Tornou-se lugar comum fazer referência ao futebol brasileiro dos anos 1990 para falar sobre a (falta de) qualidade dos jogadores. Às vezes até de forma exagerada, supervalorizando jogadores dos anos 1990 só porque eles parecem de uma época que as pessoas têm saudade. Só que isso é comum no Brasil. Desta vez, a referência veio de fora. Arsène Wenger, técnico do Arsenal, comentou em entrevista à BeIN Sports que a seleção da França tem atualmente os melhores jogadores do mundo. Mais: que há tantos jogadores de alto nível na seleção francesa quanto o Brasil tinha há 20 anos. Resolvemos, então, lembrar como era a seleção brasileira há 20 anos e você pode tirar as suas conclusões – e debates conosco as nossas.

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E como era o Brasil há 20 anos?

Se voltarmos 20 anos no tempo estaremos no ano de 1997. O Brasil era o atual campeão mundial e tinha um atraque de respeito: Romário e Ronaldo (que nessa época era chamado de Ronaldinho). Não havia Eliminatórias, porque a regra era que o atual campeão estava automaticamente classificado para a Copa seguinte. Foi ano de Copa América na Bolívia. Adivinha quem venceu? Isso mesmo: o Brasil, com bailes atrás de bailes, goleadas e Ronaldo e Romário fazendo a festa.

O ano de 1997 foi aquele que Edmundo esteve entre os melhores do mundo. Há bons argumentos inclusive para considerá-lo o melhor. Foi o ano do seu recorde jogando pelo Vasco, campeão brasileiro e com o Animal artilheiro com incríveis 29 gols em uma só edição.

Aliás, naquele ano a Seleção ganhou a Copa das Confederações, que ainda era um torneio disputado na Arábia Saudita. Ainda não era uma competição da Fifa e sim um torneio caça-níqueis… Opa, talvez isso ainda seja. Mas era um torneio bem diferente do atual, disputado no fim do ano e com os dirigentes e políticos da Arábia Saudita presentes. O torneio, inclusive, tinha o nome do rei e tudo mais. O Brasil deu um show no torneio, com diversas goleadas ao longo do caminho.

A escalação do Brasil na final, um impiedoso 6 a 0 na Austrália, era a seguinte: Dida; Cafu, Aldair, Júnior Baiano e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Juninho e Denílson; Ronaldo e Romário. Ainda havia no banco de reservas Rogério Ceni, Bebeto, Flávio Conceição, Leonardo, Zé Maria, Gonçalves, Zé Roberto, Doriva, Rivaldo, Rodrigo Fabri e Russo.

Talento da França
Antoine Griezmann, da França (AP Photo/Frank Augstein)
Antoine Griezmann, da França (AP Photo/Frank Augstein)

O elenco da França é extremamente talentoso e jovem. O capitão é Hugo Lloris, do Tottenham, que tem 30 anos. Na defesa, há jogadores que vem em ascensão, como os laterais Layvin Kurzawa (Paris Saint-Germain, 24 anos) e Benjamin Mendy (Monaco, 22 anos). Há ainda os zagueiros Aymeric Laporte (Athletic Bilbao, 22 anos), Samuel Umtiti (Barcelona, 23 anos) e Raphaël Varane (Real Madrid, 23 anos, que está fora por lesão).

No meio-campo, N’Golo Kanté (Chelsea, 25 anos), um dos melhores volantes do mundo, Adrien Rabiot (PSG, 21 anos), o jovem Thomas Lemar (Monaco, 21 anos), que estreou na seleção. Isso sem falar em Paul Pogba, 24 anos, um dos mais valorizados jogadores do mundo. No ataque, além da superestrela Antoine Griezmann (Atlético de Madrid, 26 anos), o jovem Kylian Mbappé (Monaco, 18 anos) estreou e já causa expectativa nos torcedores.

Avaliação de Wenger
Arsène Wenger, técnico do Arsenal (Foto: Getty Images)
Arsène Wenger, técnico do Arsenal (Foto: Getty Images)

“Estou convencido, talvez porque eu seja francês, mas no momento os melhores jogadores do mundo são franceses”, avaliou o treinador. “Quando você se coloca no lugar de [Didier] Deschamps, é um pesadelo escolher os 20 melhores, depois os 11 titulares… É um problema que você não tem no momento na Espanha”, analisou ainda o treinador. “A Alemanha também ainda está lá, mas talvez um pouco menos forte do que eles estavam no Brasil [quando ganharam a Copa em 2014]”.

“A próxima força no futebol internacional para mim é a França. Você encontra jogadores do mais alto nível na França hoje como havia no Brasil há 20 anos. Em todo canto você acha um jogador que pode jogar pela seleção, basicamente”, disse ainda Wenger.

“Quando você olha para jogadores como [Tiemoue] Bakayoko [convocado para o lugar de Pogba, machucado] e [Alexandre] Lacazette, que não estão nem convocados, isso não acontecia há 10 anos”, declarou ainda Wenger. “É por isso que eu acho que a França tem um talento excepcional e talvez possa tomar a frente”.

Talento, sem dúvida, a França tem no seu elenco atual. Dizer que tem tanto talento como o Brasil tinha parece um pouco de exagero de Wenger, ou talvez ele só tenha lembrado dos jogadores que atuavam na Europa. Se pensar no time que citamos acima, da Copa das Confederações, que ainda tinha Edmundo de fora, é de se espantar. Era muito talento.

Romário e Ronaldo no ataque do Brasil era algo absolutamente incrível. Uma pena que o mundo não viu esse ataque na Copa do Mundo da França. Até porque, Zagallo, o titular do ataque depois do corte de Romário era para ser o Edmundo, que estava voando, e não o Bebeto. Quem sabe com Romário a estrela que os franceses têm no peito pela conquista daquele título tivesse outro destino…

VÍDEOS:

Copa América de 1997:

Copa das Confederações 1997: