A posição de Arsène Wenger sobre o Fair Play Financeiro evoluiu com o tempo. Crítico feroz de investimentos como os de Chelsea e Manchester City quando treinava o Arsenal, foi inicialmente a favor. Passou a contestá-lo diante das numerosas maneiras como clubes tentavam contorná-lo e em dúvida sobre a necessidade de mais investimentos. Agora, acredita que ele atrapalha a ascensão de clubes emergentes.

Em entrevista ao L’Equipe, o diretor de desenvolvimento da Fifa fez questão de deixar claro que é favor de “checagens” financeiras e de valorizar a boa administração, mas acha que o Fair Play Financeiro, promovido pela Uefa, é restritivo demais.

“Sou a favor de medidas que reforcem checagens à administração de clubes em vez de medidas que a restringem e a limitem”, disse. “Deveríamos valorizar qualidade de administração e encorajá-la. Sou a favor de abrir para mais investimentos, o que o Fair Play Financeiro não faz. Os clubes que dominam a Europa hoje em dia foram construídos com investimentos feitos durante uma época em que o FPF não existia. Ele impede clubes emergentes que querem investir. Isso não é normal”.

“Essas regras fixaram uma hierarquia, os grandes clubes históricos estão maiores e maiores e, obviamente, todos eles lutam para que as regras do FPF sejam aplicadas escrupulosamente aos outros para que competidores não possam aparecer”.

“Controlar rigorosamente a administração de clubes, sim. Verificar de onde o dinheiro está vindo, sim. Mas precisamos encorajar as pessoas a investirem no futebol. O FPF precisa ser mas flexível e facilitar investimentos”, disse.

Em 2017, Wenger já tinha dúvidas em relação ao Fair Play Financeiro, mas adotava um discurso mais moderado em relação às restrições que ele impunha aos investimentos.

“O Fair Play Financeiro levanta novas questões. Eu sempre pedi por ele. Hoje, não estou convencido que podemos mantê-lo. O futebol talvez esteja apenas no começo de um gigantesco investimento financeiro. Tornou-se o esporte mais poderoso do mundo. Significa que precisamos abrir a porta completamente para investimentos? É uma questão que precisamos discutir porque, no momento, parece que criamos regras que não podem ser respeitadas”, afirmou.

“Talvez estejamos em uma encruzilhadas e precisamos pensar: abrir completamente para investimentos de pessoas como chineses e americanos que querem investir aqui (na Inglaterra)? Se você quiser continuar sendo a melhor liga do mundo, esse é certamente o caminho que temos que tomar”.

“Quero me livrar do Fair Play Financeiro? Acho que sim porque há muitas maneiras legais de circundá-lo. A questão, pelo menos, tem que ser levantada. Estou convencido que, no momento, as regras são fortes o bastante para que sejam respeitadas? Não tenho certeza”, completou.

O Manchester City apela junto à Corte Arbitral do Esporte para reverter a decisão da Uefa de exclui-lo por dois anos de competições europeias por violações do Fair Play Financeiro e a discussão sobre a origem do dinheiro voltou a ser quente na Inglaterra com a iminente venda do Newcastle para um fundo controlado pelo governo da Arábia Saudita.

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