relativamente baixo deste Campeonato Inglês entre o meio da tabela e o G4, com muitos projetos em transição e outros sem rumo, não foi necessária uma sequência excepcional para o Wolverhampton subir na tabela. Foram 11 jogos invictos, mas com seis empates. E também permitiu que a má fase entre dezembro e janeiro, quando o calendário insano do país causa efeitos parecidos aos da Liga Europa, não o tirasse da disputa. A vitória contra o Norwich foi apenas a quarta pela liga inglesa desde 8 de dezembro e, durante esse período, houve o requinte de crueldade de enfrentar Liverpool e Manchester City em menos de 48 horas.

O Wolverhampton tem o dinheiro dos chineses da Fosun International e uma relação próxima com Jorge Mendes que transformou a cidade em uma das maiores colônias portuguesas do mundo ao mesmo tempo em que faz algumas sobrancelhas se levantarem. Mas é um clube que sabe o que quer. As contratações são frequentemente intermediadas por Mendes, mas não há aquele impulso de trazer grandes nomes o tempo inteiro. Elas se encaixam em um estilo de jogo muito bem definido por Nuno Espírito Santo. Há paciência para os jogadores se desenvolverem e o desespero não toma conta do ambiente nos momentos mais tortuosos.

Um bom exemplo dessa paciência é Adama Traoré. Foi contratado do Middlesbrough em 2018, quando o Wolverhampton retornava à elite, e impressionou muito pouco em sua primeira temporada. Nesta, é um dos melhores jogadores da Premier League. Raro uma partida dos Wolves terminar sem que ele faça três ou quatro grandes jogadas pela ponta direita. Outro nome que a ilustra é Pedro Neto. Chegou no começo da campanha, demorou para ter uma chance e agora foi titular em seis das últimas oito rodadas da Premier League, jogando bem.

O bom de saber como você joga é também saber do que você precisa. O Wolverhampton precisa de zagueiros fortes que saibam atuar em trio. Alas que não se destacam, mas são cumpridores. Qualidade no meio-campo e atacantes velozes que saibam combinar entre si em um estilo de rápida transição que muitas vezes envolve bolas longas e resolver sozinho lá na frente. Há uma leve variação tática entre usar três no meio-campo, com Dendoncker ao lado de Moutinho e Neves, ou três na frente, quando geralmente Traoré acompanha Diogo Jota e Rául Jiménez.

O grande trunfo do Wolverhampton é que este é um estilo que casa bem com uma competição mata-mata como a Liga Europa. As chances são boas porque a chave não parece assustadora. Até a semifinal, os adversários mais difíceis são Getafe, Bayer Leverkusen e Porto, nenhum que poderia ser considerado favorito contra os Lobos. Nos outros quadrantes, há algumas armadilhas, mas, talvez com exceção da Internazionale, que seria o desafio mais difícil, todas administráveis. Potenciais duelos contra Arsenal e Manchester United são familiares. Sevilla e Benfica têm histórico glorioso na competição, mas não parecem tão fortes nesta temporada.

E a briga ainda está aberta pelo quarto lugar da Premier League. O Chelsea ganhou do Tottenham no fim de semana, mas ainda não passa confiança de que conseguirá manter a última vaga na Champions League. O Manchester United ainda oscila. O Tottenham sofre com os desfalques. O Sheffield United está brigando bem acima da sua categoria. Arsenal, Burnley e Everton, trio que aparece imediatamente atrás do Wolverhampton, não parecem muito mais bem posicionados para uma grande arrancada final do que o time de Nuno Espírito Santo.

O que não quer dizer que o Wolverhampton conseguirá. Ainda está a cinco pontos e precisará de uma sequência excelente de resultados nas últimas 12 rodadas da Premier League e, mais uma vez, haverá a distração da campanha europeia. Ainda é um time que, pelo seu estilo, encontra certos problemas contra as equipes mais fracas, e também por isso foi relevante ganhar do Norwich com tanta facilidade. Pode oscilar. Mas, para um clube orgulhoso que passou seis anos longe da elite, a reta final da temporada é muito empolgante.

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Brendan Rodgers, do Leicester (Foto: Getty Images)

– O Liverpool segue ganhando seus jogos pela Premier League, mas a pausa de inverno fez mal ao time. O jogo contra o Norwich foi pobre e uma boa dose de sorte foi necessária para derrotar o West Ham. Além disso, houve a derrota para o Atlético de Madrid pelo jogo de ida das oitavas de final da Champions League, que exigirá bastante futebol para ser revertida em Anfield. Parece ter interrompido o embalo de um time que não tem um elenco tão vasto e que passou por uma maratona em que acelerava ou freava de acordo com as exigências da partida. O principal prêmio da temporada – a primeira Premier League de sua história – segue segura. Mas, para uma histórica Dobradinha ou Tríplice Coroa, Jürgen Klopp precisará dar um jeito de retomar o ritmo.

– Com apenas três vitórias nas últimas 11 rodadas, será triste se a temporada do Leicester terminar em baixa, e ela corre esse risco simplesmente porque não faz muita diferença. Não será campeão, agora que perdeu do Manchester City dificilmente será segundo colocado, e ainda tem nove pontos de vantagem para o quinto lugar. Disputar a próxima Champions League será um grande feito, mas não é muito legal para a moral dos jogadores vencer tão pouco antes de entrar de férias. Há o terço final da Premier League para uma recuperação nesse sentido e, principalmente, a Copa da Inglaterra para um possível título.

– Dois meses depois do melancólico 0 a 0 que marcou o fim dos reinados interinos de Freddie Ljungberg e Duncan Ferguson, Arsenal e Everton mostraram muito mais recursos no último sábado. Os efeitos de Mikel Arteta e Carlo Ancelotti, respectivamente, são claros e é interessante imaginar o que eles podem fazer na próxima temporada, com tempo de preparação e acesso ao mercado. E, também, em que posição eles estariam se tivessem chegado antes.

– O West Ham finalmente deu sinais de vida contra o Liverpool, apesar da derrota, mas, pela incompetência dos meses anteriores, não é suficiente se não produzir pontos. A sua tabela segue muito difícil, e o único alento é que ninguém em volta dele parece em uma forma particularmente boa. Entre Brighton, Bournemouth, Aston Villa, West Ham e Watford, há apenas três vitórias (duas do Bournemouth, uma do Villla) nas últimas cinco rodadas, o que deixa a briga contra o rebaixamento mais ou menos congelada por enquanto.