O mais recente país europeu a sofrer com um episódio de racismo em campo é a Holanda. No domingo, como contamos aqui na Trivela, Ahmad Mendes Moreira, atacante do Excelsior, foi alvo de cantos racistas da torcida do Den Bosch, em jogo pela segunda divisão holandesa. Perguntado sobre o incidente, Georginio Wijnaldum, da seleção nacional e do Liverpool, foi contundente: “Multas pesadas são a única maneira de lidar com isso”.

Na partida de domingo, o árbitro decidiu retirar os jogadores de campo e interromper o jogo momentaneamente, seguindo o protocolo da Uefa. Porém, para Wijnaldum, só isso não é o suficiente.

“Multas pesadas são a única maneira de se combater isso. Li em algum lugar que deveria haver câmeras por todas as partes. A punição precisa ser dura o bastante para que ninguém faça isso”, opinou o meio-campista em entrevista coletiva da Holanda.

Wijnaldum reconheceu que ficou chocado com o episódio de que Mendes Moreira foi alvo. “Isso me atingiu muito, pessoalmente. Nunca esperava que algo assim aconteceria na Holanda.”

Apesar de dizer que, se acontecesse com ele pela seleção holandesa ele deixaria o campo, para Wijnaldum o racismo é um problema sobre o qual as ações dos atletas teriam poucos efeitos. É preciso ação política.

“O que se pode fazer como jogador de futebol? É um problema da sociedade. Como jogador, não dá para se mudar nada. É um problema social, que deveria ser resolvido por nossos políticos. É preciso haver ação contra esse tipo de prática, e não apenas contra o racismo. Uma saudação nazista também foi feita. Quando vi isso, pensei: ‘Qual o seu problema, se você faz algo assim?’”

“Nossos antepassados lutaram por nós para que pudéssemos viver livremente. Se as pessoas ainda fazem a saudação nazista, isso é extremamente desrespeitoso. Não podemos permitir isso na Holanda”, completou.

A Federação Holandesa posicionou-se após o episódio, condenando o ato e dizendo estar em contato com os clubes para tentar identificar os perpetradores. Outros membros da seleção holandesa também demonstraram indignação, mais notavelmente Memphis Depay.

O jogador do Lyon, de ascendência ganesa e que frequentemente visita o país africano, publicou em seu Twitter uma cobrança à Uefa: “Estou cansado de ver essas imagens várias vezes. Quando é que isso vai parar? Uefa, o que vamos fazer? Especialmente com a próxima Euro”.

Ronald Koeman, técnico da Oranje, criticou as punições brandas aos criminosos, classificando-as como um “tapa de luva pelica”. Koeman ainda reiterou o posicionamento de Wijnaldum: “Nós, como seleção holandesa, deixaríamos o campo”.

Recentemente, em meio a tantos episódios repetidos de racismo nesta primeira metade de temporada, um dos que mais chocaram aconteceu na Bulgária, onde jogadores negros da seleção inglesa foram vítimas de intensos insultos racistas. A punição dada pela Uefa foi de apenas € 75 mil e dois jogos com portões fechados à seleção búlgara, reforçando o ponto dos holandeses.