O Western Sydney Wanderers chega ao Mundial como o segundo time australiano a jogar a competição. Em 2005, na primeira edição do novo formato da competição, o Sydney FC foi o primeiro a disputar a competição como campeão da Oceania. Os australianos não voltaram mais ao mundial. Foram os últimos momentos da Austrália na OFC, a Confederação de Futebol da Oceania. A partir de janeiro de 2006, a Austrália passou a disputar as competições pela AFC, a Associação Asiática de Futebol. Os australianos, com uma liga mais recente, sofreram na Liga dos Campeões da Ásia. Nem com as estrelas contratadas os australianos conseguiram levantar a taça. Curiosamente, a história do segundo time australiano no Mundial tem muito a ver com o primeiro.

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Quando a liga australiana cresceu, a ideia da federação de futebol do país era ter um time por cidade. O projeto de Sydney foi apoiado pela Football NSW, uma entidade governamental que apoia o futebol no estado de New South Wales, mas foi abandonado na criação do Sydney FC, que foi quem ficou com a vaga. Com a queda da regra de um time por cidade, passou a ser considerada a possibilidade de um novo time em Sydney. A comunidade de futebol se manifestou para ter um time na região de Western Sydney, como acabou não acontecendo na primeira vez.

O estádio Parramatta, ignorado na criação do Sydney FC, foi estabelecido como a casa do time. O nome, as cores e até o estilo de jogo foram discutidos pela comunidade local. As cores escolhidas foram vermelho e preto e o nome ficou Wanderers. Nasceu assim o Western Sydney Wanderers, que ocupou a vaga do extinto Gold Coast United, extinto em fevereiro de 2012. Já na temporada 2012/13, o Western Sydney Wanderers jogou a A-League. Mais do que isso, foi campeão em sua temporada inaugural e garantiu lugar na Liga dos Campeões da Ásia e onde também seria campeão em sua primeira participação.

O sucesso do Western Sydney Wanderers vai no caminho oposto ao que se tentava na Austrália com a contratação de estrelas. O Sydney FC, por exemplo, teve em seu elenco o italiano Alessandro Del Piero. O Western Sydney Wanderers não teve nenhuma estrela tão relevante no futebol desde a sua criação, mas montou um time competitivo e envolvendo as pessoas da região, a comunidade. E isso é o que torna o time realmente relevante.

Mundialmente, o Western Sydney é um desconhecido. Para quem é da cidade, daquela região, ele é relevante e importante, porque é uma parte da comunidade representada. Um conceito interessante em um país que não tem o futebol como o seu esporte mais importante – o que não quer dizer que não haja paixão por ele.

No Marrocos, o Western Sydney Wanderers terá pela frente o Cruz Azul, do México. Os mexicanos têm sofrido mais do que o esperado na competição e só o Atlante, em 2009, conseguiu dar realmente um calor no grande adversário – naquele ano, no Barcelona de Guardiola, que precisou vencer na prorrogação para avançar. Os australianos não são favoritos contra os mexicanos, com muito mais tradição. Se passarem pelos mexicanos, enfrentam o Real Madrid e seu time estrelado. Um sonho para os jogadores. O WSW se caracterizou por surpreender na Liga dos Campeões da Ásia. Não dá para subestimar o que o rubro-negro australiano pode fazer, mesmo que seja bem difícil que avance até as semifinais, e quase impossível que seja capaz de complicar para os merengues. Mas o sonho é de graça.

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