A punição da Uefa ao Manchester City saiu na última sexta-feira, mas está pendente até que o caso seja julgado pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). O episódio já trouxe muitas reações, incluindo a de Arsène Wenger, ex-treinador do Arsenal. Por vezes vítima do Manchester City, que tirou dele vários dos seus jogadores, o francês foi ponderado nas suas palavras, mas deixou claro: se o clube, que é comandado pela família real dos Emirados Árabes, infringiu as regras, precisa ser punido.

“Eu sempre fui a favor de regras de controle financeiro e de receitas que não sejam naturais. Eu também estou convencido que as regras ainda precisam evoluir para algo melhor, mas no momento, elas são o que são”, disse Wenger, durante a entrega do prêmio Laureus. “Se está provado que isso foi feito de propósito então o City não pode deixar de ser punido. Eu não conheço o caso bem o suficiente para dizer que tipo de punição tem que ser feita”.

“As regras são o que são e você tem que respeitá-las. As pessoas que são pegas tentando burlar as regras em meios mais ou menos legais tem que ser punidas, se for provado que foi feito de propósito”, afirmou Wenger.

“Eu acho que o esporte é basicamente vencer ao respeitar as regras – nós celebramos o melhor em cada esporte e nós queremos saber que eles respeitaram as regras. Se não há respeito pelas regras, então não é esporte de verdade. Se você entra em uma competição, é um sinal que você respeita as regras”.

Arsène Wenger é um dos técnicos mais importantes na história da Premier League, com uma história imensa no Arsenal, onde ficou por 22 anos. No clube londrino, o francês viveu a experiência de chegar ao topo, ser um time a brigar por todos os títulos, montou o inesquecível time que conquistou a Premier League invicto, na temporada 2003/04.

Enquanto comandava um processo de modernização, com a construção de um novo estádio saindo do Highbury para o Emirates, viu a ascensão de novos ricos, como Chelsea e Manchester City, que tomaram o protagonismo. O Arsenal virou um coadjuvante. Em parte, porque perdeu poder de fogo para times como esses dois, mas também por mudanças que foram acontecendo naturalmente, como no Tottenham, que superou os rivais do norte de Londres.

Wenger terminou a sua passagem pelo Arsenal de forma melancólica, em 2018, saindo em baixa quando poucos torcedores ainda acreditavam nele. Desde então, não foi mais técnico e se tornou diretor de desenvolvimento da Fifa. Aos 70 anos, o francês segue trabalhando no futebol.