Discutir a saúde mental e admitir as próprias dificuldades costuma ser um processo bastante duro. Muitas vezes é delicado se dar conta do que acontece dentro de nossa cabeça, e ainda mais aceitar a necessidade de ajuda. E se os homens geralmente têm menos cuidados com o corpo do que as mulheres, as questões psicológicas se tornam um fantasma maior, por todos os estereótipos relacionados. Não são dores palpáveis, afinal. Por isso mesmo, se faz tão importante a campanha lançada pelo West Ham nesta quinta-feira. Através de seus jogadores, os Hammers tentam encorajar – sobretudo os homens – a refletirem e a pensarem seus entraves mentais.

“Problemas de saúde mental podem afetar qualquer um, não importa quem você é ou o trabalho que realiza. O ‘Time to Talk Day 2019’ está incentivando as pessoas a conversar sobre sua saúde mental e as estrelas do West Ham se abriram para apoiar a campanha. Há muitos exemplos recentes e bem documentados de problemas de saúde mental entre jogadores, na ativa ou aposentados. Com uma em cada quatro pessoas afetadas por questões de saúde mental, Andriy Yarmolenko, Ryan Fredericks e Nathan Holland se abriram sobre o que o termo ‘saúde mental’ significa a eles e como eles lidam com as pressões internas e externas por serem futebolistas profissionais”, pontua o West Ham.

Além de promover o dia de conversação sobre a saúde mental, o West Ham também se comprometeu em aumentar a conscientização quanto a levar um estilo de vida saudável – que abranja a saúde física e mental. A ideia dos três jogadores é convidar seus ouvintes para que conversem com alguém sobre seus entraves pessoais. O movimento, liderado por instituições de caridade, tenta mudar a forma como todos pensam e agem em relação ao tema. E o intuito é atingir principalmente os homens, pelas dificuldades maiores em se abrir.

“Para mim, saúde mental é sobre o que acontece de portas fechadas. Todo mundo passa por questões, mas é sobre expressar isso e como lidar. Muitos homens sentem a necessidade de serem fortes o tempo todo e provavelmente eu sou um desses. Não gosto de compartilhar muito meus sentimentos, mas preciso lidar com essas coisas internamente. Sempre haverá tempos difíceis quando você precisa tirar algo de seu peito e isso não te faz menos homem ou menos forte por mostrar suas emoções. Algumas vezes, você desabafa e se sente melhor. Pode continuar com sua vida”, afirma Ryan Fredericks.

Outro ponto é também mostrar como os jogadores acabam afetados pela questão mental, como afirma Nathan Holland: “Todo mundo lida com a saúde mental de diferentes maneiras. Algumas pessoas guardam para si e outras conversam. Acho que você deve ter sempre confiança para falar com seu técnico e saber como se sente. Enquanto muitos torcedores veem jogadores de elite como heróis ou vilões, dependendo de suas atuações, todos nós somos humanos aos quais a saúde mental é afetada pela pressão que sentimos desses mesmos torcedores. Com a expectativa de jogar diante de milhões de pessoas todas as semanas, além da frustração que sentimos quando não conseguimos atuar por uma lesão, alguns jogadores não são capazes de lidar com tudo que a vida põe pelo caminho”.

O West Ham também publicou um vídeo com os depoimentos dos jogadores. As legendas estão em inglês: