O primeiro jogo que efetivamente usou o Árbitro de Vídeo, ou VAR (Video Assistant Referee, do inglês), na Libertadores deu polêmica. O Lanús venceu o River Plate por 4 a 2, com reclamações em dois lances cruciais. O jornal Clarín decidiu falar com Wilson Seneme, presidente da Comissão de Arbitragem da Conmebol, e a entrevista do brasileiro foi bastante esclarecedora.

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O quarto gol do Lanús veio de pênalti, só marcado depois que o árbitro Wilmar Roldán revisou a jogada no VAR. Além disso, o River Plate reclama de um pênalti não marcado a seu favor, ainda no primeiro tempo, que, caso convertido, levaria o placar a 3 a 0 naquele momento.

Seneme, presidente da Comissão de Arbitragem da Conmebol, falou sobre os dois lances em entrevista ao jornal argentino e deixou claro o protocolo a ser seguido, além de ter dado a sua opinião sobre os lances, que não é a mesma do árbitro.

Sobre o lance de mão de Marcone, do Lanús

“É uma interpretação se é mão ou não. O árbitro entendeu que não era um erro claro, que o movimento do braço foi natural. Isso se considera para interpretar. Não é só uma questão do VAR. É uma questão polêmica: para alguns é mão, para outros não. Outro ponto para ter em conta: não há nenhuma repetição da jogada em velocidade natural que me mostra a mão. Só se vê em repetições com a câmera lenta. O protocolo é muito claro quando diz que para situações de mão deliberada é fundamental que a decisão venha através da câmera natural, que não deforma a realidade da jogada para saber se a bola vem à sua mão ou se a sua mão vai à bola. Isso é muito importante. E eu não vi nenhuma imagem na transmissão de outro ângulo em velocidade natural. Todas são repetições em câmera lenta”.

O pênalti deveria ter sido marcado?

“A pergunta é se foi um erro claro ou não. Essa é a pergunta que se faz ao árbitro de vídeo que está aqui. O árbitro de vídeo entendeu que é uma ação interpretativa, que não é um erro claro”.

Foi um erro claro?

“Eu, sinceramente, penso que essa jogada deveria ter sido revisada para segurança do ambiente. Mas isso não significa que o árbitro teria mudado a sua decisão. Está bem? É uma jogada com potencial para ser vista outra vez. Mas insisto: o protocolo diz que não se pode, através da câmera lenta, decidir a situação de uma mão deliberada. Sim, na câmera lenta se pode decidir se houve contato ou não, se tocou a mão ou não. Mas repito: a interpretação da intenção só pode medir em repetições com velocidade natural, com movimento natural do jogador”.

Lance de Román Martínez em Ariel Rojas

“Nessa jogada específica, se o árbitro de vídeo entendia que era uma agressão, deveria ter interferido. Uma vez mais: há de se ver a jogada de maneira natural, porque o ponto de contato da mão com a cara do jogador não está absolutamente claro. Não sei se houve uma ação com um impacto tão grande, entende? Então, devemos ver a jogada em modo natural para poder dizer sim ou não. Mas também é uma jogada potencialmente para a revisão”.

Deveria ter sido usado o VAR, mas não necessariamente mudaria decisões

“Essa seria a conclusão. Sabe o que acontece? Dar o direito das equipes revisarem a jogada, garantiria que a decisão final tenha uma mensagem geral de segurança, que o árbitro teve todas as condições para decidir e que decidiu por ele mesmo. Quando não se revisam este tipo de jogadas potenciais, ficam muitas dúvidas: quem decidiu isso? Viu? Não viu? Ficam muitas perguntas no ar. E essa não é a intenção. A intenção é esclarecer. Por isso, acredito que eram duas jogadas potenciais para uma revisão”.

Uso do VAR na semifinal da Libertadores

“As capacitações têm sido excelentes. Vejo árbitros em condições de aplicar o VAR. Se isso começa no próximo ano, vamos ter problemas ou não também. É uma questão de jogo, de interpretação, de sim ou não. Isso vai continuar a ser o futebol. Por mais que nós nos preparemos mais ou menos, os árbitros vão continuar interpretando. Deve se lembrar também que quem está atrás do vídeo é um ser humano que tem a sua interpretação”.

Veja os lances de Lanús 4×2 River Plate: