Arsène Wenger é um dos técnicos mais importantes da história do Arsenal e da Premier League. O francês completa 70 anos no próximo dia 22 de outubro, mas não quer se aposentar. Ele recebeu propostas para voltar a trabalhar na Inglaterra, mas recusou por estar “muito ligado” ao Arsenal, clube que dirigiu por 22 anos.

“Eu sou um cara do Arsenal e depois disso eu sou um profissional. Eu não posso parar de trabalhar”, afirmou Wenger. “Eu decidi sair da Premier League porque eu estou muito ligado ao Arsenal. Eu tive oportunidades para trabalhar na Inglaterra, mas eu recusei”, contou o treinador à Sky Sports, emissora que transmite a Premier League, durante o evento Nordoff Robbins Legends of Football. “Eu não quero dizer quais clubes, porque há pessoas no comando por lá e seria injusto com eles”.

Wenger conseguiu feitos impressionantes com o Arsenal. Contratado de forma inusitada, depois de ter treinado o Nancy e o Monaco, na França, e depois o Nagoya Grampus, no Japão, chegou já com a temporada de 1996/97 em andamento. Conquistou três vezes a Premier League (1997/98, 2001/02, 2003/04), além de ter levantado sete Copas da Inglaterra (1997/98, 2001/02, 2002/03, 2004/05, 2013/14, 2014/15, 2016/17). Outras oito vezes venceu a Community Shield, a Supercopa da Inglaterra. O time campeão inglês invicto, em 2003/04, foi o mais marcante.

Mais do que os títulos, conseguiu colocar o Arsenal com um futebol atraente em um clube marcado pelo futebol, digamos, mais rústico (se você leu Febre de Bola, de Nick Hornby, vai saber disso). Em termos de resultados, além dos títulos, Wenger levou o clube a 20 temporadas consecutivas se classificando à Champions League, algo que é importante para o clube, esportiva e financeiramente. Só que o desgaste chegou e o final da passagem do técnico já gerava muitas críticas, terminando em quinto e depois sexto na Premier League, fora da Champions League.

“Eu sei que é normal que as pessoas sempre queiram mais. Nós ganhamos muito e construímos o Emirates [estádio do clube]. É difícil explicar hoje as circunstâncias que nós construímos o estádio porque o faturamento de hoje foi multiplicado em cinco vezes”, explicou o treinador, defendendo o seu legado.

“Quando nós decidimos construir o estádio, nós tínhamos um faturamento de £ 90 milhões e o estádio custava £ 430 milhões. Então a pressão está realmente lá e eu acho que sair desse período em uma situação saudável foi quase como um milagre”, explicou ainda Wenger.

O próximo trabalho de Wenger pode não ser como técnico. Há uma sondagem da Fifa para que ele aceite um cargo gerencial. “É para chefe de desenvolvimento do futebol no mundo e a decisão será tomada em breve”, disse o francês. “Eles procuram por pessoas que tenham grande experiência e conhecimento do jogo, que aprenderam muito”.

Chamado de “O Professor”, pelo seu modo professoral de falar, o técnico tem trabalhado como comentarista na Inglaterra, muitas vezes dividindo espaço com um rival dos tempos de Arsenal, José Mourinho. Os dois participam de programas da Sky Sports.

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