Julian Weigl possui uma rodagem considerável para um jogador de apenas 24 anos. O volante estreou na segunda divisão da Bundesliga em 2013/14, após despontar na base do Munique 1860. Não demorou a estourar e a se transferir ao Borussia Dortmund, onde se firmou como um dos volantes mais promissores do mundo. O desenvolvimento da carreira do alemão, porém, não atingiu o patamar esperado e ele tentará um recomeço a partir de 2020. Nesta terça-feira, o Dortmund confirmou a venda de Weigl ao Benfica, em negócio que renderá €20 milhões aos aurinegros. Insatisfeito no BVB, o próprio atleta solicitou a saída, após receber a proposta dos encarnados.

As primeiras duas temporadas de Weigl no Signal Iduna Park foram muito boas. O volante não precisou de adaptação para se tornar titular do Borussia Dortmund e a dominar o meio-campo da equipe. O estilo de jogo praticado por Thomas Tuchel parecia beneficiar o novato, fixado na cabeçada de área, onde podia apresentar sua excelente qualidade nos passes e fazer a cobertura defensiva. Não à toa, Joachim Löw nem esperou muito para levá-lo à seleção alemã e o jovem de 20 anos participou da Euro 2016 como reserva. Porém, o declínio do volante foi acentuado.

A saída de Thomas Tuchel do Borussia Dortmund, em 2017/18, coincidiu com o período em que Weigl encarou mais dificuldades. Passou a conviver com as lesões e também não se encaixou no time mais exposto de Peter Bosz. Não se sairia melhor sob as ordens de Peter Stöger e evidenciava as suas carências. Apesar de claras virtudes em alguns fundamentos, o volante não acompanhava o ritmo físico e nem contribuía à fluidez dos aurinegros. Aos poucos, seus minutos em campo se tornaram mais raros.

Com Lucien Favre, Weigl esquentou o banco durante o primeiro turno da Bundesliga passada e começou a jogar no miolo da zaga. Na nova função, estava distante do garoto que despontou rapidamente no Signal Iduna Park. A mediocridade perseguiu o alemão também no início da atual campanha. Favre até começou a usá-lo mais na cabeça de área, o que não significava muito, diante dos recorrentes desleixos dos aurinegros atrás. Ao final, o clube até abriu mão do jovem, num momento em que precisa consertar seu sistema defensivo.

Financeiramente, o negócio parece razoável ao Dortmund. O clube pagou €2,5 milhões por Weigl em 2015 e lucra oito vezes mais. Em compensação, os €20 milhões atuais estão bem abaixo do valor de mercado que ele já teve três anos atrás – €30 milhões, conforme o Transfermarkt. Houve uma quebra de confiança e a transferência é plenamente compreensível. A direção preferiu não colocar empecilhos ao desejo do atleta, por tudo o que ele já fez pela equipe. Além do mais, o BVB ganha um dinheiro pertinente para reinvestimentos no setor.

Do outro lado, o Benfica se dá bem com a transação. Gasta mais alto que o comum aos seus padrões, mas com a chance de redescobrir um jogador talentoso. E o próprio Weigl celebra a mudança. Deixa um ambiente em que existiam velhas expectativas para se experimentar em outras situações. O ritmo do futebol português, menos intenso, pode ajudá-lo neste sentido. Talvez não seja mesmo atleta para a seleção alemã, como um dia indicou. Mas sua capacidade, ainda assim, é evidente para ser protagonista em equipes importantes. Os encarnados podem representar essa nova rota em sua carreira.