O Manchester United foi até Wolverhampton nesta segunda-feira (19), em partida que encerrava a segunda rodada da Premier League. Empolgado pelo resultado contra o Chelsea na abertura do campeonato (4 a 0), via o confronto contra os Wolves como um bom teste do trabalho feito até aqui desde o início da pré-temporada. Com dois tempos distintos, os times ficaram apenas no 1 a 1, em jogo que evidenciou certos equívocos de Ole Gunnar Solskjaer e Nuno Espírito Santo.

A expectativa era grande para ver como os dois times iriam se postar em campo. Afinal, eram duas equipes caracterizadas por jogar no contra-ataque e não gostar tanto da posse da bola. Mesmo jogando em casa, os Wolves foram mais extremos ao seguir seu padrão, posicionando-se bastante recuados e deixando o United trocar passes com tranquilidade em seu campo,

A marcação se acirrava apenas quando a bola ultrapassava a linha central e se aproximava do gol de Rui Patrício. Ali, o time da casa se colocava de forma compacta, com as linhas de defesa e meio campo próximas e bastante povoadas. A estratégia não era novidade alguma para quem acompanhou os Lobos contra times do Top 6 na temporada passada, mas aqui eles estavam passando um pouco da conta no tanto que abdicavam da bola.

Tendo sofrido duas derrotas no Molineux na temporada passada, por Premier League e Copa da Inglaterra, o United sabia que não podia se lançar ao ataque de qualquer forma. O que fez muito bem no primeiro tempo foi ter paciência para atacar, tocando a bola de forma segura enquanto seus jogadores de frente se movimentavam buscando espaços para infiltrar.

E foi assim que nasceu o primeiro gol do jogo. Aos 27 minutos, pela esquerda, Shaw carregou a bola, tocou para Lingard e correu para a área. Com passe em profundidade, o meia tentou encontrar novamente o lateral, mas quem chegou para bater de primeira e abrir o placar foi Anthony Martial.

Anthony Martial, do Manchester United (Divulgação)

O gol serviu para fazer o Wolverhampton adiantar um pouco sua marcação, mas mesmo isso durou pouco tempo. Logo as coisas estavam de volta ao que tinham sido até o momento em que o camisa 9 do United balançou a rede. No fim da primeira etapa, Martial teve a chance de marcar o segundo, aproveitando passe errado de Bennett na defesa, mas a bola bateu em seu calcanhar durante a arrancada e foi tranquila para as mãos de Rui Patrício.

Era improvável que, em casa, o Wolverhampton voltasse para o segundo tempo insistindo no futebol da primeira etapa. Nuno Espírito Santo então soltou mais a equipe, e a parte complementar do jogo foi completamente diferente – com a entrada de Adama Traoré no intervalo sendo fundamental para isso.

Aos nove minutos, Raúl Jiménez já acertou a trave, e De Gea teve sorte ao ver a bola tocar em seu ombro e não entrar. A pressão seguiu e, no lance seguinte, após cobrança de escanteio, os Wolves repetiram o que tanto têm feito desde a chegada de Rúben Neves e cobraram a bola parada ajeitando para o português.

Dono de um chute de longa distância como poucos no futebol europeu, o camisa 8 acertou um chutaço no ângulo esquerdo superior de De Gea, contando com desvio caprichoso no travessão para empatar em 1 a 1.

Diante da igualdade no placar e da nova atitude do adversário, o Manchester United não soube adaptar seu jogo. Pouco perigo criou ao gol de Rui Patrício. Em jogada capitaneada pela habilidade de Pogba, o time até teve uma boa chance de tomar novamente a frente. O camisa 6 tabelou bem com o conterrâneo Martial, saiu em boa posição na área e foi derrubado por Coady.

Com o pênalti marcado, Rashford, batedor oficial da equipe, se preparava para buscar seu terceiro gol em dois jogos no campeonato, mas Pogba pediu a bola e teve o desejo atendido pelo companheiro. O francês não deu infinitos e curtos passos como na temporada passada e nem demorou muito para bater, mas foi parado por Rui Patrício, que pulou baixo, no canto direito, não tão longe do centro, e pegou a cobrança, aos 22 minutos do segundo tempo.

No restante da partida, os Wolves dominaram mais as ações e pareceram mais próximos do gol da virada do que de levarem o segundo.

Se pouco se pôde criticar Ole Gunnar Solskjaer no primeiro tempo do Manchester United, que foi bastante paciente e inteligente com a bola, levando-se em conta o estilo de jogo do adversário e o retrospecto recente na casa do oponente, o mesmo não pode ser dito da etapa final.

Claramente com chances pequenas de voltar à frente no placar, o técnico norueguês demorou demais para mexer na equipe. Apenas aos 36 do segundo tempo é que foi fazer alguma alteração, colocando Juan Mata no lugar de Jesse Lingard, que poderia ter saído muito mais cedo.

Depois do gol em sua estreia oficial contra o Chelsea na semana passada, Daniel James foi recompensado com a titularidade pela ponta direita, mas foi mal no jogo, errando passes bobos, tomando decisões equivocadas e mostrando ser um jogador ainda bastante cru, precisando inclusive refinar alguns de seus fundamentos básicos. Pelo que pedia a partida, deveria ter saído mesmo antes de Lingard, com Mason Greenwood sendo uma opção que mostrou na pré-temporada estar pronto para fazer a diferença naquele flanco.

O garoto de 17 anos por fim entrou, mas tarde demais para causar algum impacto. Substituiu James aos 44 do segundo tempo, com Andreas Pereira entrando em campo simultaneamente, no lugar de Rashford.

O duelo foi marcado por cautela dos dois lados, e foi justamente esse o maior pecado de Nuno Espírito Santo, com a maneira excessiva como o fez na primeira etapa. Pelo futebol praticado na temporada passada, poderia ter se atrevido mais antes do intervalo. Ainda que compreensível o seu cuidado, devido ao poderoso contra-ataque do United, o time jogava em casa e precisava ter passado mais tempo buscando o gol.

Já Solskjaer olhará para trás para esse jogo e verá que demorou muito para mexer na equipe. Possivelmente, lá na frente, pensará também que já poderia ter dado mais espaço a jovens como Greenwood e Angel Gomes – este ausente até do banco de reservas – mesmo no princípio da temporada, especialmente levando em conta o que Jesse Lingard, Juan Mata e Daniel James mostram desde o começo da pré-temporada. Ainda que dê para entender a calma em lançar jovens promessas, o treinador costuma dizer que “se você é bom o bastante, é velho o bastante”, e Gomes e Greenwood foram melhores que seus concorrentes nas chances que tiveram neste verão europeu.

Para além das escolhas individuais, Solskjaer tem o desafio de mostrar maior variedade tática diante de diferentes tipos de jogo ao longo de uma só partida. Com o que tinha em campo, poderia ter oferecido maior perigo aos donos da casa na etapa final.